IBC-Br Supera Expectativas Negativas e Expõe Desaceleração Real do Brasil

IBC-Br Supera Expectativas Negativas e Expõe Desaceleração Real do Brasil

O cenário econômico brasileiro entra em nova semana sob pressão dupla: dados internos confirmam perda de fôlego da atividade, enquanto o encerramento do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã adiciona incerteza geopolítica aos mercados globais. Dessa forma, investidores enfrentam um ambiente onde riscos domésticos e externos se somam simultaneamente.

O Ibovespa acumulou queda de 3,23% na semana passada, completando nove sessões consecutivas no vermelho — o pior desempenho semanal desde maio. Por outro lado, o dólar avançou 2,67% no período, voltando a superar a marca de R$ 5,20, pressionado pela saída líquida de R$ 13,6 bilhões de estrangeiros da bolsa brasileira somente em agosto.

IBC-Br recua e sinaliza fim do fôlego econômico

O indicador de atividade econômica do Banco Central, o IBC-Br, registrou queda de 0,6% em junho na comparação mensal, resultado ligeiramente pior do que a projeção de recuo de 0,5%. Certamente, a leitura reforça a percepção de que a economia brasileira perdeu dinamismo ao final do segundo trimestre, em linha com indicadores de indústria, comércio e serviços já divulgados anteriormente.

Além disso, os sinais de fragilidade financeira continuam se acumulando. A inadimplência empresarial atingiu 9,1 milhões de CNPJs em junho, com R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso — ambos em níveis recordes. O déficit primário consolidado chegou a R$ 157,2 bilhões no acumulado do ano, equivalente a 1,19% do PIB, enquanto a dívida pública permanece acima de 80%.

Oriente Médio volta a pressionar petróleo e mercados

No front geopolítico, o cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã chegou ao fim sem perspectiva de renovação. Consequentemente, o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz permanece severamente restrito, sustentando a alta do Brent e do WTI. Em paralelo, ataques israelenses no Líbano deixaram 11 mortos, incluindo um comandante do Hezbollah, no episódio mais letal desde junho.

Nesse sentido, os mercados globais operam sem direção clara. As bolsas asiáticas avançaram — Nikkei, Shanghai e Hang Seng em alta — apoiadas pela menor expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos, mesmo diante de dados econômicos mais fracos na região.

Wall Street cautelosa apesar dos lucros robustos

Nos Estados Unidos, o S&P 500 encerrou a semana pela terceira vez consecutiva em alta, embora com recuo de 0,2% em relação à máxima histórica. De fato, os lucros das empresas do índice caminham para expansão superior a 31% no segundo trimestre, mas a projeção média para o fim do ano gira em torno de 7.900 pontos — alta modesta de apenas 1,5%.

Por outro lado, as vendas no varejo americano recuaram 0,6% em julho, bem abaixo da expectativa de alta de 0,1%, registrando a primeira queda em nove meses. Ou seja, o consumidor americano começa a mostrar sinais concretos de esgotamento, aumentando a probabilidade de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro. Assim sendo, a ata do Fed, prevista para esta semana, deve concentrar as atenções dos investidores globais.

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