O principal investigado pelo duplo homicídio de Jairo de Souza Sousa e Gabriel Santos Dias, ocorrido no centro de Sooretama, no Espírito Santo, foi preso no Rio de Janeiro na última terça-feira (28). Ele tinha mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça capixaba e foi localizado por forças de segurança fluminenses durante a Operação Contenção, no Complexo do Alemão.
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia de Polícia de Sooretama, concluiu as investigações sobre o caso. O crime foi registrado em 7 de junho e, segundo a apuração, teve como motivação desavenças entre traficantes da região.
O que a apuração levantou sobre o crime de 7 de junho
De acordo com a Polícia Civil, as duas vítimas estavam dentro de um GM Onix branco quando foram atingidas por disparos de arma de fogo. Jairo morreu no local e Gabriel, socorrido em seguida, não resistiu aos ferimentos.
O homem apontado como um dos principais investigados, conhecido pelo apelido Porquinho, deixou o estado depois do crime e foi para o Rio de Janeiro. A investigação registra que ele já havia sido preso antes pela PCES e pela Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) por tráfico de drogas e homicídio.
Ele estava em regime semiaberto desde 2 de abril, quando evadiu-se do sistema prisional e voltou a atuar no tráfico de entorpecentes
A informação é do delegado Fabrício Lucindo, chefe da 16ª Delegacia Regional de Linhares.
Um mandado expedido no Espírito Santo vale no Rio de Janeiro
Quando a Justiça de um estado determina a prisão de alguém, a ordem não perde efeito na divisa. O mandado vale em todo o território nacional e fica registrado em cadastro consultado pelas polícias de todas as unidades da federação. É por isso que uma abordagem de rotina, uma operação policial ou uma simples checagem de documentos a centenas de quilômetros pode terminar em prisão meses depois do crime.
Na prática, quem realiza a prisão é a força de segurança do lugar onde a pessoa está, e foi o que aconteceu aqui: a captura ocorreu em ação conduzida no Rio de Janeiro, mas a ordem havia saído da Justiça capixaba. Cumprido o mandado, o passo seguinte é a transferência do preso de volta ao estado que expediu a ordem — decisão que cabe à Justiça, não à polícia. Até que ela ocorra, a pessoa permanece sob custódia no estado onde foi presa.
O que a audiência de custódia decide e o que ela não decide
Quem é preso deve ser apresentado a um juiz em curto prazo, normalmente em até 24 horas. Essa apresentação é a audiência de custódia, e ela existe para responder a três perguntas: a prisão foi legal, houve agressão ou maus-tratos na abordagem e a pessoa deve continuar presa enquanto o caso corre.
O que a audiência de custódia não faz é julgar. Ela não analisa as provas do crime, não decide se a pessoa é culpada e não antecipa pena. A decisão pela permanência na prisão significa apenas que a Justiça entendeu haver motivo para manter a custódia naquele momento.
Investigação concluída não é condenação
Concluir a investigação significa que a polícia reuniu o que apurou e encaminhou o resultado à Justiça. É uma etapa do caso, não o seu fim: a partir daí, o órgão de acusação decide se apresenta denúncia, a defesa se manifesta e só então corre o processo que pode levar a uma condenação ou a uma absolvição. Por isso o homem preso no Rio segue como investigado, e não como condenado, pelas mortes em Sooretama.
Situação diferente é a da pena que ele já cumpria antes: conforme a Polícia Civil, ele estava em regime semiaberto e deixou de cumprir as regras desse regime em 2 de abril. São títulos distintos — um decorre de condenação anterior já definida, outro nasce da apuração em andamento. A diferença aparece em episódio independente deste, com outra pessoa e outra investigação, em que um homem foi preso em Vitória como investigado por um duplo homicídio de 2023: ali, a prisão foi preventiva, ou seja, determinada durante a apuração e antes de qualquer julgamento.
Onde levar informação sobre o caso
A Polícia Civil segue com diligências para identificar e responsabilizar outros envolvidos no crime. Quem tiver informação pode acionar o Disque-Denúncia 181, que é anônimo e gratuito e não exige identificação de quem liga. Em situação de emergência, com risco imediato a alguém, o número é o 190.
Nos dois canais, detalhes objetivos aumentam a chance de a informação ser aproveitada: endereço ou ponto de referência, horário, características de veículo e placa, quando houver. Denúncia sem detalhe costuma parar na triagem; denúncia com localização e horário vira diligência.
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