Uma operação da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), conduzida pela Delegacia Regional de Itapemirim, terminou com a prisão em flagrante de dois homens, de 19 e 20 anos, e com a recuperação de diversos produtos oriundos de furto na localidade de Córrego do Ouro, em Itapemirim. A ação foi deflagrada na manhã de quarta-feira (21).
As diligências fazem parte de uma investigação que apura vários furtos registrados na região. No local, os policiais civis encontraram grande quantidade de bens de origem ilícita, sem comprovação de procedência.
Medicamentos de um mesmo laboratório entre os itens apreendidos
Entre os materiais apreendidos estavam mochilas, utensílios domésticos e produtos diversos. O volume maior, porém, era de medicamentos, muitos deles de alto valor comercial e provenientes do mesmo laboratório — um indício, segundo a investigação, da possibilidade de furto ou roubo em larga escala na cadeia de fabricação ou distribuição.
Os materiais eram comercializados no mercado paralelo por valores muito abaixo dos praticados regularmente. Os suspeitos não apresentaram documentação que comprovasse a origem lícita dos bens apreendidos. Os dois homens também são investigados em outros procedimentos policiais, muitos deles relacionados a crimes patrimoniais, inclusive com o uso de arma de fogo.
A declaração é do delegado adjunto da Delegacia Regional de Itapemirim, delegado Daniel de Araújo.
O que a lei chama de receptação qualificada
Os dois suspeitos foram autuados em flagrante por receptação qualificada. Receptação é adquirir, receber, transportar, guardar ou ocultar coisa que a pessoa sabe ser produto de crime — ou seja, quem fica com o objeto furtado responde por conduta própria, mesmo sem ter participado do furto.
A forma qualificada aparece quando a prática se dá no exercício de atividade comercial ou industrial, ainda que informal, como a venda em ponto irregular. Por isso a pena é mais dura do que a da receptação simples: a lei entende que o comércio de produtos de origem ilícita é o que dá saída à mercadoria e, no fim, sustenta o furto.
Autuação em flagrante não é condenação. Nesta fase, os dois são suspeitos, e cabe ao processo, com direito à defesa, dizer se houve crime e de quem é a responsabilidade.
Perdeu algo em um furto? O que fazer para tentar reaver o produto
Quando a polícia recupera uma carga de bens sem procedência, o passo seguinte é devolver cada item a quem o perdeu. Isso só funciona se existir um registro anterior que ligue o objeto ao dono. Na prática:
- Registre o boletim de ocorrência, mesmo que o objeto pareça de pouco valor. Sem registro, o bem apreendido não tem a quem ser ligado e fica retido.
- Informe o número de série de aparelhos eletrônicos, ferramentas e eletrodomésticos. É esse número que identifica a peça específica entre milhares iguais.
- Guarde a nota fiscal ou, na falta dela, o comprovante de pagamento, o contrato de garantia ou a fatura do cartão. Fotografe o documento e salve a imagem fora do próprio aparelho.
- Fotografe o item por ângulos que mostrem marcas de uso, arranhões, gravações ou personalizações. Detalhe é o que distingue o seu do igual.
- Descreva marca, modelo, cor e acessórios no registro. Descrição genérica quase nunca casa com o material apreendido.
- Volte à delegacia se souber de apreensões na sua região e informe que aguarda a devolução de um bem já registrado.
Para informar onde há venda de produtos de origem suspeita sem se identificar, o canal é o 181, o Disque-Denúncia. Em situação de crime em andamento, o número é o 190.
O que a audiência de custódia decide — e o que ela não decide
A autoridade policial representou junto ao Poder Judiciário pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. Todo preso em flagrante passa, em regra em até 24 horas, por uma audiência de custódia.
Nessa audiência, quem julga não avalia se a pessoa é culpada. Verifica três coisas: se a prisão foi legal, se houve maus-tratos desde a abordagem e o que fazer até o fim do processo. Daí saem três caminhos possíveis: soltar sem condições, conceder liberdade com medidas como comparecimento periódico e proibição de deixar a cidade, ou converter o flagrante em prisão preventiva.
Preventiva é prisão antes do julgamento, decretada por risco à investigação, à ordem pública ou de fuga — e pode ser revista a qualquer tempo. Não é pena, não conta como condenação e não antecipa o resultado do processo.
Outros episódios registrados na região
A recuperação de bens furtados costuma vir depois de meses de apuração, e a região já teve casos assim — episódios independentes deste, com outras pessoas envolvidas e sem relação entre si. Em abril de 2025, a Polícia Civil recuperou objetos furtados e identificou suspeitos em Itapemirim, em outra investigação. Em agosto de 2024, outro trabalho no mesmo município terminou com a recuperação de um táxi e a prisão de suspeitos de extorsão, também em episódio sem ligação com o caso de Córrego do Ouro.
As investigações sobre a apreensão em Córrego do Ouro seguem em andamento para identificar a origem dos bens apreendidos e apurar a participação de outros possíveis envolvidos.
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