Câncer de próstata em cães e gatos: os sinais que pedem consulta — Direto Notícias

Câncer de próstata em cães e gatos: os sinais que pedem consulta

A campanha do Novembro Azul mira os homens, mas o alerta não termina neles: cães e gatos machos também podem desenvolver tumor de próstata. É uma doença rara entre os animais de estimação — e mais frequente em cães do que em gatos —, e justamente por ser rara costuma passar despercebida até que o animal comece a sentir dificuldade para urinar.

A próstata é uma glândula que só existe nos machos e fica no caminho da urina, vizinha ao reto. Isso explica por que os primeiros sinais aparecem em cenas banais do dia a dia: o cachorro que demora no quintal sem resolver, o gato que entra e sai da caixa de areia, o esforço para defecar. Nenhum desses sinais fecha diagnóstico — quem examina, indica exame e define conduta é o médico-veterinário.

Entre humanos, o assunto teve destaque no noticiário em 2025, quando o diagnóstico de câncer de próstata de Biden repercutiu mundo afora. Do lado animal, o mesmo alerta circula muito menos — e a versão veterinária da doença tem regras próprias, a começar pela idade.

A idade pesa mais do que qualquer outro fator

Não há causa única. O que se observa é uma soma de envelhecimento, herança genética e porte do animal.

“O câncer de próstata é mais frequente em cães do que em gatos. Sua incidência cresce com a idade e pode estar relacionada a fatores genéticos do animal”

A avaliação é da médica-veterinária Clarisse Teixeira, especializada em oncologia veterinária.

O corte de idade que ela indica é o dos seis anos em diante: é a partir dessa faixa que a enfermidade aparece com maior frequência em cães. Algumas raças entram na lista de atenção.

“Algumas raças são mais predispostas, como beagle, scottish terrier, poodle, pastor de shetland, doberman, golden retriever, pastor alemão e rottweiler. Além disso, os animais de porte grande são os mais susceptíveis”

A relação é citada por Clarisse Teixeira. Raça e porte, vale entender, não são diagnóstico nem sentença: indicam apenas que aquele animal merece ser olhado com mais atenção nas consultas de rotina.

Os sinais aparecem na hora de urinar e de defecar

Entre os sinais clínicos descritos pela veterinária estão dificuldade ou dor ao urinar, presença de sangue na urina, perda de apetite, emagrecimento, alterações no comportamento, dor abdominal e dificuldade para defecar.

São sinais inespecíficos: cabem em várias outras condições, de infecção urinária a cálculo. Por isso não servem para o tutor concluir nada em casa — servem para marcar consulta. O que ajuda o profissional é receber informação concreta: há quantos dias a rotina mudou, quantas vezes o animal tenta urinar, se sai pouco ou não sai, se houve perda de peso, se o comportamento mudou.

Em fases mais adiantadas, o quadro pode extrapolar a região da próstata.

“Nos estágios mais avançados da doença, devido a presença de metástases, é possível notar também dificuldade de locomoção por comprometimento de estruturas ósseas, desconforto respiratório quando há nódulos metastáticos nos pulmões e quadros neurológicos em caso de metástase cerebral”

A descrição é de Clarisse Teixeira. Metástase é o nome que se dá quando células do tumor se instalam em outro órgão — nos ossos, nos pulmões ou no cérebro, nos exemplos citados por ela —, e é o que explica sinais aparentemente desconexos, como mancar ou cansar ao respirar.

A veterinária ressalta que qualquer mudança nos hábitos urinários, no peso ou no comportamento do animal merece avaliação veterinária imediata.

O diagnóstico combina imagem, urina e biópsia

O diagnóstico é feito pela combinação de exames clínicos e laboratoriais. Entre os citados pela especialista estão a ultrassonografia abdominal total, a radiografia pélvica, a tomografia abdominal, os marcadores moleculares do gene BRAF na urina e a biópsia prostática, para confirmação histopatológica.

Em linguagem simples: as imagens mostram o tamanho e o formato da glândula e o estado das estruturas ao redor; o teste na urina procura uma alteração genética associada a esse tipo de tumor; e a biópsia — a retirada de um fragmento para análise em laboratório — é o que permite identificar o tipo de tumor. Nenhum exame isolado resolve sozinho, e a indicação de cada um cabe ao veterinário que acompanha o caso.

