
O Oceano Pacífico Equatorial atingiu uma Marca recorde de calor antes mesmo de o El Niño chegar ao seu pico. O monitoramento do Climate Reanalyzer registrou, em 20 de setembro, uma anomalia de +3,04°C na faixa Niño 3.4 — o maior valor diário já documentado nessa região. O número supera inclusive o observado no pico do fenômeno em 2015, considerado um dos mais intensos da história.
A faixa Niño 3.4 é uma das principais referências para acompanhar a evolução do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. O relatório semanal da NOAA aponta que a anomalia média da última semana ficou em 2,1°C. Embora os registros diários já ultrapassem 3°C, a média mensal é o indicador utilizado para classificar a intensidade do fenômeno.
Marca recorde de calor ainda antes do pico previsto
O coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, Marengo, explica que a média mensal de setembro está em 2,1°C. Pela escala oficial da NOAA, anomalias acima de 2°C classificam o evento como muito forte. “Não existem Super El Niño, Mega El Niño, Godzilla El Niño, esses são nomes que a imprensa usa. A classificação da NOAA vai de fraco, moderado, forte e muito forte, e, até o momento, podemos considerar muito forte”, afirma Marengo.
Apesar disso, o fenômeno ainda não chegou ao seu momento mais crítico. Os climatologistas estimam que o pico ocorra entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Em 2015, o pico aconteceu em 19 de novembro, com anomalia de +3,02°C. Marengo prevê que a média mensal pode chegar próxima de 2,6°C ou 2,8°C nos meses seguintes.
Aquecimento avança sem sinal de reversão
A análise da NOAA, publicada em 10 de setembro, apontava 75% de chance de o El Niño de 2026 ser o mais intenso desde 1950. Conforme Marengo, não há indicação de arrefecimento no horizonte: “As águas mais quentes estão avançando e não aparece sinal algum de água fria, talvez só a partir de março de 2027”.
No Brasil, o fenômeno historicamente eleva as chuvas no Sul e reduz as precipitações no Norte e no Nordeste. O Sudeste e o Centro-Oeste tendem a registrar maior irregularidade nas chuvas, além de ondas de calor mais frequentes. Por outro lado, os especialistas reforçam que o aquecimento global amplifica os efeitos de qualquer evento climático, mesmo os de intensidade moderada.
A combinação entre o El Niño e o aquecimento global eleva a probabilidade de que os próximos meses registrem temperaturas acima da média histórica em diversas regiões do planeta — inclusive antes de o fenômeno atingir seu ponto máximo.
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