A Secretaria da Educação (Sedu) reuniu na quarta-feira (16) técnicos das Superintendências Regionais de Educação (SRE) para uma formação da Sedu em gestão pedagógica voltada à Rede Pública Estadual de Ensino. A meta declarada é preparar esses profissionais para atuar como formadores regionais — isto é, para repassar depois, nas suas regiões, o que aprenderam no encontro.
O que existe hoje é a formação dos técnicos, e só ela. Foi uma ação pontual, já realizada, batizada de Gestão Pedagógica na Recomposição: Formadores. O material divulgado não anuncia novas turmas, não fixa calendário, não informa carga horária e não diz quantos profissionais participaram. Nenhuma mudança chega automaticamente à sala de aula por causa dela.
O que os técnicos trabalharam no encontro
Segundo a Sedu, a programação misturou teoria e prática e girou em torno da montagem de planos de ação pedagógica ajustados à realidade de cada região. Os temas foram, em resumo, três: a atuação do técnico como agente de mentoria, o manejo dos materiais de formação e o trabalho com sequências didáticas — conjuntos de aulas encadeadas em torno de um mesmo objetivo — para dar suporte ao acompanhamento pedagógico dentro das escolas.
O material não lista quais materiais formativos e quais sequências didáticas foram usados, não informa se ficarão disponíveis para consulta de professores e coordenadores, nem descreve como será feito o acompanhamento nas unidades escolares depois da formação.
A proposta busca garantir que as práticas pedagógicas cheguem às escolas com maior alinhamento e eficácia, respeitando as especificidades de cada território
A avaliação é da gerente do Centro de Formação dos Profissionais da Educação do Espírito Santo (Cefope), Karoliny Mendes.
Recomposição das aprendizagens: o termo que o material usa e não define
A expressão aparece no anúncio como uma política em ampliação e dá nome à própria formação. O material da Sedu, porém, não explica o que é recomposição das aprendizagens. Não diz o que a política prevê, desde quando está em curso, a quais etapas de ensino se aplica, que meta persegue nem que diagnóstico a motivou. Quem lê o anúncio fica sabendo que a rede tem uma política com esse nome, e não o que ela faz.
O mesmo vale para as siglas. A fonte informa que SRE são as Superintendências Regionais de Educação e que Cefope é o Centro de Formação dos Profissionais da Educação do Espírito Santo, mas não diz quantas superintendências existem, quais regiões cada uma cobre nem quais são as atribuições do centro de formação. Também não define o que significa, na prática, o papel de mentoria atribuído ao técnico.
O que a formação da Sedu em gestão pedagógica não informa
- Quantos participaram. Não há número de técnicos nem de superintendências representadas.
- Onde foi. O material não informa o município nem o local do encontro.
- Quanto durou. Não há carga horária nem informação sobre se a formação continua em outros dias.
- O que vem depois. Não há prazo para que os formadores regionais repliquem o conteúdo, nem quantas escolas devem ser alcançadas.
- Quanto custa. Nenhum valor é divulgado.
- Que problema pretende resolver. Nenhum indicador de aprendizagem da rede é apresentado para justificar a ação.
Ao investir na capacitação desses profissionais, a Sedu aposta na construção de uma rede formativa robusta, capaz de estimular a cultura de aprendizagem contínua entre coordenadores pedagógicos, pedagogos e demais educadores
A declaração é de Karoliny Mendes, gerente do Cefope.
Formação realizada não é resultado medido
A gerente do Ensino Médio, Endy Albuquerque, atribuiu o diferencial do encontro à junção entre o domínio técnico e a aplicação em sala, e disse que isso amplia o alcance das ações de recomposição e reforça o trabalho feito nas escolas.
Com isso, o processo formativo contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes da Rede Estadual, assegurando que nenhum fique para trás no percurso educacional.
A frase é da gerente do Ensino Médio, Endy Albuquerque. Vale ler o que ela é: uma expectativa declarada pela própria secretaria, não um resultado aferido. O material não apresenta nenhuma medição de aprendizagem antes e depois da formação, nem se compromete com uma avaliação futura desse efeito.
Como um professor participa das próximas turmas
Este é o ponto em que o anúncio deixa o leitor sem resposta: o material não informa se haverá novas turmas, quem pode se inscrever nem por qual canal. A formação, como divulgada, foi dirigida a técnicos das superintendências regionais, e não há chamamento aberto a professores da rede.
Formações da secretaria com seleção aberta já foram divulgadas antes por edital próprio — foi o caso de quando a Sedu abriu seleção para docentes formadores e conteudistas na Formação em Gestão Educacional por Mentoria 2025, um processo distinto deste encontro e com regras próprias. Quem tem interesse em atuar como formador na rede depende, portanto, de convocação ou de edital publicado pela secretaria; nenhum está anunciado no material desta formação.
Um lado só, e isso não é consenso
Todo o relato da formação vem da própria Sedu: a descrição da programação e as duas vozes ouvidas são de gerentes da estrutura que organizou o encontro. Não há, no material, manifestação de professores, coordenadores pedagógicos, pedagogos ou de entidades que representem os profissionais que serão formados pelos técnicos. A ausência de crítica no anúncio não significa que ela não exista — significa apenas que o material não a ouviu.
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