Operação Dominó: nove presos no ES e em Minas Gerais

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu nove pessoas ao deflagrar a Operação Dominó em Venda Nova do Imigrante e em mais cinco lugares, numa sexta-feira, dia 29. A ação partiu do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) Serrano e teve como alvo, segundo a corporação, uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas na região. Os nove seguem custodiados no sistema prisional enquanto o juízo define os passos seguintes — ninguém foi condenado nesta etapa.

Como a Operação Dominó em Venda Nova do Imigrante começou

O ponto de partida foi uma prisão isolada. Em 10 de julho, um homem foi preso por tráfico de drogas em Venda Nova do Imigrante, e foi a partir daquele caso que a investigação se abriu. Mais tarde, ela desembocou nos mandados que puseram a operação na rua.

Duas datas do material ficam incompletas: a PCES registra apenas o dia 10 de julho, sem o ano, e a sexta-feira (29) da deflagração, sem o mês. Também não informa se o homem preso em julho está entre os nove desta etapa.

Quem foi preso e em que situação está cada um

A palavra preso cobre situações processuais diferentes, e o release descreve três delas entre as nove pessoas. Separadas, ficam assim:

  • Seis homens — o comunicado grafa 06 — respondiam apenas a mandado de prisão preventiva, sem flagrante. A ordem saiu do Juízo da Vara Única de Venda Nova do Imigrante. A corporação divulga só a faixa etária do conjunto alcançado por mandado, entre 25 e 37 anos, e não informa por qual crime cada ordem foi expedida.
  • Um homem de 33 anos — a única pessoa nas duas condições ao mesmo tempo: preso por mandado e também autuado em flagrante por tráfico de drogas durante as buscas.
  • Um homem de 37 anos — preso apenas em flagrante, por posse irregular de arma de fogo. Não há mandado contra ele no material.
  • Uma mulher de 57 anos — presa apenas em flagrante por tráfico de drogas. É a única mulher entre os nove.

A própria PCES fecha uma das contas: informa que sete pessoas foram presas em razão de mandado preventivo — os seis do primeiro grupo mais o homem de 33 anos. As outras duas prisões, a do homem de 37 e a da mulher de 57, saíram do flagrante durante as buscas. Quem lê rápido soma sete e três e chega a dez; o release evita o erro ao dizer, num parágrafo próprio, que o homem de 33 anos aparece nos dois grupos.

Nove mandados de prisão, sete presos por mandado: a conta que o release não relaciona

Naquela sexta-feira, dia 29, as equipes levaram às ruas nove mandados de prisão e onze mandados de busca e apreensão. Todos saíram do mesmo lugar: o Juízo da Vara Única de Venda Nova do Imigrante. Só que, pelo próprio comunicado, sete pessoas acabaram presas em razão de mandado.

Há, portanto, dois números nove no mesmo material — nove mandados de prisão e nove pessoas presas —, e eles não descrevem a mesma coisa. A coincidência é aritmética, não confirmação: as duas contagens não se sobrepõem, porque duas das nove prisões vieram de flagrante, sem ordem prévia. A PCES não relaciona os dois números e não diz o que houve com os mandados de prisão que não resultaram em prisão naquele dia — se seguem pendentes, se foram cumpridos depois ou se alcançavam pessoas já sob custódia. Os dois totais ficam aqui como a corporação os publicou, sem refazer a conta.

Cinco cidades capixabas e uma localidade em Minas: onde os mandados foram cumpridos

A ação não ficou na região serrana. As ordens judiciais foram cumpridas em cinco cidades do Espírito Santo — Afonso Cláudio, Vitória, Vila Velha, Ibatiba e Venda Nova do Imigrante — e ainda em Espera Feliz, no Estado de Minas Gerais, que a PCES trata como localidade, e não como cidade. Ou seja: a operação atravessou a divisa entre os dois estados. A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) deu apoio.

Vale separar três lugares que um resumo achata num só: onde a investigação nasceu (Venda Nova do Imigrante), de onde saiu a decisão judicial (o Juízo da Vara Única do mesmo município) e onde cada pessoa foi encontrada. Este último dado a corporação não abre: o material não diz quantas prisões ocorreram em cada lugar, nem em qual delas cada flagrante aconteceu.

O que foi apreendido — e o que a PCES não liga a quem

A operação recolheu quatro itens, nas quantidades divulgadas pela corporação:

  • uma espingarda calibre 32;
  • 40 pedras de crack;
  • cinco papelotes de cocaína;
  • 115 gramas de haxixe.

A lista vem em bloco, sem endereço e sem dono. Isso importa na leitura: aproximar a espingarda do homem autuado por posse irregular de arma de fogo, ou as drogas dos dois flagrantes por tráfico, é conclusão de quem lê, não informação da corporação. A PCES não faz essa ligação em momento algum. Também não informa o peso do crack nem o da cocaína — a contagem é em pedras e papelotes —, e nada diz sobre exame que confirme em laboratório a natureza do material apreendido.

Preventiva, flagrante, busca: o que cada palavra significa

  • Mandado de prisão preventiva — ordem escrita de um juízo para prender antes de qualquer julgamento, enquanto a apuração ou o processo corre. Não pressupõe culpa reconhecida e pode ser revogada.
  • Prisão em flagrante — ocorre quando a pessoa é surpreendida durante o crime ou logo depois dele. Não depende de ordem prévia, mas tem de ser comunicada ao juízo, que decide se mantém a prisão, se a converte em preventiva ou se concede liberdade.
  • Mandado de busca e apreensão — autoriza a entrada em endereço determinado para recolher provas e objetos. Foram onze deles, contra nove de prisão: buscar e prender são autorizações distintas, e uma não implica a outra.
  • À disposição da Justiça — a expressão do release para dizer que os nove ficaram sob custódia enquanto o juízo define os passos seguintes. Nenhum deles foi julgado por esta operação.

O que o material da PCES não informa

  • O crime que fundamenta os sete mandados de prisão preventiva. O release declara o objetivo da operação — desarticular organização criminosa voltada ao tráfico de drogas —, mas não diz por qual enquadramento cada ordem foi expedida. Enquadramento penal só aparece nos flagrantes: tráfico de drogas e posse irregular de arma de fogo.
  • O destino dos mandados de prisão que não viraram prisão naquele dia.
  • Se o homem preso em 10 de julho, cuja prisão originou a investigação, está entre os nove.
  • Quantas pessoas seguem investigadas fora desse grupo, e se alguém foi ouvido e liberado.
  • Em quais endereços os onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e quantos deles resultaram em apreensão.
  • Se os presos já têm defesa constituída. Como todo comunicado oficial, o texto traz um lado só, o da corporação — e o silêncio sobre a defesa não significa que não haja versão diferente a ser apresentada.

O nome da operação voltou depois

Este release trata apenas desta etapa e não menciona desdobramento posterior. O nome, porém, reapareceu mais tarde no noticiário de segurança: em episódio distinto e posterior a este, a corporação deflagrou a segunda fase da Operação Dominó. Os fatos daquela etapa são outros, envolvem providências próprias e não estão neste material.

Como denunciar

Informação sobre tráfico de drogas pode ser repassada ao 181, o Disque-Denúncia, que recebe relatos sem identificação de quem liga. Em emergência ou crime em andamento, o número é o 190.

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