Especialistas Revelam Por Que a Bolsa Afasta Estrangeiros Agora

Especialistas Revelam Por Que a Bolsa Afasta Estrangeiros Agora

O mercado acionário brasileiro encerrou a semana com um sinal claro de esgotamento. O Ibovespa recuou 1,73% na sessão desta sexta-feira, fechando aos 172.513 pontos, e acumulou queda superior a 3% na semana — o pior desempenho semanal desde maio. Ou seja, o índice chegou perto dos 180 mil pontos e agora cobra novos catalisadores para justificar novos patamares.

Além disso, o cenário foi agravado por uma combinação de fatores internos e externos que, juntos, afastaram o capital estrangeiro da renda variável brasileira. Analistas consultados pela reportagem apontam que o movimento vai além de uma simples realização de lucros.

Payroll fraco nos EUA embaralha apostas do Fed

A economia norte-americana surpreendeu negativamente ao eliminar 23 mil postos de trabalho líquidos em julho, quando o mercado esperava a criação de até 130 mil vagas. Consequentemente, as apostas sobre uma alta dos juros americanos foram postergadas de setembro para outubro, sem que isso representasse alívio imediato para os ativos brasileiros.

Por outro lado, a taxa de desemprego dos EUA recuou para 4,1%, gerando contradição nos dados. “Payroll negativo é desinflacionário, mas desemprego baixo pressiona a inflação — e isso embaralha a leitura do Fed”, avaliou Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.

Petrobras entrega lucro recorde e ainda assim cai

Um dos episódios mais reveladores da sessão envolveu a Petrobras. A estatal reportou lucro líquido de US$ 10,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 120% em um ano, e anunciou proventos de R$ 1,34 por ação. Mesmo assim, os papéis recuaram cerca de 3% no pregão.

Nesse sentido, especialistas explicam que, quando uma ação entrega resultado acima do esperado e ainda assim cai, o problema não está no balanço. “O problema é o preço de onde o papel partiu e o posicionamento de quem já estava dentro”, destacou André Matos, CEO da MA7 Capital. De fato, a indicação da empresa de que dividendos extraordinários são improváveis neste ano também pesou sobre o humor dos investidores.

Rotação global retira recursos do Brasil

Em contraste com o recuo da bolsa brasileira, o Nasdaq subiu 1,30% em Nova York. Isso porque, segundo analistas, o Brasil funcionou nos últimos meses como um “hedge” do setor de tecnologia — quando as ações de IA caíam, o fluxo migrava para ativos físicos, como os presentes no Ibovespa. Agora, esse movimento se inverteu.

Certamente, o Deutsche Bank reforça essa leitura ao afirmar que a rotação de volta para o setor de tecnologia ganhou força após a recente correção, especialmente entre grandes empresas de infraestrutura em nuvem. Assim sendo, agosto tende a concentrar saída de fluxo estrangeiro da bolsa local.

Fundamentos fiscais seguem como pano de fundo

Finalmente, o quadro fiscal doméstico e a proximidade do calendário eleitoral completam o cenário adverso. “Tudo isso afasta ainda mais o estrangeiro, que não vê gatilho no curto prazo para manter recursos na bolsa brasileira”, concluiu Thiago Pedroso, da Criteria. Sem um choque positivo nas expectativas, a tendência de cautela deve persistir nas próximas semanas.

Saiba mais sobre isso, clicando AQUI

Compartilhe essa publicação, clicando nos botões abaixo:

Sobre Redação

Portal Direto Noticias - Imparcial, Transparente e Direto | https://diretonoticias.com.br | Notícias de Guarapari, ES e Brasil. Ative as notificações ao entrar e torne-se um seguidor. Caso prefira receber notícias por email, inscreva-se em nossa Newsletter, ou em nossas redes:

Veja Também

Controverso: IBS e CBS Dividem Empresários na Reforma Tributária

O calendário fiscal brasileiro ganhou um novo marco nesta segunda-feira. Empresas tributadas pelo Lucro Real …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *