Mentalidade digital não tem data de nascimento

Apple escolhe o Gemini do Google para reinventar a Siri. A rivalidade virou aliança.

A Apple acaba de confirmar um movimento que redesenha o mapa da inteligência artificial: os modelos Gemini, do Google, vão impulsionar a próxima geração da Siri. Uma parceria histórica entre duas rivais que, por décadas, competiram pelo controle da experiência digital.

O motivo é simples: na corrida da IA, quem não tem a melhor tecnologia, se conecta a quem tem.

Segundo a Apple, após uma avaliação profunda, o Google ofereceu “a base mais capaz” para os Apple Foundation Models — abrindo caminho para experiências mais inteligentes, contextuais e úteis para os usuários.

O mercado reagiu na hora. As ações da Alphabet subiram até 1,7%, empurrando a empresa para além da marca de US$ 4 trilhões em valor de mercado e colocando o Google à frente da Apple como a segunda companhia mais valiosa do mundo, atrás apenas da Nvidia.

Um acordo bilionário — e inevitável

A aliança vinha sendo costurada desde 2024. Pelo acordo, a Apple deve pagar cerca de US$ 1 bilhão por ano para acessar a tecnologia do Google. Em troca, vai integrar uma versão customizada do Gemini com 1,2 trilhão de parâmetros — quase oito vezes maior do que o modelo atual usado pela Apple, de 150 bilhões.

O movimento também resolve um problema estratégico. A reformulação da Siri atrasou um ano. A Apple prometia uma assistente realmente inteligente para 2025, mas admitiu que a complexidade da IA avançada exigia mais tempo. Antes de fechar com o Google, a empresa avaliou alternativas como OpenAI e Anthropic.

No fim, venceu quem entregava mais capacidade técnica — e melhores condições econômicas.

O que muda na prática

A nova Siri deve chegar com o iOS 26.4, entre março e abril. A promessa é ambiciosa: compreensão contextual real, leitura do que está na tela e execução de tarefas complexas, conectando múltiplos apps em fluxos contínuos.

É a Siri tentando finalmente entrar na era dos agentes de IA.

Privacidade não é negociável

Mesmo recorrendo a um rival, a Apple manteve seu princípio central. O Gemini rodará exclusivamente na infraestrutura Private Cloud Compute da própria Apple. Nenhum dado será compartilhado com o Google ou usado para treinar modelos externos.

Na arquitetura definida, o Gemini assume funções críticas como resumo, planejamento e orquestração de tarefas — enquanto partes da experiência seguem ancoradas em modelos proprietários da Apple.

O sinal por trás do acordo

Esse acordo é uma vitória estratégica clara para o Google. Mas também é um reconhecimento raro da Apple: a fronteira da inteligência artificial avançou rápido demais para ser conquistada sozinha — mesmo por uma das empresas mais valiosas do planeta.

A Apple segue trabalhando em seu próprio modelo de trilhões de parâmetros e, no longo prazo, quer internalizar toda a tecnologia. Mas o tempo é o ativo mais escasso da IA.

E, neste momento, quem tem a melhor resposta está ditando as regras do jogo.

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