A Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha concluiu o inquérito que apurou o homicídio de um policial militar no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. A vítima foi identificada como Mariusom Marianelli Jacintho, de 35 anos, policial militar do Espírito Santo. Ele foi atingido na cabeça por um cano de PVC com base de concreto em dezembro de 2025, permaneceu internado desde o dia das agressões e morreu no sábado (03). Ao encerrar as apurações, a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) indiciou um homem de 51 anos por homicídio consumado duplamente qualificado.
A dinâmica do crime, segundo a delegacia
O chefe da DHPP de Vila Velha, delegado Daniel Fortes, detalhou como a agressão começou: a discussão teria sido motivada pela suspeita de que a vítima urinou em local impróprio. Houve troca de ofensas entre os dois e, em seguida, o golpe com o cano. Câmeras de videomonitoramento da área registraram a sequência e foram usadas na investigação.
O crime foi cometido em razão de a vítima supostamente ter urinado em local impróprio. O fato gerou fúria no autor, um homem de 51 anos, dando início a ofensas mútuas. Em seguida, o autor se apoderou de um cano de PVC com base de concreto e desferiu um golpe fatal na cabeça da vítima. Por meio das imagens de videomonitoramento, foi constatado que a vítima não conseguiu esboçar qualquer reação
A descrição é do delegado Daniel Fortes, chefe da DHPP de Vila Velha.
Fuga para Viana e prisão ainda em dezembro
Depois do crime, o autor deixou o local e foi para um sítio na região de Viana. No curso das diligências, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do suspeito, que acabou preso ainda em dezembro, depois de se apresentar na sede da DHPP.
Vale entender o que essa etapa é e o que ela não é. Representar pela prisão preventiva significa que a polícia pede a prisão; quem decide é a Justiça. E prisão preventiva não é pena nem condenação: é medida cautelar, tomada enquanto a apuração corre, para garantir a investigação ou a aplicação da lei, e pode ser revista a qualquer tempo por quem a decretou.
O que a qualificadora de motivo fútil quer dizer
O indiciamento apontou duas qualificadoras: motivo fútil e emprego de recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa da vítima. Nenhuma das duas é adjetivo de reportagem — são classificações jurídicas atribuídas na investigação e que precisam ser sustentadas com prova ao longo do processo.
Motivo fútil é o motivo insignificante, desproporcional diante do resultado: a razão alegada não guarda nenhuma medida com a morte que provocou. É diferente de motivo torpe, que descreve a motivação repugnante, e diferente de ausência de motivo. A segunda qualificadora não trata do porquê, e sim do como: alcança a situação em que a pessoa atacada não tem chance real de se defender ou de perceber o golpe a tempo.
A consequência prática é direta. Reconhecida uma qualificadora, o homicídio deixa de ser punido pela faixa de pena do homicídio simples e passa a responder por uma faixa mais alta, com mínimo e máximo maiores. Quando há mais de uma, como neste inquérito, uma delas qualifica o crime e a outra pode pesar na dosagem da pena. Nada disso está decidido: reconhecer ou afastar cada qualificadora cabe ao julgamento, não ao inquérito.
Inquérito concluído não transforma o indiciado em réu
Concluir o inquérito é encerrar a fase de investigação, não julgar. Indiciado é a pessoa que a autoridade policial aponta, ao final da apuração, como provável autora do crime — não é réu e não é condenada. O relatório segue para a Justiça e para o órgão responsável pela acusação, a quem cabe decidir se oferece denúncia, pede novas diligências ou requer o arquivamento.
Só se a denúncia for apresentada e aceita é que se abre a ação penal e o indiciado passa a réu. Condenação, se houver, vem depois do julgamento e do esgotamento dos recursos. Até lá vale a presunção de inocência. Neste caso, conforme informou a Polícia Civil, o indiciado está preso e permanece à disposição da Justiça.
A mesma unidade também finalizou o inquérito que apurou um homicídio no bairro Cobilândia, igualmente em Vila Velha — episódio independente deste, com outras pessoas envolvidas e sem qualquer relação com o caso de Coqueiral de Itaparica.
Canais para informar a polícia
Quem tiver informação sobre crimes em apuração pode acionar os canais públicos de segurança:
- 181 — Disque-Denúncia, gratuito e anônimo. Serve para repassar informação sobre autoria, paradeiro de procurados ou detalhes de um crime já ocorrido, sem que o denunciante precise se identificar.
- 190 — emergência policial, para situação em andamento, com risco imediato a alguém.
Informação sobre um crime já apurado também pode ser levada diretamente à delegacia responsável pelo inquérito, inclusive depois de concluída a investigação, já que provas novas podem ser juntadas ao processo.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

