FMI alerta para bolha de investimentos em inteligência artificial

investimentos em inteligência artificial
Imagem ilustrativa de banco de imagens. Foto: Rafael Minguet Delgado / Pexels.

O Fundo Monetário Internacional colocou o estouro da bolha de investimentos em inteligência artificial no topo de uma lista de riscos para a economia global. A avaliação veio depois que o Nasdaq 100 — índice das 100 maiores empresas não financeiras da bolsa americana — recuou 5,5% na semana passada, acendendo o alerta entre analistas sobre o futuro do setor.

Apesar da queda, as ações se recuperaram nas negociações de Wall Street na segunda-feira. O Nasdaq 100 ainda vale quase três vezes mais do que no início de 2023, e as chamadas “magnificent seven” — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla — respondem por 35% do índice americano S&P 500, ante 12% uma década atrás.

O FMI identificou três riscos centrais para a economia mundial: o colapso dos investimentos em inteligência artificial, a alta acelerada dos custos de crédito e a ameaça de um grande ataque cibernético.

Gerard Minack, da Minack Advisors, avaliou que os investidores estão superestimando de forma fundamental os retornos que os provedores de IA conseguirão entregar. Embora esteja cada vez mais convicto de que os retornos sobre investimentos em IA vão decepcionar, ele afirmou não ter como prever o momento exato do topo do mercado.

Investimentos em inteligência artificial em reavaliação sem ruptura imediata

Raisah Rasid, estrategista global de mercados do JP Morgan Asset Management, descreveu o movimento recente como uma redefinição de valuations, e não como um questionamento sobre a eficácia da inteligência artificial em si. Para ela, trata-se de uma tendência de transformação estrutural de longo prazo, bem diferente da bolha das empresas de internet dos anos anteriores.

A economista-chefe do NAB, Sally Auld, concordou que o recuo da semana passada parece mais uma pausa dos investidores do que o fim do ciclo. Ela lembrou que toda grande tecnologia — das ferrovias à internet — gerou excesso de capacidade em algum momento. No entanto, alertou para os riscos dos arranjos circulares de financiamento entre empresas do setor: se a demanda por IA não se concretizar, datacenters deixam de ser construídos e chips deixam de ser fabricados.

As empresas americanas chamadas de “hyperscalers” — gigantes de computação em nuvem — investiram US$ 425 bilhões em infraestrutura ligada à IA em 2025 e devem chegar a US$ 800 bilhões neste ano. Na Austrália, economistas estimam US$ 150 bilhões em investimentos em datacenters até 2030. Auld, porém, avaliou que o país não está no epicentro de uma eventual crise do setor.

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Sobre Ary Ribeiro

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