O vice-governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, foi homenageado nesta quarta-feira (11), em sessão solene na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), dedicada ao setor produtivo de rochas naturais do Brasil. Na mesma cerimônia, também receberam homenagem a empresa Imetame Logística, a ApexBrasil e a Agência Nacional de Mineração.
A sessão foi conduzida pelo deputado federal Josias Da Vitória, líder da Bancada Capixaba. O segmento é representado nacionalmente pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) e teve na solenidade a participação de entidades ligadas aos principais polos produtivos, como o Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas) e a Associação de Atividades Sociais do Setor de Rochas Ornamentais do Espírito Santo (Rochativa).
O que é uma sessão solene e o que ela não decide
Sessão solene é um tipo de reunião que foge da rotina de votações. Ela não aprecia projeto de lei, não aprova emenda ao orçamento e não cria direito nem obrigação para ninguém: seu objeto é homenagear uma pessoa, uma instituição, uma categoria profissional ou marcar uma data. Por isso costuma ser marcada em horário que não conflita com a pauta de votações.
A iniciativa parte de parlamentares. Um deputado apresenta o requerimento pedindo a sessão, indica o motivo e os homenageados, e o pedido precisa ser aprovado pelo colegiado que dirige os trabalhos da Casa antes de entrar no calendário. Quem conduz a cerimônia, na prática, é o autor do requerimento ou alguém por ele indicado.
O efeito da homenagem é simbólico e institucional, não normativo. Ela não destina recursos ao setor homenageado nem muda regra de tributação, licenciamento ou exportação. O que ela produz é registro nos anais da Casa e visibilidade para a atividade em questão diante do Congresso.
O motivo apresentado para a homenagem
De acordo com a divulgação da cerimônia, o reconhecimento ao vice-governador considera sua trajetória de atuação junto ao setor de rochas naturais, que inclui os períodos em que ocupou o cargo de senador da República e o de secretário de Estado de Desenvolvimento.
Em sua fala, Ferraço tratou o segmento como parte da identidade produtiva do Estado:
Ao longo das últimas décadas, essa cadeia produtiva se estruturou, se profissionalizou e conquistou os mercados internacionais, posicionando o Espírito Santo como o maior polo de beneficiamento e exportação de rochas naturais das Américas e uma das principais referências mundiais do setor. E isso é diretamente geração de empregos, renda, oportunidades, desenvolvimento e prosperidade para trabalhadores e famílias inteiras
A afirmação é do vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço.
Ele também listou as frentes em que diz haver investimento do Estado no setor:
Por isso, seguimos investindo em infraestrutura logística, modernização portuária, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança jurídica e sustentabilidade ambiental — elementos fundamentais para que nossas empresas continuem crescendo e conquistando novos mercados. Muito obrigado pela homenagem e carinho. Contem sempre conosco
O trecho foi destacado por Ricardo Ferraço durante a solenidade.
Os números que o setor apresenta
Pelos dados divulgados na cerimônia, a atividade responde por cerca de 480 mil empregos diretos e indiretos no país. Desse total, aproximadamente 30% estão no Espírito Santo.
- Exportação: o Estado concentrou 78,5% do valor exportado brasileiro em rochas naturais em 2025, cerca de US$ 1,2 bilhão.
- Emprego: perto de 30% dos postos de trabalho do setor no Brasil.
- Economia capixaba: a atividade equivale a 10% do PIB estadual.
- Outros polos: Minas Gerais, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte também aparecem como produtores e exportadores relevantes.
Bloco bruto e chapa beneficiada: onde fica o valor
A distinção ajuda a entender por que o Estado aparece com peso tão maior na exportação do que na produção bruta. Rocha natural é a pedra extraída da jazida em blocos — granito, mármore, quartzito e similares. Esse bloco, sozinho, vale pouco: é peso, volume e frete.
O beneficiamento é a etapa seguinte, em que o bloco é serrado em chapas, polido, resinado e cortado na medida do destino. É aí que entra a maior parte do valor agregado, e é isso que a expressão polo de beneficiamento descreve: a concentração da indústria que transforma o bloco em produto acabado, e não apenas da extração.
Por depender de serrarias, energia, mão de obra treinada e saída portuária, essa etapa tende a se concentrar geograficamente. Daí a diferença prática para o leitor capixaba: parte relevante do que sustenta o número de empregos do setor não está na pedreira, e sim no galpão industrial e na cadeia de logística que leva a chapa ao porto.
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