
O Itamaraty publicou nota nesta terça-feira (20) condenando declarações de Javier Milei, presidente da Argentina, que sugeriu a possibilidade de fraude no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras com voto eletrônico, marcado para o domingo (25). O Ministério das Relações Exteriores classificou as manifestações como "inaceitável" interferência externa na democracia brasileira.
No documento, o ministério afirmou que as ofensas de Milei ao Brasil, dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, representam nova tentativa de ingerência no processo eleitoral nacional. Mais cedo, o presidente argentino havia republicado uma postagem crítica a Luiz Inácio Lula da Silva e comentado: “Espero que o último truque sujo de campanha dele não inclua roubar a eleição… Esquerdista ladrão”.
Crise diplomática Brasil Argentina e questionamentos sobre voto eletrônico
Na ocasião, ele chamou Lula de “presidiário” e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.
O Itamaraty convocou o embaixador Júlio Bitelli de Buenos Aires para consultas e pediu explicações ao embaixador argentino Daniel Raimondi, em Brasília. O chanceler argentino Pablo Quirno negou intenção de ruptura, mas Milei continuou chamando Lula de “ladrão” em entrevistas a veículos argentinos.
Diante da reiteração dos ataques, o governo brasileiro rebaixou as relações diplomáticas com o país vizinho e decidiu não enviar Bitelli de volta a Buenos Aires. Raimondi deixou o Brasil dias depois de ser comunicado da decisão. Atualmente, a relação diplomática entre os dois países ocorre apenas em nível de encarregados de negócios, com o ministro-conselheiro Eduardo Uziel respondendo pela representação brasileira na Argentina.
Urnas seguras e decisão exclusiva do povo brasileiro
A nota afirmou que “O sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”. O ministério acrescentou que a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, sem qualquer ingerência externa. Milei já havia declarado publicamente apoio a Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno.
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