Selic em 15%: o que a taxa muda no crédito, diz Marcos Pereira — Direto Notícias

Selic em 15%: o que a taxa muda no crédito, diz Marcos Pereira

O deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, afirmou que a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano pesa sobre o orçamento das famílias e das empresas e projeta dificuldades para 2026. A declaração foi dada em Brasília (DF), durante participação no quadro Fala Brasília, do Balanço Geral da Record Interior SP, e divulgada em 19 de dezembro de 2025 pela Agência Republicana de Comunicação (ARCO), o serviço de comunicação do próprio partido.

Registrar a origem importa para quem lê. Trata-se do pronunciamento de um dirigente partidário, reproduzido por canal do partido que ele preside. Os números, as críticas e as conclusões a seguir são os apresentados por ele, e estão identificados como tais ao longo do texto. O que vem depois de cada fala é o que dá para explicar sobre o funcionamento da taxa, independentemente de quem a comenta.

O que é a Selic e quem decide o tamanho dela

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela não é o juro que aparece na fatura do cartão nem o que o banco cobra num financiamento: é o piso a partir do qual esses preços são formados. Quando a taxa básica sobe, emprestar dinheiro a terceiros passa a competir com uma aplicação de risco baixo que já rende mais, e o crédito ao consumidor precisa render acima disso para valer a pena a quem empresta. É por esse caminho que a decisão chega à prestação.

A definição não é feita por uma pessoa. Cabe ao Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que se reúne periodicamente e anuncia a taxa que vai valer até a reunião seguinte. A decisão citada pelo parlamentar foi tomada na última reunião de 2025, que manteve a Selic em 15% ao ano.

“A Selic é a taxa que orienta todos os juros do país. Quando ela está alta, tudo fica mais caro”

A afirmação é do presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira.

Juro real: por que o número comparado entre países não é 15%

Comparar taxas de juros de países diferentes usando o percentual anunciado leva a conclusões erradas, porque cada economia convive com um ritmo próprio de alta de preços. Por isso a comparação costuma ser feita pelo juro real: o que sobra da taxa depois de descontada a inflação do período. Se os preços sobem bastante, boa parte do juro apenas repõe a perda de poder de compra e o ganho efetivo é menor do que o número cheio sugere. Quanto menor a inflação para uma mesma taxa, maior o juro real.

O material do partido afirma que o Brasil encerra 2025 com o segundo maior juro real do mundo, atrás apenas da Turquia. É preciso ser transparente sobre o que falta nesse dado: o texto não informa quem fez o cálculo, qual base de dados foi usada, quantos países entraram na comparação nem qual medida de inflação serviu de referência. Rankings de juro real variam conforme essas escolhas. Sem o método, o número deve ser lido como a informação apresentada pelo parlamentar, não como resultado verificado.

Onde a taxa alta aparece na conta de casa e da empresa

Segundo Marcos Pereira, o efeito é sentido em frentes diferentes do orçamento doméstico:

  • financiamento de imóvel;
  • compra de veículo;
  • uso do cartão de crédito;
  • contratação de empréstimo pessoal.

Ele acrescenta que o encarecimento do crédito acaba se refletindo nos preços dos alimentos, do transporte e das despesas básicas — a cadeia produtiva também toma dinheiro emprestado para comprar estoque, pagar fornecedor e manter o caixa girando, e esse custo entra na formação do preço final.

Vale entender que o repasse não é imediato nem uniforme. Contratos já assinados com taxa fixa não mudam quando a Selic muda; contratos novos, sim. E linhas diferentes reagem em graus diferentes: prazo mais longo, ausência de garantia e risco maior de inadimplência ampliam a distância entre a taxa básica e a taxa cobrada na ponta. É por isso que o percentual do cartão e o de um financiamento com o próprio imóvel em garantia nunca são parecidos, mesmo com a Selic igual para os dois.

A autonomia do Banco Central e o projeto aprovado em 2021

Na avaliação do parlamentar, a decisão do Copom está ligada ao cenário de incerteza econômica. Ele criticou o aumento de impostos e o crescimento dos gastos públicos acima da arrecadação, e apontou esses fatores como sinais de má gestão fiscal. Essa é uma leitura política, de um presidente de partido, e não uma conclusão técnica sobre a causa da taxa: o material não traz estudo, dado orçamentário ou fonte independente que sustente a relação.

“O Banco Central não pode agir para agradar governo nenhum. Suas decisões precisam ser técnicas”

A avaliação é de Marcos Pereira, que citou nesse contexto a aprovação do projeto que deu autonomia ao Banco Central, em 2021, pelo Congresso Nacional. O texto foi relatado pelo deputado federal licenciado Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), e o material do partido registra que a medida contou com o voto do presidente da legenda.

Na prática, autonomia quer dizer que a definição da taxa fica com o colegiado técnico e não pode ser revertida por ordem direta do governo do momento. É esse desenho que o parlamentar defende:

“Essa independência evita crises maiores e decisões irresponsáveis”

A afirmação também é de Marcos Pereira.

O argumento final: explicar economia em linguagem simples

O último ponto levantado pelo deputado foi a distância entre sentir o efeito e entender o mecanismo. Para ele, muitos brasileiros percebem a inflação e os juros altos no dia a dia, mas não compreendem as razões por trás do aumento do custo de vida.

“Entender o que está acontecendo ajuda as pessoas a se organizarem melhor e enfrentarem momentos de aperto com mais preparo”

A conclusão é do presidente nacional do Republicanos.

O que este material não responde

Três lacunas ficam de pé e o leitor deve saber delas antes de tirar conclusões:

  • Autoria e método do ranking. A posição do Brasil em juro real aparece sem cálculo, sem base de dados e sem lista de países comparados.
  • Causa da taxa. A ligação entre política fiscal e nível da Selic é apresentada como avaliação do parlamentar, sem estudo que a comprove. Atribuir a taxa a uma gestão específica é juízo político, e aqui ele tem dono explícito.
  • Contraditório. O material vem de canal de um partido e não traz resposta de quem é criticado nem análise de fora da legenda.

Nada do que está acima é orientação sobre tomar crédito, poupar ou investir. São o funcionamento da taxa, o que foi dito, por quem, em que condição — e o que o material deixou em aberto.

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