Feira Petnor reúne 15 mil e amplia agenda científica

A oitava edição da Feira Petnor ocupou o Centro de Convenções de Pernambuco entre 16 e 18 de novembro, com a programação repartida em sete eventos simultâneos e mais de 160 expositores. Pelo balanço divulgado pela organização, passaram pelo complexo mais de 15 mil participantes, entre estudantes, médicos-veterinários, zootecnistas, gestores, empreendedores e representantes da indústria.

Vale registrar de onde vem esse número: ele é informado pela própria organização do evento, e não por medição independente. É assim que funciona a contagem de público na maioria das feiras setoriais brasileiras, e o mesmo vale para os recordes anunciados nesta edição — recorde de inscritos e recorde de trabalhos científicos enviados. São marcas comparadas com as edições anteriores da própria Petnor, não com outros eventos do setor.

Sete eventos no mesmo espaço, e o que cada um trata

O que diferencia a Petnor de uma feira comercial comum é o empilhamento de agendas. Numa feira de negócios tradicional, o expositor monta estande e o visitante circula. Aqui, a circulação divide o mesmo teto com congresso, curso de gestão e competição — e é essa combinação que a organização usa para descrever o evento.

Entre as atividades reunidas nesta edição estiveram o Conevepa, congresso de pequenos animais em sua sétima edição; o Pompé Veti; o Petnor Gestão, voltado à administração de negócios do setor; iniciativas dedicadas a creches e a comportamento animal; e o campeonato de tosa Petnor Groom & Show, em que a avaliação recai sobre a técnica de corte e o manejo do animal durante a prova.

A feira é um local para networking. Aqui acontece o Conevepa, congresso de pequenos animais que já está na sua sétima edição

A afirmação é do organizador do evento, Paulo André Moura. Segundo ele, a lógica é manter num único ambiente atualização clínica, mercado consumidor, inovação e troca de experiências.

O que a programação técnica colocou em discussão

Além dos estandes, a edição sediou debates técnicos sobre neuroftalmologia veterinária — a área que se ocupa dos problemas de visão cuja origem não está no olho em si, mas nas vias nervosas que ligam o olho ao cérebro. É um tema de fronteira entre duas especialidades, e por isso costuma aparecer em congresso, e não na rotina de consultório.

Duas observações para quem lê de fora do setor. Primeira: conteúdo apresentado em congresso é discussão entre profissionais, não orientação de tratamento — qualquer sinal no animal é assunto para consulta com médico-veterinário, e nunca para conduta buscada em cobertura de evento. Segunda: submissão científica, o termo que aparece nos balanços da feira, significa trabalho enviado a uma comissão avaliadora, que decide se ele será apresentado. O volume de submissões mede interesse acadêmico; não mede, por si só, a qualidade do que foi enviado.

Estudantes foram parte do que a feira contou como recorde

A paraibana Francinara Lopes, estudante da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), apresentou presencialmente o seu primeiro trabalho e ficou entre os cinco melhores do congresso. Para ela, a Petnor se distingue por acolher estudantes e visitantes, reunindo pesquisa, prática clínica e mercado no mesmo ambiente.

Helena Monteiro, aluna do sexto período de Medicina Veterinária na UFRPE, ressaltou a variedade de temas e a oportunidade de contato direto com fornecedores, o que considera relevante para a formação. Também da UFRPE, o estudante João Gabriel Dalmais afirmou participar do evento há dois anos e enxergar a feira como espaço permanente de networking e de aproximação com profissionais já estabelecidos.

O que os números descrevem sobre o mercado pet regional

Criada há 12 anos, a Petnor começou como encontro comercial e foi incorporando formação e produção acadêmica ao longo do tempo. A organização informa que o público desta edição veio dos sete estados do Norte e dos nove do Nordeste, além de delegações do Centro-Oeste, do Sul e do Sudeste.

A Feira Petnor é muito importante, onde reunimos pessoas e fortalecemos toda a cadeia pet e veterinária

A avaliação também é de Paulo André Moura. Lida sem o adjetivo, a informação que interessa a quem trabalha no setor é mais simples: existe hoje, fora do eixo Sul e Sudeste, um calendário capaz de sustentar ao mesmo tempo mais de 160 expositores e um congresso científico em sua sétima edição. Isso indica demanda regional por dois produtos distintos — venda para clínicas e pet shops, de um lado; educação continuada, de outro — concentrada nos mesmos três dias.

Próxima edição ainda sem data divulgada

Para quem pretende expor, apresentar trabalho ou apenas visitar, o material disponível sobre a edição encerrada não traz data, local nem prazos da próxima Petnor. Não há, portanto, calendário confirmado de inscrição, de submissão de trabalhos ou de contratação de estande a divulgar neste momento. Quem depende dessas datas para se programar deve acompanhar os canais oficiais do evento, onde as chamadas de trabalho e a abertura de vendas de espaço costumam ser anunciadas com meses de antecedência.

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