A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Hildebrando Lucas, localizada em Vitória, tirou a matrícula de dentro da secretaria e a levou até quem precisa dela. A unidade realizou uma ação social de captação e efetivação de matrículas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua, o Centro POP.
Em vez de esperar que os interessados procurassem a escola, a equipe deslocou o procedimento para o local onde o público atendido já se encontra. A iniciativa teve como objetivo ampliar o acesso à informação e ao atendimento, aproximando a instituição de sujeitos que, muitas vezes, vivenciam interrupções no percurso escolar.
Secretaria escolar no local permitiu matrícula na hora
Para viabilizar o atendimento no próprio espaço do Centro POP, a escola contou com a presença da secretaria escolar. Foi esse detalhe operacional que permitiu realizar as matrículas durante a ação, sem que o interessado precisasse cumprir uma segunda etapa em outro endereço.
A diferença não é pequena para o público atendido. Quando a inscrição depende de um deslocamento posterior, o intervalo entre a decisão de voltar a estudar e a efetivação do vínculo com a escola tende a se alargar. Ao concentrar informação, atendimento e registro em um mesmo momento, a ação encurtou esse caminho.
Tema e projeto: a escola além dos muros
A atividade foi realizada com o tema “Escola além dos muros: a presença da EJA no Centro POP como resgate de dignidade e cidadania” e integrou o Projeto de Integração, Pesquisa e Articulação com o Território (Pipat).
A proposta foi dialogar com princípios de educação que reconhecem trajetórias de vida e buscam enfrentar obstáculos que dificultam a retomada dos estudos, especialmente no caso de pessoas em situação de rua. A EJA é a modalidade voltada justamente a quem não concluiu a escolarização na idade prevista e, por razões diversas, precisou interromper os estudos.
Entre os resultados observados, a escola aponta o fortalecimento de vínculos e o incentivo à continuidade dos estudos, reforçando a educação como direito e como possibilidade concreta de reconstrução de projetos de vida.
Professores falam em reconhecer histórias
O professor de Geografia Tiago Vieira afirmou, sobre a perspectiva territorial da iniciativa: “Trabalhar a Geografia e a integração com o território através do Pipat é entender que a cidade é nossa maior sala de aula. Inspirados por Paulo Freire, não fomos apenas oferecer vagas, fomos reconhecer histórias. Ao quebrar as barreiras da ‘invisibilidade institucional’, mostramos que a escola pública deve ser uma presença viva, capaz de caminhar ao lado de quem a vida muitas vezes tentou silenciar.”
A professora de Sociologia Robertha da Silva Dal Berto disse, ao ressaltar o caráter inclusivo da ação: “Como professora de Sociologia, entendo que a escola só cumpre seu papel quando se torna um instrumento de desnaturalização das exclusões. Nossa ação foi um exercício prático de Sociologia aplicada: fomos ao encontro de sujeitos cujas trajetórias são marcadas por rupturas e invisibilizações, oferecendo não apenas uma vaga escolar, mas o reconhecimento de sua cidadania.”
Busca ativa de estudantes na Grande Vitória
A ação no Centro POP segue a mesma lógica de outras estratégias de busca ativa de estudantes na região metropolitana, que tiram o atendimento do balcão e o levam aos espaços de circulação do público. Foi esse o caminho adotado também no Chamadão da EJA, ação realizada pela Sedu nos terminais da Grande Vitória, quando as matrículas foram oferecidas fora do ambiente escolar.
Ao repetir esse movimento dentro de um equipamento de assistência social, a EEEFM Hildebrando Lucas coloca a rede pública de ensino em contato direto com um público que raramente chega até ela por conta própria, tratando a matrícula não como um trâmite administrativo, mas como uma porta reaberta.
Com informações da Secretaria da Educação do Espírito Santo (Sedu).
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