Pesquisadores do Espírito Santo que forem aprovados no mérito da chamada nacional de bolsas de produtividade do CNPq, mas ficarem de fora por falta de orçamento federal, poderão ser contratados pela Fapes. A fundação assinou um novo acordo de cooperação técnica com o CNPq para bancar 36 bolsas, com implementação a partir de agosto de 2026 e duração de 36 meses. Para concorrer, é preciso estar inscrito na chamada do CNPq, que vai até 20 de janeiro de 2026.
O acordo não abre edital novo: a porta de entrada é a chamada do CNPq
Este é o ponto que muda o que o pesquisador precisa fazer agora. A Fapes não lançou um edital estadual próprio para essas bolsas. O que ela assinou foi a adesão à Chamada CNPq Nº 23/2025, a chamada nacional de bolsas de produtividade em pesquisa e em desenvolvimento tecnológico. Quem não se inscrever nela dentro do prazo não entra na conta estadual.
São duas etapas. Primeiro o CNPq avalia as propostas por mérito. Depois, entre as capixabas aprovadas que a agência federal não conseguir contratar por limite orçamentário, a Fapes assume o pagamento, com dinheiro do Funcitec, o fundo estadual de ciência e tecnologia. Nada está concedido ainda: a lista de contemplados depende do resultado da análise do CNPq, e o pagamento só começa em agosto de 2026.
O que é uma bolsa de produtividade, e por que ela é disputada
Bolsa de produtividade não é bolsa de estudo. Ela não custeia mensalidade nem se destina a aluno: é um valor pago diretamente ao pesquisador já formado e com produção acadêmica consolidada, como reconhecimento do trabalho de pesquisa que ele conduz. A seleção é comparativa — o candidato é avaliado contra os pares da própria área do conhecimento —, e o vínculo aqui é de 36 meses.
São duas modalidades no acordo, ambas no nível C, que é a faixa de entrada do CNPq: a de Produtividade em Pesquisa (PQ) e a de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT). A divisão dos 36 lugares foi detalhada pela Fapes:
A Fapes vai colocar recursos suficientes para contratar 32 bolsistas de produtividade, além de quatro bolsistas de desenvolvimento tecnológico regional por 36 meses. Todos deverão ter sido aprovados pelo mérito pelo CNPq
O detalhamento é de Celso Saibel, diretor técnico-científico da Fapes.
O registro no Lattes vale como chave para outros editais
Quem for contratado pela fundação será identificado no currículo Lattes como Bolsista de Produtividade Fapes/CNPq. O efeito prático vai além do rótulo, segundo Saibel:
Primeiro porque identifica de imediato que o pesquisador tem uma bolsa de produtividade, não importa se ela é paga pela Fapes ou pelo CNPq. E segundo, porque dá acesso ao pesquisador que possui essa bolsa a um conjunto de editais específicos nossos, por exemplo, as chamadas de Apoio a Núcleos Capixabas Emergentes e de Excelência em PD&I, que estão abertas até 19 de dezembro, e que exigem que as propostas de projeto possuam um número mínimo de bolsistas de produtividade em suas equipes.
Atenção ao calendário: as chamadas de Apoio a Núcleos Capixabas Emergentes e de Excelência em PD&I fecham em 19 de dezembro, antes, portanto, do prazo da chamada do CNPq.
Segundo ano seguido, depois de uma alta de 50%
É a segunda vez consecutiva que a fundação banca propostas capixabas aprovadas no edital nacional. A referência é o ciclo anterior:
A Fapes está apoiando pelo segundo ano consecutivo propostas capixabas que tiverem mérito no concorrido Edital de Bolsas de Produtividade do CNPq. Trata-se de uma chamada nacional que valoriza pesquisadores que se destacam entre os seus pares em todas as áreas do conhecimento. Esperamos repetir o resultado extraordinário do ano passado quando tivemos um aumento recorde de 50% no número de pesquisadores capixabas que conquistaram o título de bolsista de produtividade do CNPq
A avaliação é do diretor-geral da Fapes, Rodrigo Varejão. A fundação também espera reflexo na produção científica do Estado e na avaliação dos programas de pós-graduação capixabas, feita pela Capes.
O que ainda não foi informado
O material divulgado sobre o acordo não traz o valor mensal das bolsas de nível C, não detalha os critérios de titulação e de produção exigidos do candidato além da aprovação por mérito no CNPq, e não informa a data em que sai o resultado da análise. O edital da chamada nacional foi disponibilizado pelo CNPq, e é nele que esses itens devem ser conferidos antes da inscrição.
Prazo de inscrição na Chamada CNPq Nº 23/2025: 20 de janeiro de 2026. Início previsto das bolsas bancadas pela Fapes: agosto de 2026. Duração: 36 meses.
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