Estudante capixaba de Vitória embarca para conhecer a Nasa — Direto Notícias

Estudante capixaba de Vitória embarca para conhecer a Nasa

A estudante Bárbara Rezende Martinelli, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Irmã Maria Horta, em Vitória, embarcou na quinta-feira (18) para os Estados Unidos, onde vai conhecer as instalações da Agência Espacial Americana (Nasa). Ela viaja acompanhada do professor Luiz Gustavo Gomes, que orienta seu trabalho na escola. A ida é desdobramento de um experimento científico assinado pela estudante capixaba e lançado ao espaço em uma missão internacional realizada em agosto deste ano.

Não se trata de uma turma de estudos no exterior nem de um grupo de intercâmbio: embarcaram duas pessoas, a estudante e o professor que a orienta, para uma visita técnica às instalações da agência espacial. A viagem é consequência direta do projeto, e não de um edital de seleção coletiva.

O experimento: sementes enviadas à estratosfera por balão

O trabalho de Bárbara foi aprovado e integrado à missão STEM – Experiment on NASA Flight RB-10, que levou sementes até a estratosfera usando balões atmosféricos de grande altitude. A pergunta da pesquisa é objetiva: o que a radiação solar faz com a germinação e com o crescimento das plantas.

Vale entender por que a altitude importa. Perto do solo, a atmosfera funciona como um filtro e retém boa parte da radiação mais agressiva que vem do Sol. Conforme o balão sobe, esse filtro vai ficando para trás e o material embarcado fica exposto a uma dose muito maior de radiação do que receberia em terra. Por isso a comparação é a parte central do estudo: um lote de sementes viaja e outro, idêntico, permanece na Terra como grupo de controle. A diferença entre os dois grupos, depois do plantio, é o que responde à pergunta.

O tema tem aplicação prática além da curiosidade. Entender como a radiação afeta sementes é um dos passos para saber o que seria viável cultivar em ambientes de exposição extrema — e também ajuda a entender o comportamento de culturas agrícolas sob radiação intensa aqui embaixo.

Como ela foi selecionada e quem mais participou

A escolha veio de um processo internacional de seleção. Bárbara representou o Brasil ao lado de outro aluno, do Paraná — ou seja, apenas dois estudantes brasileiros entraram na missão. Ela participou sob orientação do professor Luiz Gustavo Gomes, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Altas Habilidades/Superdotação da unidade escolar.

Esse detalhe explica o caminho percorrido. O atendimento especializado em altas habilidades é um serviço da própria escola pública, feito em horário complementar ao das aulas regulares, voltado a estudantes que demonstram desempenho ou envolvimento muito acima do esperado em alguma área. Na prática, é onde o estudante recebe atividades de aprofundamento, orientação de projeto e encaminhamento para editais e programas externos — que costumam ser publicados em inglês e fora do calendário escolar, e por isso raramente chegam sozinhos até a sala de aula.

O projeto integra uma iniciativa global coordenada por Nicole Haragutchi, estudante norte-americana e fundadora da organização Innovation International, que reúne jovens pesquisadores de vários países.

Repercussão em publicação da agência e palestras no Espírito Santo

Além do lançamento do experimento, o trabalho foi destaque na revista Innovation Insider, publicação oficial da Nasa. Desde então, a estudante tem levado a experiência a outros colegas da Rede Pública Estadual em palestras e encontros realizados em escolas do Espírito Santo.

O que dizem a estudante e o professor

Para o professor Luiz Gustavo Gomes, a visita às instalações da Nasa representa o reconhecimento de um percurso construído com dedicação e incentivo ao protagonismo estudantil.

“A experiência internacional amplia horizontes, fortalece a autoconfiança dos jovens talentos e reforça a importância de identificar e apoiar estudantes com altas habilidades na rede pública”

A avaliação é do docente Luiz Gustavo Gomes, que orienta o atendimento especializado na escola.

“Essa viagem representa a realização de um sonho que começou dentro da sala de aula. Ter a oportunidade de conhecer de perto as instalações da Nasa e entender como a ciência é desenvolvida em um centro de pesquisa desse porte é algo muito significativo para mim. Essa experiência reforça que a educação pública pode nos levar longe e me motiva ainda mais a seguir na área científica”

O relato é da estudante Bárbara Rezende Martinelli.

O que o material divulgado não informa

Três pontos que um leitor interessado costuma perguntar não constam do material divulgado sobre a viagem, e não convém preencher com suposição:

  • Duração da viagem e data de retorno não foram informadas.
  • Quem custeia a ida da estudante e do professor não foi especificado, nem se há patrocínio, recurso público ou apoio da organização internacional que coordena a iniciativa.
  • Não há um edital aberto divulgado junto com esta viagem. A participação de Bárbara veio de um processo internacional de seleção anterior, ligado ao experimento, e não de uma inscrição local.

Para quem quer trilhar caminho parecido, o ponto de partida indicado pela própria trajetória é a escola: procurar o professor responsável pelo Atendimento Educacional Especializado em Altas Habilidades/Superdotação da unidade, ou a equipe pedagógica, para pedir a avaliação e o acompanhamento que abrem acesso a projetos e chamadas internacionais.

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