O presidente da Câmara dos Estados Unidos, Mike Johnson, afirmou em entrevista coletiva na sexta-feira (31 de outubro) que não cabe a ele decidir sobre o fim da trava dos 60 votos no Senado americano — mudança que o presidente Donald Trump havia cobrado publicamente na madrugada anterior, em uma postagem no Truth Social, como caminho para encerrar a paralisação do governo federal. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta feita na coletiva e publicada pela Fox News.
Na postagem, segundo a Fox News, Trump exigiu que o Senado se livrasse do filibuster e do patamar de 60 votos, para aprovar por maioria simples o projeto de financiamento federal defendido pelos republicanos — manobra conhecida no vocabulário político americano como opção nuclear. Johnson não aderiu ao pedido nem o rejeitou: disse que a decisão pertence a outra Casa.
“Look, I’ll just say this in general, as I’ve said many times about the filibuster, it’s not my call. I don’t have a say in this. It’s a Senate chamber issue,” disse Johnson. “But the filibuster has traditionally been viewed as a very important safeguard. If the shoe was on the other foot, I don’t think our team would like it.”
A declaração é do presidente da Câmara, Mike Johnson, em coletiva de imprensa. Em tradução livre: a questão não é decisão dele, ele não tem voz nesse ponto e o assunto pertence à outra Casa legislativa. Acrescentou que a trava sempre foi vista como uma salvaguarda muito importante e que, se a situação fosse inversa, ele não acha que o próprio time gostaria da mudança.
O que é uma paralisação do governo federal americano
Nos Estados Unidos, o dinheiro para tocar a máquina pública depende de uma lei de financiamento aprovada pelas duas Casas do Congresso e assinada pelo presidente. Quando o prazo vence sem esse acordo, as repartições ficam sem autorização legal para gastar e entram em paralisação.
Na prática, serviços não essenciais são suspensos, servidores ficam sem receber no dia certo e programas sociais entram em risco de pagamento. Não é um governo que deixou de existir: é um governo sem permissão para pagar. O impasse só termina quando o Congresso aprova a lei — não por decisão isolada do presidente.
A trava dos 60 votos: o que é o filibuster e quem decide mudá-lo
No Senado americano, aprovar um texto por maioria simples não basta para levá-lo a votação. Existe uma etapa anterior, de encerramento do debate, que exige um número maior de apoios: 60 votos. É esse patamar que sustenta o filibuster — o expediente pelo qual a minoria segura um projeto que não conseguiu barrar no voto.
A chamada opção nuclear consiste em derrubar essa exigência por decisão da própria maioria, passando a decidir tudo por maioria simples. O ponto que Johnson levantou é institucional: quem tem poder de mexer nessa regra é o próprio Senado, por seus regimentos internos. A Câmara não vota isso, e a Casa Branca não vota isso. Por isso ele repetiu que a questão não é decisão dele.
O que vale hoje: nada mudou
É importante separar cobrança de decisão. Até a publicação do material de origem não havia votação para derrubar a regra dos 60 votos, não havia orçamento aprovado e a paralisação seguia em curso, entrando no segundo mês. O que existe é uma exigência pública do presidente, uma resposta pública do presidente da Câmara e uma negociação em aberto no Senado, que a Fox News descreveu como mostrando sinais de avanço.
Nos termos em que foi noticiada, a divergência entre os dois republicanos é sobre um instrumento de regimento — não uma ruptura anunciada. Johnson não disse que Trump está errado sobre a paralisação: disse que a ferramenta pedida não está nas mãos dele.
Auxílio alimentar vai parar na Justiça
Enquanto o impasse se arrastava, dois juízes federais determinaram que o governo Trump deve manter em vigor os benefícios do SNAP, informou a Fox News. O programa ajuda famílias de baixa renda a comprar comida, com valor creditado em cartão de uso restrito a alimentos — o item da rede de proteção social americana mais parecido com um auxílio alimentação pago pelo poder público.
A ameaça de suspensão do benefício no mês seguinte gerou reação de beneficiários nas redes sociais. Pelo mesmo boletim, Johnson elevou a pressão sobre o senador democrata Schumer diante do prazo do auxílio alimentar e do vencimento de regras ligadas ao Obamacare.
Os outros itens do mesmo boletim
A matéria de origem é um boletim que reúne manchetes do dia. Além do embate sobre a trava do Senado, ele registrava:
- Estados Unidos e China: Trump e o presidente chinês Xi Jinping se encontraram em Busan, na Coreia do Sul, à margem da cúpula da APEC, e não trataram de Taiwan na conversa.
- Nova York: Andrew Cuomo somou apoios e subiu nas pesquisas na reta final da disputa pela prefeitura.
- Virgínia: Trump e o governador Youngkin fizeram um comício por telefone pela chapa republicana; o endosso presidencial a Winsome Earle-Sears, que disputa o governo estadual com Abigail Spanberger, seguia oficialmente retido.
- Maryland: o juiz Peter Killough, da Suprema Corte estadual e indicado por democratas, virou alvo de críticas por uma decoração de Halloween exposta em sua casa, com mensagens em inglês que equivalem a descanse em paz, liberdade de expressão e aqui jaz a Constituição.
Vale registrar o que essa lista é: uma seleção editorial de um veículo americano de linha conhecida. O enquadramento de cada item, inclusive a leitura de que a exigência de Trump seria uma medida nuclear, pertence à publicação de origem — não é descrição neutra do episódio.
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