
Durante meses, analistas duvidaram. As ações pressionadas, margens em queda e um mercado de memória sem perspectiva clara pintavam um cenário sombrio para a gigante sul-coreana. Hoje, esse quadro é apenas história: a Samsung ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, tornando-se a segunda empresa asiática a alcançar esse patamar, ao lado da taiwanesa TSMC.
O catalisador dessa reviravolta tem um único nome: inteligência artificial. A explosão global de data centers criou uma demanda sem precedentes por chips NAND e DRAM — exatamente os produtos que a Samsung fabrica em escala que pouquíssimos concorrentes conseguem igualar. Consequentemente, o mercado respondeu de forma imediata e avassaladora.
Salto histórico que reescreveu recordes na Coreia
Em um único pregão, as ações da Samsung dispararam 14%, acumulando valorização de mais de quatro vezes nos últimos doze meses. Além disso, o índice Kospi, da bolsa sul-coreana, superou os 7.000 pontos pela primeira vez na história, com alta superior a 6%. Nesse mesmo dia, o fluxo líquido estrangeiro para o mercado coreano atingiu US$ 2,1 bilhões.
Por outro lado, os números operacionais confirmam que a valorização não é especulação. A divisão de semicondutores registrou um salto de 48 vezes no lucro no último trimestre, impulsionada por encomendas recordes vindas de infraestruturas dedicadas à IA.
Por que o mercado de memória virou estratégico
Para Dave Mazza, CEO da Roundhill Investments, o marco vai além do simbólico. Segundo ele, o valor reflete a leitura do mercado de que o papel da memória na infraestrutura de IA é estrutural, não cíclico. Ou seja, a demanda não deve recuar com o fim de um ciclo econômico — ela está embutida na própria arquitetura da nova economia digital.
Nesse sentido, a Samsung projeta que 2027 terá um equilíbrio entre oferta e demanda ainda mais apertado que 2026. Analistas compilados pela Bloomberg estimam alta adicional de cerca de 22% nas ações nos próximos doze meses, reforçando o argumento de que há espaço para valorização mesmo após a corrida recente.
Desafios reais contrastam com o otimismo
Certamente, nem tudo é euforia. Em contraste com o boom dos semicondutores, as divisões de celulares e telas enfrentam pressão crescente de custos. Dessa forma, a empresa precisa equilibrar o sucesso em chips com a recuperação de outros segmentos.
Finalmente, há tensão interna: funcionários exigem participação nos lucros recordes e ameaçam uma greve geral de 18 dias. Assim sendo, o desafio da Samsung agora é sustentar o crescimento sem deixar que contradições internas comprometam o momento mais promissor de sua história recente.
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