
Durante anos, a Meta financiou sua expansão quase exclusivamente com recursos próprios. Hoje, esse modelo está sendo deixado para trás. A empresa controladora do Facebook e do Instagram estuda lançar uma oferta pública de ações para captar dezenas de bilhões de dólares destinados à infraestrutura de inteligência artificial, segundo reportagem do Financial Times publicada nesta sexta-feira (5).
Ou seja, a gigante californiana está mudando radicalmente sua estratégia de captação. Executivos da companhia discutem alternativas consideradas “criativas” para levantar capital, em um movimento que ganhou força logo após a Alphabet anunciar uma captação de US$ 84,75 bilhões por meio de oferta ampliada de ações — sinalizando que o setor tech entrou em uma nova fase de corrida por financiamento.
Corrida por data centers redefine o setor de tecnologia
Certamente, o contexto explica a urgência. As grandes empresas de tecnologia disputam posição na construção de novos data centers para atender à explosão de demanda por aplicações de IA. Consequentemente, os mercados de dívida e de ações tornaram-se ferramentas centrais nessa disputa, substituindo a lógica anterior de autofinanciamento.
A Meta, nesse sentido, já havia dado sinais dessa virada. Em outubro, a empresa protocolou sua maior emissão de títulos de dívida da história, com potencial de alcançar US$ 30 bilhões. Além disso, firmou um acordo de financiamento de US$ 27 bilhões com a Blue Owl Capital. Em abril, elevou sua projeção de despesas de capital para 2026, prevendo investimentos entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões ao longo do ano.
Empresa nega decisão e mercado reage com queda
Por outro lado, a Meta trata o assunto com cautela. A empresa não contratou bancos para conduzir a operação e pode optar por não realizá-la. Um porta-voz classificou a reportagem como “mera especulação”, afirmando que a companhia segue comprometida em levantar capital das formas mais flexíveis possíveis para apoiar suas oportunidades em IA.
De fato, o mercado não esperou esclarecimentos para reagir. As ações da Meta despencaram mais de 5% na sessão, chegando a acumular queda de 6,6% em determinado momento do pregão. O movimento reflete a preocupação crescente de investidores com o volume de gastos em IA — pressão que também atinge outros gigantes do setor.
Meta vs Alphabet: desempenho em bolsa diverge
Em contraste com a Alphabet, que acumula valorização superior a 115% nos últimos 12 meses, os papéis da Meta registram queda de 13% no mesmo período. Dessa forma, a corrida por financiamento vai além da tecnologia — ela também é uma disputa por confiança dos investidores.
Finalmente, o que está em jogo não é apenas capital, mas a capacidade de cada empresa de convencer o mercado de que seus bilhões em IA vão, de fato, se transformar em retorno real.
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