“Esses exames permitem identificar alterações prostáticas em estágios iniciais e aumentam significativamente as chances de sucesso no tratamento”

A ponderação é de Clarisse Teixeira.

Há ainda uma distinção que muda a conversa dentro do consultório: nem todo aumento de próstata é câncer. A hiperplasia prostática benigna (HPB), informa a veterinária, é uma afecção mais comum em cães de meia-idade e não castrados, caracterizada pela hiperplasia das células epiteliais e estromas da próstata.

“O seu desenvolvimento está mais atribuído ao estímulo hormonal do Di-hidrotestosterona (DTH), que é considerado o principal hormônio envolvido no aumento de próstata em cães. Já o câncer prostático, é uma condição maligna e menos frequente, que pode ocorrer em cães castrados e apresenta prognóstico desfavorável”

A explicação é de Clarisse Teixeira. São duas condições diferentes, com origens diferentes — e é para separar uma da outra que os exames existem. Concluir em casa, pelo sintoma, não distingue nada.

Castrar cedo protege de outros tumores, mas não deste

Aqui mora o engano mais comum entre tutores. A castração é apresentada com frequência como escudo contra tudo o que envolve o aparelho reprodutor do macho — e não é.

“A castração precoce é uma medida preventiva e eficaz em tumores testiculares, de bolsa escrotal e da hiperplasia prostática benigna, mas não previne o câncer prostático. Inclusive, mesmo cães e gatos castrados podem ter esse tipo de neoplasia”

A informação é de Clarisse Teixeira. Vale reter a distinção que ela faz: o procedimento age sobre tumores testiculares, de bolsa escrotal e sobre a hiperplasia benigna, e não sobre o câncer de próstata. Um animal castrado continua no grupo que precisa de acompanhamento — e é comum o tutor achar o contrário.

O tratamento depende do estágio, e a decisão é do veterinário

Não existe protocolo único. Conforme cita a especialista, o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapia alvo e/ou imunoterapia, dependendo do tipo e do estágio da doença. Terapia alvo é o nome dado ao tratamento que age sobre uma característica específica das células doentes; imunoterapia, ao que estimula o próprio sistema de defesa do organismo a reagir.

“A terapia alvo e a imunoterapia têm mostrado resultados promissores, especialmente em cães. Todavia, o acompanhamento veterinário é essencial durante todo o processo para garantir o controle dos sintomas e a melhor qualidade de vida possível ao animal”

A avaliação é de Clarisse Teixeira. Ela afirma ainda que o suporte em casa — alimentação adequada, administração correta dos medicamentos e um ambiente tranquilo — também faz parte da recuperação. Medicamentos, quantidades e intervalos são prescrição: só o profissional que examinou o animal pode defini-los, e nenhuma orientação lida na internet substitui essa consulta.

Check-up de rotina é o que existe de prevenção

Como a castração não previne esse tumor, a via de prevenção apontada pela veterinária são os check-ups regulares com um profissional de confiança — consultas periódicas em que o animal mais velho é examinado mesmo sem queixa nenhuma. É nessa rotina que uma alteração pequena tem chance de aparecer antes de virar sintoma em casa.

Sobre o depois do tratamento, a especialista fala em acompanhamento, não em garantia.

“Com os avanços da Medicina Veterinária muitos animais entram em remissão conseguem levar uma vida com boa qualidade após o tratamento. O importante é manter o acompanhamento contínuo e não ignorar sinais que possam indicar recidiva da doença”

A conclusão é de Clarisse Teixeira. Remissão, vale explicar, é o termo usado quando os sinais da doença deixam de ser detectados — o que não encerra o acompanhamento, justamente porque a doença pode voltar, e é isso que a palavra recidiva descreve.

Quem quiser se aprofundar no lado da prevenção encontra o tema detalhado em orientações de veterinária sobre a prevenção do câncer de próstata em cães e gatos. Para o seu animal, porém, a resposta não está em texto nenhum: diagnóstico e conduta são do veterinário que o examina.

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