Escola de Cariacica cultivou horta com estudantes do AEE

Uma horta escolar em Cariacica ocupou três dias do calendário da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Hunney Everest Piovesan, entre 26 e 28 de novembro de 2024. A atividade recebeu o nome de projeto Semeando Saúde, foi dirigida a estudantes do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e envolveu o cultivo de plantas no pátio da escola e em vasos levados para as casas dos alunos. O projeto foi pontual: começou e terminou nesses três dias, e o material divulgado não informa se haverá continuidade.

Três dias, três professoras e duas disciplinas

A coordenação ficou com as professoras Abia Carvalho, Daniela Vanzeler e Sueli Sampaio, e a proposta juntou conteúdos de Biologia e de Química numa atividade prática. O cultivo foi feito em pequenos espaços, dentro e fora da escola: canteiros no pátio e vasos nas residências dos estudantes. As tarefas, segundo o texto divulgado, foram adaptadas para que todos os participantes conseguissem executá-las.

A Sedu descreve a iniciativa como voltada ao aprendizado inclusivo e sustentável por meio da alimentação saudável. Essa é a descrição do próprio órgão sobre o objetivo da atividade, e não a conclusão de uma avaliação. Não há no material prova, nota, indicador, questionário ou qualquer medição de aprendizagem feita antes e depois dos três dias — o que existe é o registro do que foi feito e a impressão de quem participou.

Horta escolar em Cariacica: quatro técnicas listadas, nenhuma explicada

O objetivo declarado foi ensinar aos estudantes do Atendimento Educacional Especializado quatro técnicas de cultivo:

  • germinação;
  • calagem do solo;
  • adubação;
  • irrigação adequada.

Os quatro termos aparecem no material sem tradução para o leitor leigo. Também não há informação sobre quanto tempo cada etapa levou, como cada uma foi adaptada, quais insumos foram usados — sementes, terra, vasos — nem quem os forneceu. O texto informa ainda que os estudantes acompanharam o crescimento das plantas e trabalharam observação, análise de dados e responsabilidade ambiental, sem detalhar como isso foi registrado.

A sigla AEE também não é explicada. O material não diz quais estudantes são atendidos por esse serviço na escola nem quantos deles participaram do projeto. Por isso, nenhuma condição é atribuída aqui a nenhum aluno: a fonte não declara nada a esse respeito, e o que ela não declara não vira informação.

As avaliações do projeto vêm de quem organizou e de quem participou

Uma das coordenadoras resumiu assim a experiência:

Foi muito gratificante ver a participação ativa dos nossos estudantes. A adaptação das tarefas garantiu a inclusão de todos, e foi emocionante acompanhar o desenvolvimento de habilidades motoras, sensoriais e socioemocionais durante o processo

A avaliação é da professora de Biologia Abia Carvalho. O ganho em habilidades motoras, sensoriais e socioemocionais é, portanto, a leitura de quem esteve à frente da atividade, e não o resultado de uma aferição externa.

Uma estudante que participou da horta também foi ouvida no material:

Participar do projeto de horta foi incrível. Aprendi muito sobre plantas e como cuidar delas, complementando meus estudos de Biologia. Além disso, desenvolvi habilidades de responsabilidade e cuidado com o meio ambiente. Foi uma experiência divertida e enriquecedora!

A fala é de uma estudante da escola. O nome dela não é reproduzido aqui porque o projeto foi dirigido a um público de atendimento educacional específico, e a divulgação não deve permitir associar um aluno identificável a esse atendimento.

Não há no material declaração de família, de direção da escola ou de alguém de fora do projeto. Ausência de crítica em um texto oficial não é sinal de consenso: o relato tem um lado só, o de quem organizou a atividade.

O que o material divulgado não responde

  • quantos estudantes participaram, e de quais turmas;
  • se a horta continuou depois de 28 de novembro ou foi desmontada ao fim dos três dias;
  • se o projeto será repetido em outros anos ou levado a outras escolas;
  • quanto custou e de onde vieram sementes, terra e vasos;
  • quantas horas de aula foram usadas em cada um dos três dias;
  • se alguma avaliação de aprendizagem foi aplicada por causa da atividade.

Não há tampouco canal de contato para quem queira saber mais: o texto original não traz telefone, e-mail nem endereço de página da escola para famílias interessadas em uma próxima edição. Enquanto essas informações não forem divulgadas, o que está confirmado é o registro de uma atividade de três dias, realizada em novembro de 2024, em uma escola estadual de Cariacica.

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