Quem compra remédio para cão, gato ou animal de criação fora dos canais oficiais de venda corre o risco de levar para casa um produto falsificado — e identificar a fraude no momento da compra é mais difícil do que parece. Uma pesquisa do Radar Vet, realizada pelo Sindan com médicos-veterinários de todo o Brasil, apontou que 64% dos profissionais que atuam no setor não sabem identificar produtos falsificados. O alerta foi divulgado em 29 de novembro de 2025 e é assinado por Gabriela Mura, diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).
O ponto de partida do alerta é o caso das bebidas adulteradas com metanol, que, segundo o texto, causou dezenas de mortes no país. O raciocínio é direto: se bebida destinada ao consumo humano é falsificada, o medicamento veterinário — comprado muitas vezes sem prescrição e fora dos canais oficiais — fica ainda mais exposto.
A comparação com o caso do metanol não é exagero. Em ambos os contextos, a adulteração de substâncias destinadas ao consumo coloca vidas em risco e expõe falhas no controle da procedência.
A avaliação é de Gabriela Mura, diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindan.
O que pode haver dentro de um frasco falsificado
Segundo o alerta, um medicamento veterinário falsificado pode conter substâncias desconhecidas, doses erradas ou simplesmente nenhum princípio ativo. Também pode trazer ingredientes tóxicos, não autorizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para uso em animais.
Em cães e gatos, o material aponta três consequências possíveis: agravamento de doenças já existentes, reações alérgicas e morte. Em animais de produção, o efeito não para no curral: há risco de resíduos químicos em carnes, leite e ovos, ou seja, o problema chega à mesa do consumidor. Fora do circuito da falsificação propriamente dita, o alerta cita ainda produtos contrabandeados e produtos roubados circulando pelos mesmos canais.
Por que a embalagem, sozinha, não prova nada
Este é o ponto que muda a forma de olhar para a compra: o alerta afirma que vendedores não verificados usam embalagens visualmente idênticas às originais. Comparar o rótulo com a lembrança do frasco anterior, portanto, não resolve. Os sinais que o material lista estão fora da embalagem:
- Preço muito abaixo da média — é a isca descrita no texto para atrair tutores e produtores rurais.
- Vendedor não verificado em marketplace ou rede social, sem vínculo com um estabelecimento identificável.
- Ausência de registro do produto no Ministério da Agricultura e Pecuária.
- Venda sem prescrição, fora de qualquer acompanhamento profissional.
O alerta atribui o avanço do problema à popularização das vendas online, que abriu espaço para esses vendedores e, segundo o texto, explora a falta de fiscalização. A falsificação em saúde animal, ressalva o material, não é novidade: é antiga e ganhou força com a internet.
Onde comprar com segurança
A orientação do alerta é comprar apenas em fontes confiáveis e verificar se o produto tem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária — é esse registro que separa o medicamento veterinário regular do que circula sem controle. A prescrição do médico-veterinário aparece no texto como parte do mesmo caminho: é ela que define qual produto e qual dose o animal precisa.
Por isso, é essencial que os veterinários redobrem a atenção aos detalhes e orientem os tutores sobre a importância de adquirir medicamentos apenas de fontes confiáveis e devidamente registradas no MAPA.
A recomendação é de Gabriela Mura, no mesmo alerta.
Se o animal já usou um produto de origem duvidosa
A conduta é do médico-veterinário, não do balcão nem da internet. Quem desconfia do que deu ao animal deve procurar o profissional que acompanha o caso e informar qual produto foi usado, em que dose e onde foi comprado. O material não descreve sinais específicos a observar em casa nem prazo para que apareçam — por isso, aqui, quem responde é a consulta.
O que o alerta não responde
Vale saber o que fica em aberto, para o leitor não sair com uma certeza que o material não dá:
- Não há número de animais atingidos. O texto não informa quantos animais foram afetados por medicamento falsificado no Brasil, nem quem faria essa medição.
- Não há dado de apreensão. O material não traz quantidade de produtos irregulares retirados de circulação nem período de referência.
- Não há canal de denúncia indicado. O texto não informa a quem o tutor deve comunicar uma oferta suspeita.
- Não há passo a passo de conferência. Lacre, lote, validade e número de registro não são detalhados no material como itens a checar.
O que o alerta sustenta com dado próprio é a dificuldade de detecção: os 64% da pesquisa do Radar Vet medem médicos-veterinários, não tutores. Se o profissional treinado tem dificuldade de reconhecer a fraude olhando o produto, a decisão que sobra para quem compra é anterior à embalagem — escolher onde comprar.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

