
O mercado financeiro brasileiro acorda nesta terça-feira (28) diante de um cenário que mistura boas notícias na inflação doméstica com turbulências vindas do setor de tecnologia global. Dessa forma, investidores precisam calibrar suas apostas com cuidado antes de tomar decisões relevantes nas próximas horas.
O IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente ao registrar alta de apenas 0,06% no mês, bem abaixo da projeção de 0,22%, acumulando 4,52% em 12 meses. Consequentemente, o resultado reforça um ambiente mais propício para cortes na taxa Selic na próxima reunião do Copom, ainda que um ajuste de 50 pontos-base siga sendo considerado improvável.
Semicondutores chineses abalam mercados globais
A principal fonte de aversão ao risco vem da Ásia. Uma empresa estatal chinesa iniciou a produção em massa de equipamentos de litografia, pressionando concorrentes como a ASML e reforçando a percepção de que a China avança na redução de sua dependência tecnológica estrangeira. Por outro lado, contratos de infraestrutura de IA vinculados à Nvidia, que somam mais de US$ 750 bilhões, acenderam dúvidas sobre o retorno real desses investimentos.
Em outras palavras, o mercado começa a exigir respostas concretas sobre a capacidade de monetização de toda essa cadeia. O Nasdaq encerrou a segunda-feira em queda de 0,2%, enquanto o S&P 500 ficou estável e o Dow Jones avançou 0,5%.
Petróleo recua e dólar pressiona o real
A pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã trouxe alívio temporário aos preços do petróleo, beneficiando o Ibovespa, que fechou em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos na segunda-feira. No entanto, o dólar avançou 0,60%, chegando a R$ 5,11, pressionado pela queda das commodities e pela ausência de suporte externo mais consistente.
Certamente, o risco geopolítico ainda não foi eliminado. Trump alertou que operações militares podem ser retomadas caso as negociações com o Irã fracassem, mantendo a volatilidade no radar dos investidores globais.
Fed e balanços das big techs dominam a semana
Nesse sentido, a semana promete ser decisiva. A reunião do Federal Reserve começa hoje, com resultado esperado para amanhã. Embora a manutenção dos juros entre 3,50% e 3,75% seja o cenário base, a probabilidade de elevação subiu para 38%. Além disso, Microsoft, Meta, Apple e Amazon divulgam seus balanços nos próximos dias.
Finalmente, o Brasil também acionou a OMC contra as tarifas americanas, que podem impactar 23,1% das exportações brasileiras, enquanto o governo tenta equilibrar tensão diplomática com preservação do diálogo comercial. O relatório de produção da Petrobras, esperado para esta noite, completa a agenda doméstica do dia.
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