A Siri, assistente de voz do iPhone, deve passar a funcionar com o Gemini, o sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Google. A mudança está prevista para chegar junto com o iOS 26.4, atualização esperada para março ou abril, e une duas empresas que disputaram o mesmo terreno digital por décadas. O acordo foi apresentado como confirmado pela Apple; do lado do Google, o relato não reproduz nenhuma manifestação sobre os termos.
Segundo a Apple, depois de uma avaliação profunda, o Google ofereceu “a base mais capaz” para os Apple Foundation Models — nome do conjunto de modelos de inteligência artificial da própria fabricante do iPhone. É a única declaração atribuída diretamente a uma das duas companhias em todo o material que descreve a negociação.
O que muda para quem tem iPhone, e quando
A promessa é de uma assistente capaz de entender o contexto da conversa, ler o que está na tela e executar tarefas mais longas conectando vários aplicativos em sequência. Na prática, é a diferença entre responder a um comando de cada vez e encadear etapas: em vez de abrir o app, procurar a informação e depois voltar para outro programa, o sistema tenta cumprir o pedido inteiro sozinho.
A chegada é por atualização de software, não por lançamento de aparelho — o iOS 26.4 é a versão apontada como estreia. Vale registrar o que não foi informado, para não criar expectativa errada:
- a data exata de liberação (o material fala apenas em março ou abril);
- quais modelos de iPhone poderão receber a nova assistente;
- se todos os recursos chegarão em português e em todos os países ao mesmo tempo;
- se haverá qualquer cobrança adicional pelo uso.
Nenhum desses pontos aparece no material. Prazos de estreia de sistema operacional também costumam mudar até a liberação final, e a própria empresa já adiou a reformulação da assistente uma vez.
A cifra de US$ 1 bilhão por ano e quem a informou
O valor que circula é de cerca de US$ 1 bilhão anuais pagos pela Apple para acessar a tecnologia do Google. Esse número merece uma ressalva: ele aparece na descrição do acordo sem origem identificada. Não há documento, balanço, contrato ou porta-voz citado ao lado da cifra, e nenhuma das duas empresas é apontada como tendo divulgado os termos financeiros. O mesmo vale para o prazo de negociação, descrito como iniciado em 2024, depois de a companhia de Cupertino avaliar concorrentes como OpenAI e Anthropic.
Contratos desse porte entre grandes empresas e desenvolvedoras de inteligência artificial deixaram de ser exceção: o acerto entre Disney e OpenAI girou em torno do mesmo patamar de US$ 1 bilhão. O padrão que se repete é o de quem prefere pagar pelo acesso a uma tecnologia pronta em vez de esperar a própria ficar madura.
Um modelo oito vezes maior que o atual
A versão do Gemini customizada para a assistente teria 1,2 trilhão de parâmetros, quase oito vezes o tamanho do modelo hoje usado pela Apple, de 150 bilhões. Parâmetro, aqui, é cada um dos ajustes internos que o sistema usa para relacionar palavras, imagens e contextos. Modelos maiores costumam lidar melhor com pedidos longos e ambíguos, mas o número sozinho não garante resposta correta — e cobra mais capacidade de processamento, o que ajuda a explicar por que o acesso é pago.
A reação do mercado veio no mesmo dia: as ações da Alphabet, controladora do Google, subiram até 1,7%, levando a empresa a ultrapassar a marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado e a assumir o posto de segunda companhia mais valiosa do mundo, à frente da própria Apple e atrás apenas da Nvidia.
Onde os dados serão processados
É o ponto que mais interessa a quem usa o aparelho todos os dias, e sobre ele o material traz uma informação concreta: o Gemini rodará exclusivamente na infraestrutura Private Cloud Compute, da própria Apple. Nenhum dado seria compartilhado com o Google ou usado para treinar modelos externos. Na divisão de tarefas descrita, o Gemini assume resumo, planejamento e orquestração de tarefas, enquanto partes da experiência continuam em modelos proprietários da Apple.
Fica de fora da descrição, e vale saber que não foi informado: quanto tempo os pedidos enviados à assistente ficam armazenados, quais funções continuam sendo processadas dentro do próprio aparelho sem sair para a nuvem, e se haverá algum tipo de verificação independente do que foi prometido. A ausência dessas informações não indica problema — apenas não foram divulgadas até aqui.
Por que a Apple recorreu a uma rival
A reformulação da assistente acumulava um ano de atraso. A empresa havia prometido uma Siri realmente inteligente para 2025 e admitiu depois que a complexidade da inteligência artificial avançada exigia mais tempo. Antes de fechar com o Google, avaliou alternativas no mercado.
O acordo não encerra o projeto interno: a Apple segue desenvolvendo um modelo próprio de trilhões de parâmetros e, no longo prazo, pretende internalizar a tecnologia. Enquanto isso não acontece, a assistente do iPhone dependerá do sistema de uma concorrente direta — um arranjo que, pelo que foi divulgado, tem prazo indefinido.
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