Cachorro desaparecido há seis meses é encontrado em Teresina

O cão Snoopy, desaparecido desde julho de 2025 em Teresina, no Piauí, foi encontrado na madrugada de quarta-feira (28/01) em um terreno baldio da Zona Leste da capital. O reencontro aconteceu depois de mais de seis meses de buscas diárias do responsável pelo animal, o policial penal Marco Antônio, que percorreu ruas, praças e parques da cidade com cartazes pendurados no pescoço.

O cachorro havia se soltado da guia durante um passeio. Dali em diante, a procura virou rotina da família: bairros diferentes a cada dia, sem informação sobre o paradeiro.

Meses de cartaz e caminhada sem nenhuma pista

Marco Antônio caminhou por parques, praças e bairros de Teresina levando a foto do cachorro. Segundo os familiares, a busca seguiu mesmo com o passar dos meses e sem qualquer retorno.

A foto enviada por uma moradora reabriu a busca

A virada veio quando uma moradora da região enviou à família a imagem de um cachorro assustado que vivia em um terreno baldio. De acordo com Luciemy Fernandes, filha de Marco Antônio, as características do animal levantaram a suspeita de que fosse Snoopy.

O resgate, porém, não foi imediato. Depois de meses na rua, o cachorro se escondia na vegetação e só saía em horários específicos para comer, por volta das quatro da manhã e das dezenove horas (4h e 19h). Assustado e desconfiado, fugia sempre que alguém tentava se aproximar.

Por que um cão perdido foge de quem tenta ajudar

O comportamento descrito pela família é o padrão de um animal que passou a viver na rua: alerta permanente, um esconderijo fixo e saídas só nas faixas de menor movimento, quase sempre de madrugada e no fim da tarde. Nesse estado, o cão foge inclusive de quem conhece, porque a reação instintiva vem antes do reconhecimento.

Correr atrás, chamar alto ou tentar agarrar empurra o animal para mais longe, às vezes para uma rua movimentada. Funciona o oposto: parar de avançar, agachar, virar o corpo de lado, não encarar e deixar comida de cheiro forte em um ponto fixo, esperando que ele se aproxime sozinho. Foi o que se viu aqui — Snoopy relaxou ao reconhecer o cheiro e a presença dos responsáveis.

O que fazer nas primeiras horas em que o animal some

As primeiras horas valem mais que as semanas seguintes: o animal ainda está perto do ponto onde se soltou e ainda não fixou esconderijo. Passos práticos:

  • Volte ao ponto exato do sumiço e procure em raio curto antes de ampliar. Cão assustado se enfia no primeiro vão que encontra: mato alto, embaixo de carro, vão de muro.
  • Procure de madrugada e no fim da tarde, com pouco barulho. É quando o animal escondido sai para comer, como Snoopy.
  • Deixe no local objetos com o cheiro de casa — a caminha, o pote de comida, uma roupa usada — com água e ração.
  • Faça um cartaz que sirva para quem não conhece o animal: foto nítida do corpo inteiro, porte, cor, sinal particular, data e local do desaparecimento e dois telefones.
  • Avise quem trabalha na rua: comerciantes, entregadores, agentes de limpeza e porteiros cruzam o mesmo trecho todo dia e enxergam o que o morador não vê.
  • Registre o desaparecimento onde quem encontra vai procurar: grupos de moradores do bairro, páginas locais de animais perdidos, clínicas veterinárias e os canais de proteção animal do município.

Microchip e cadastro atualizado: o que cada um resolve

O microchip é uma cápsula do tamanho de um grão de arroz aplicada sob a pele, em geral entre as escápulas. Vale entender o que ele não é: não é rastreador. Não tem bateria, não emite sinal e não mostra em mapa nenhum onde o animal está. O que ele guarda é um número, que só aparece quando alguém passa um leitor sobre o animal.

O número, sozinho, também não devolve o cachorro: ele precisa estar ligado a um cadastro com o nome e o telefone atuais de quem responde pelo animal. É aí que muita identificação falha — o chip está aplicado, o leitor lê, mas o telefone registrado é o antigo. Atualizar o cadastro a cada troca de número, endereço ou responsável vale tanto quanto aplicar o chip.

A plaquinha presa à coleira resolve o caso mais imediato, porque qualquer pessoa lê sem equipamento. As duas se complementam: a plaquinha some se a coleira sair; o chip continua no lugar.

Onde o passeio costuma falhar

Snoopy desapareceu ao se soltar da guia. Coleira folgada escapa pela cabeça quando o cão recua de susto — um estouro, uma moto, outro animal —, porque o movimento para trás afina o pescoço em relação ao crânio; o peitoral prende no tronco e não sai assim.

O reencontro na madrugada

Depois de receber a foto, a família organizou uma força-tarefa. Segundo Luciemy, Marco Antônio passou a monitorar diariamente os horários em que Snoopy saía do mato. Na madrugada do reencontro, foi até o terreno com a ajuda de um morador e esperou até o cachorro permitir a aproximação.

A família relatou que Marco Antônio chorou ao segurar Snoopy novamente, mais de seis meses depois, e agradeceu a quem ajudou no resgate. Para os familiares, o caso reforça a importância da persistência, da ajuda da comunidade e da atenção a relatos e imagens compartilhadas por moradores.

Fonte: ANDA

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