Estratégias de manejo nutricional para gatos com DRC são discutidas durante a VMX 2026 – Portal Cães e

Estratégias de manejo nutricional para gatos com DRC são discutidas durante a VMX 2026 – Portal Cães e

No primeiro dia da VMX 2026 – maior feira de Medicina Veterinária do mundo realizada de 17 a 21 de janeiro em Orlando, nos Estados Unidos – a médica-veterinária da Colorado State University com residência em Nutrição veterinária e especialista em Medicina Veterinária felina e canina pelo Conselho Americano de Praticantes Veterinários (DABVP), Camille Torres, apresentou as principais estratégias para o manejo nutricional de gatos com Doença Renal Crônica (DRC).

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De acordo com a profissional, a DRC é muito comum na rotina clínica de felinos, sendo considerada uma condição progressiva, causada pela alteração irreversível e perda dos néfrons. Seu principal problema é que, à medida que progride, começa-se a observar o acúmulo de produtos metabólicos de excreção, que não conseguem mais ser eliminados do organismo.

“Quando há aumento das toxinas urêmicas – ou quando o fósforo começa a subir -, observamos que os pacientes passam a se sentir mal, perdem o apetite e apresentam alto risco de desnutrição”, comentou.

Camille relatou que a desnutrição é muito comum em gatos com doença renal e pode ocorrer de forma lenta, o que dificulta a percepção pelos responsáveis. O motivo é que desencadeia diminuição gradual de apetite e, ao analisar o histórico do animal, nota-se perda de peso e de massa muscular.

gato atendimento veterinário
Durante o acompanhamento de gatos com DRC é possível visualizar a perda de massa muscular e a desnutrição (Foto: Reprodução)

 Complicações da desnutrição

A desnutrição crônica pode resultar em anemia e diminuição das proteínas séricas, embora existam outras causas possíveis.

Conforme a veterinária, se há algo comprometendo o apetite, é preciso realizar o tratamento clínico, que pode ser feito através de fluidoterapia, suplementação de eletrólitos e estabilização.

“Um trato gastrointestinal desidratado tem motilidade reduzida. Logo, oferecer alimento nesse momento pode piorar o quadro”, pontuou.

Porém, não é indicado esperar demais para iniciar o suporte nutricional. Caso o paciente não queira se alimentar, as sondas nasogástricas são úteis, enquanto a sonda esofágica é uma excelente opção para suporte nutricional prolongado.

“Com a nutrição buscamos fornecer níveis adequados de proteína, controlar fósforo, ajustar o sódio e ajudar a manter o equilíbrio ácido-base. Certos aminoácidos são mais acidificantes, o que pode ser contraindicado em pacientes acidóticos. Também é fundamental garantir a ingestão calórica adequada, pois quando um gato não come, o metabolismo diminui e ocorre perda de massa magra, reduzindo ainda mais a taxa metabólica”, esclareceu.

Além disso, a perda de massa muscular está associada a maior morbidade e mortalidade. Por isso, garantir calorias adequadas é essencial, assim como hidratação e, quando possível, suplementação com ácidos graxos ômega-3.

Proteína no manejo nutricional

A ingestão proteica é muito debatida quando se fala em manejo nutricional de felinos com DRC. Sobre isso, segundo Torres, não existe uma abordagem única, pois cada animal responde de forma diferente, existindo os que perdem massa muscular rapidamente com a restrição proteica e outros que não.

“Precisamos reconhecer essa variabilidade individual. A ideia não é apenas reduzir proteína, mas entender por que ela é um nutriente de preocupação. Basicamente, a metabolização proteica gera toxinas urêmicas e está associada ao fósforo dietético. Deste modo, nosso objetivo final é reduzir a azotemia sem comprometer a massa magra. Por isso, discutimos dois pontos de vista: o “pró-proteína” e o “pró-baixa proteína””, citou.

Níveis adequados de proteína são essenciais para esses animais, pois gatos são carnívoros obrigatórios e possuem altas exigências proteicas. A deficiência proteica leva à perda muscular e piora do prognóstico. Por outro lado, dietas ricas em proteína podem contribuir para hiperfiltração glomerular, estresse oxidativo, inflamação renal e progressão da doença.

Além disso, durante a palestra a profissional citou que a maior ingestão proteica aumenta fósforo, ureia e produção de hidrogênio, perpetuando acidose metabólica, inflamação e proteinúria.

“Em gatos em estágios IRIS 1 ou 2 com proteinúria, a redução proteica é um fator decisivo. No entanto, a qualidade da proteína é tão importante quanto a quantidade. Proteínas altamente digestíveis e biodisponíveis permitem menor ingestão total sem comprometer as necessidades de aminoácidos”, explicou.

Sendo assim, as dietas renais iniciais podem ser úteis para esses animais, pois apresentam fósforo modificado, sódio reduzido e perfil proteico ajustado. Mas, é essencial avaliar rótulos e guias nutricionais no momento da prescrição.

gato branco comendo frango
A proteína é fundamental no manejo nutricional dos felinos, pois eles são carnívoros obrigatórios (Foto: Reprodução)

Fósforo requer atenção

O fósforo é outro nutriente-chave no manejo nutricional de felinos com DRC. Conforme a função renal diminui, sua excreção cai e ocorre hiperfosfatemia, o que piora o estado clínico e reduz o apetite.

Camille pontuou que dietas com fósforo elevado e relação cálcio: fósforo inadequada podem causar lesão renal mesmo em gatos saudáveis. Por isso, o objetivo é manter os níveis dentro das metas do IRIS, utilizando dietas adequadas e, se necessário, quelantes de fósforo.

Destacou também que outros nutrientes importantes na nutrição desses animais são sódio – mas deve-se evitar excesso e restrição excessiva- e o potássio, sendo essencial monitorar a hipo ou hipercalemia e suplementar quando indicado.

Já os ácidos graxos ômega-3 têm benefícios comprovados e atuam reduzindo inflamação, proteinúria e mortalidade, assim como os antioxidantes, que devem estar incluídos na dieta renal.

“A introdução precoce da dieta renal pode facilitar aceitação do paciente. Contudo, é importante orientar os tutores sobre petiscos, que muitas vezes fornecem calorias sem nutrientes adequados”, concluiu.

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