O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, discursou no encerramento do ano legislativo na sexta-feira (19), durante sessão conjunta do Congresso Nacional convocada para votar o Orçamento de 2026, identificado na pauta como PLN 15/2025. No pronunciamento, ele defendeu que Câmara e Senado precisam atuar juntos e que o Legislativo precisa se reafirmar diante dos outros poderes.
Câmara e o Senado Federal precisam caminhar juntos. O Poder Legislativo brasileiro precisa se reafirmar a todo instante, respeitando a harmonia e independência dos poderes em relação ao Executivo e ao Judiciário
A frase é do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no discurso de encerramento.
O que é a sessão conjunta que votou o Orçamento
Na maior parte do ano, deputados e senadores trabalham em plenários separados, cada Casa com sua própria pauta. A sessão conjunta é o formato em que os parlamentares das duas Casas deliberam ao mesmo tempo, sob a condução do presidente do Congresso Nacional — cargo ocupado pelo presidente do Senado. Foi nesse rito que o Orçamento de 2026 entrou em votação.
O Orçamento não é um projeto comum de uma Casa só: ele tramita no Congresso Nacional como PLN, a sigla que aparece na identificação PLN 15/2025 — o número da proposta e o ano em que ela foi apresentada. Por isso a votação exige a reunião conjunta, e não duas votações independentes.
Agradecimento, divergência e convergência
Alcolumbre afirmou que a manifestação de encerramento também serve como agradecimento aos parlamentares e como reafirmação do Congresso enquanto espaço para opiniões divergentes, ao mesmo tempo em que se busca convergência — sobretudo, segundo ele, em projetos de interesse do país. Na avaliação do senador, a pacificação e a cooperação em matérias relevantes são fundamentais.
A leitura de que o ano foi marcado por união entre as duas Casas é do próprio orador, feita em discurso de balanço, e não uma constatação externa.
O pedido para que a eleição de 2026 não trave a pauta
O ponto mais direto do discurso foi o alerta sobre o calendário eleitoral. Alcolumbre pediu que senadores e deputados façam esforço para que o processo eleitoral de 2026 não interfira na tramitação e na votação de propostas consideradas importantes para a população.
Deputados e senadores têm a autoridade dada pelo voto popular para defender suas agendas e buscar convergência nos aspectos que nos unem. Mas, muitas das vezes, legislações importantes estão tramitando no Congresso e, por conta do processo eleitoral, elas mereciam não só mais celeridade, mas também careciam do aperfeiçoamento, da modernização, do melhoramento e da participação coletiva do conjunto do Parlamento
A avaliação é do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Os rincões do país e o mandato como ponte
Outro trecho tratou da diversidade do Brasil e do papel dos eleitos em representar realidades locais distintas. O argumento do senador é que a demanda de uma comunidade distante dos grandes centros só chega a Brasília porque alguém com mandato a leva até lá — e que essa cadeia começa no vereador, passa pelo deputado e chega ao senador.
O Estado brasileiro não daria conta de resolver os problemas dos rincões do país sem o trabalho dos vereadores, deputados e senadores, que levam as demandas locais a Brasília
A afirmação é de Davi Alcolumbre.
O balanço que o presidente do Senado fez do ano
Segundo Alcolumbre, a colaboração entre os parlamentares ao longo do ano permitiu aperfeiçoar legislações e cumprir as obrigações democráticas do Legislativo, com disposição para enfrentar os desafios que apareceram.
E tudo o que quisermos fazer, dentro da legislação que nos cabe, estamos aptos e temos coragem de realizar
No fim do pronunciamento, o senador desejou boas festas aos parlamentares e às famílias do país e disse que o Parlamento, assim como os brasileiros, enfrenta dificuldades, mas está preparado para superá-las.
A vida é assim. A gente tem que tirar as pedras da frente dos nossos caminhos. Enfrentar de cabeça erguida as dificuldades.
O que fica pendente para 2026
O próprio discurso indica o que não se resolveu na sessão. Pelo relato do presidente do Senado, há legislações importantes ainda em tramitação no Congresso que, por causa do processo eleitoral, deixaram de ter a celeridade e o aperfeiçoamento que ele considera necessários. Essas propostas seguem na fila.
O obstáculo apontado por ele é o calendário de 2026. O pedido feito na sessão foi para que a disputa eleitoral não interfira na tramitação nem na votação das matérias em curso, e que o Congresso mantenha o trabalho de aperfeiçoamento dessas propostas durante o ano.
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