A integração entre Uber e iFood começou a funcionar na segunda-feira (17) em Belo Horizonte — e, por enquanto, só lá. Nessa primeira etapa, quem usa o aplicativo de delivery passa a conseguir pedir uma corrida sem sair dele. O caminho inverso, encontrar entregas dentro do aplicativo de mobilidade, foi anunciado como próximo passo, sem data definida.
Antes de qualquer outra informação, a que mais interessa a quem lê de outra cidade: o recurso não está disponível no país inteiro. O teste começou em uma única capital, a expansão divulgada nomeia algumas cidades e um prazo geral, e o material não detalha quando cada município entra.
Onde funciona hoje e o calendário que foi anunciado
Pelo que as empresas informaram, a chegada acontece em três degraus:
- Agora: apenas Belo Horizonte, onde o recurso entrou no ar na segunda-feira (17).
- Dezembro: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador, além de outras capitais que não foram listadas uma a uma.
- Até janeiro de 2026: a promessa é que qualquer usuário do país consiga acessar corrida e delivery no mesmo ambiente.
Duas ressalvas pesam para quem mora fora dessas sete capitais. A primeira é que o prazo de janeiro de 2026 aparece como promessa das empresas, não como cronograma fechado cidade por cidade. A segunda é que nenhuma lista de municípios do interior foi divulgada, e não há informação sobre em que ordem eles entram. Quem está fora das capitais citadas ainda não tem uma data própria.
reunir mais serviços em um só lugar
É assim que Diego Barreto, CEO do iFood, resume a estratégia da parceria.
Assinatura conjunta sai por R$ 21,90 ao mês
Junto da integração vem um pacote único de assinatura. Por R$ 21,90 mensais, o usuário passa a ter os benefícios do Clube iFood e do Uber One ao mesmo tempo. Contratadas separadamente, as duas assinaturas somam R$ 32,80 — a diferença fica em quase R$ 11 por mês.
O que entra no pacote, segundo o que foi divulgado:
- cinco vouchers de R$ 10 para usar em restaurantes;
- frete grátis em mercados e farmácias;
- créditos de 10% em viagens;
- descontos em categorias mais caras de corrida da Uber.
O que muda na prática — e o que o anúncio não explica
Na rotina, a mudança é de caminho, não de serviço: em vez de fechar um aplicativo e abrir o outro, o pedido da corrida nasce dentro da mesma tela onde a comida é pedida. Vale entender, porém, que boa parte das dúvidas de quem vai usar ficou de fora do que foi anunciado.
- Preço da corrida: não foi informado se o valor cobrado pelo caminho novo é igual ao do aplicativo de mobilidade.
- Cadastro: não foi informado se é preciso ter conta ativa nos dois aplicativos nem como as contas se conectam.
- Pagamento: não foi informado qual meio de pagamento vale para a corrida pedida por dentro do delivery.
- Atendimento: não foi informado a qual das duas empresas o usuário deve recorrer se a corrida der problema.
- Assinaturas atuais: não foi informado o que acontece com quem já paga um dos clubes separadamente.
Enquanto esses pontos não são detalhados, a recomendação sensata é conferir o valor apresentado na tela antes de confirmar e guardar o comprovante do pedido.
Por que a união acontece agora
A parceria chega num momento de disputa cara. Com 92% de participação no mercado brasileiro de delivery, segundo levantamento atribuído à Klavi, o iFood passou a ser alvo de rivais com caixa grande. A chinesa Meituan, por meio da Keeta, anunciou investimento de R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos. A 99Food separou R$ 1 bilhão para crescer. E a Rappi colocou R$ 1,4 bilhão na mesa até 2028, além de adotar taxa zero para restaurantes.
Esse último ponto merece tradução: a comissão cobrada de cada restaurante por pedido é uma das principais fontes de receita desse tipo de aplicativo. Zerar a taxa é atacar exatamente essa base — e forçar quem lidera a responder.
A volta da Uber ao delivery, por outro caminho
Não é a primeira investida da Uber no ramo de refeições no país: o Uber Eats foi encerrado em 2022. A diferença agora é o método — em vez de competir de frente com o líder, a empresa entra pela integração tecnológica, aproveitando a base de usuários do outro aplicativo.
O trabalho por trás disso levou 180 dias de desenvolvimento e envolveu mais de 300 engenheiros distribuídos por cinco países, com o objetivo de fazer dois sistemas que eram concorrentes conversarem entre si.
mais agilidade para quem já usa e atrair novos públicos
É o resultado esperado da união, segundo Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil.
O termo superapp, que aparece na apresentação do projeto, descreve um aplicativo único capaz de resolver várias necessidades do dia a dia sem que o usuário precise trocar de tela. Por ora, no Brasil, ele existe em uma cidade e em fase de teste.
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