Uma ligação clandestina que retirava 36 mil litros de água tratada por dia da rede pública foi flagrada em um rancho na região de Nova Guarapari, em Guarapari, na quarta-feira (14). O volume desviado equivale ao consumo diário de cerca de 240 pessoas — pouco mais de 150 litros por pessoa. A água não chegava a torneiras: alimentava duas caixas d’água e um lago artificial dentro da propriedade.
A fiscalização foi feita por equipes da Cesan em parceria com a Polícia Militar do Espírito Santo. Toda a instalação irregular foi removida no mesmo dia, e o desvio foi interrompido durante a própria ação. O caseiro que estava no imóvel no momento da abordagem foi encaminhado à delegacia para os procedimentos legais cabíveis. O proprietário do rancho não estava no local; militares e técnicos foram até a residência do responsável, mas ele não foi localizado.
O que é um gato de água e por que ele não aparece na fatura
O que se chama de gato é uma derivação feita na tubulação antes do ponto em que o consumo é medido. A água sai da rede pública normalmente, mas passa por um cano que contorna o hidrômetro — ou por uma ligação que nunca foi cadastrada. Como só é cobrado o que o medidor registra, o volume desviado simplesmente não existe na conta do imóvel.
É por isso que um consumo alto como o desse rancho pode se manter por meses sem chamar atenção pela fatura: não há fatura correspondente. O desvio aparece do outro lado do sistema, como diferença entre o que a companhia coloca na rede e o que consegue medir nos imóveis ligados. Encontrar a origem exige o caminho inverso — comparar setores da rede, medir pressão e vazão e ir a campo abrir o solo onde a conta não fecha. Foi esse tipo de rastreamento que levou as equipes ao rancho.
O que muda para o vizinho que fica sem água
A rede de distribuição trabalha com uma quantidade de água e uma pressão calculadas para atender um número previsto de imóveis. Quando uma ligação clandestina puxa 36 mil litros por dia, essa vazão sai de algum lugar: a pressão cai nos trechos seguintes.
Quem sente primeiro é sempre o mesmo grupo:
- Imóveis em cotas mais altas, morros e ladeiras, onde a água precisa de pressão para subir;
- Casas no fim da linha, no ponto mais distante da rede do bairro;
- Prédios sem bomba, que dependem da pressão da rua para encher a caixa;
- Horários de pico, começo da manhã e fim da tarde, quando o consumo do bairro já está no limite.
Na prática, o morador que fica sem água costuma tratar o problema como falha de abastecimento e abrir reclamação por isso. A causa, nesses casos, não está no sistema: está em um ponto de consumo que ninguém contabilizou. A perda também entra no custo do serviço, que é rateado entre quem paga a conta em dia.
Como denunciar uma ligação clandestina
A denúncia sobre desvio de água pode ser feita pelos canais de atendimento ao cliente da Cesan ou às autoridades policiais locais — em situação em curso, o 190 é o telefone da Polícia Militar. Quem não quer se identificar pode acionar o 181, o Disque-Denúncia, que aceita informação anônima.
Ao registrar, ajuda informar:
- Endereço ou referência do ponto onde a água está sendo retirada;
- O que foi observado: cano aparente, escavação recente na calçada, mangueira ligada à rede, consumo incompatível com o imóvel;
- Horários em que a irregularidade é percebida;
- Se há falta d’água nas casas próximas e desde quando.
Não é preciso ter certeza da irregularidade nem confrontar ninguém: a verificação é da companhia, que faz a conferência técnica antes de qualquer medida. O furto de água é crime previsto em lei, e a apuração de responsabilidade cabe à polícia e à Justiça.
Quinta operação em uma semana em Guarapari
A ação no rancho foi a quinta realizada pela companhia em conjunto com a PM apenas em Guarapari na semana. As fiscalizações foram intensificadas depois de episódios de desvio que sobrecarregaram a rede e afetaram o fornecimento em bairros do município.
Os casos flagrados na cidade são independentes entre si, em endereços e circunstâncias distintas. Em outra fiscalização, em episódio sem relação com este, a companhia flagrou furto de água em um restaurante de Guarapari. Em outra ocorrência, também separada e com responsável diverso, a fiscalização apontou desvio de 100 mil litros em um posto no município.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

