Dia da Matemática: 4 escolas do ES, uma em Guarapari

Quatro escolas estaduais — uma delas em Guarapari, as outras em Afonso Cláudio, Piúma e Vila Velha — marcaram o Dia Nacional da Matemática, celebrado na terça-feira (06), trocando a aula de sempre por gincana, feira, quiz de perguntas e respostas e jogos africanos e indígenas. Tudo já aconteceu e se encerrou. O material de divulgação é registro do que foi feito naquela semana: não marca nova edição, não fixa prazo e não anuncia etapa seguinte.

Esse quatro é a contagem das unidades descritas, e não o tamanho da participação na rede. A divulgação abre falando em escolas da Rede Estadual de Ensino, no plural aberto, e resume o conjunto num apanhado que vai de gincanas e feiras a jogos de lógica e apresentações culturais — construção que dá amostra, não inventário. Quantas escolas entraram na data, o texto oficial não diz.

O que cada escola fez, sem o rótulo de ação lúdica

A expressão que deu título à divulgação original não descreve nada. Traduzida pelo corpo do texto, atividade por atividade, é isto:

  • EEEFM José Roberto Christo, em Afonso Cláudio — uma Gincana Matemática ocupou uma manhã inteira, com provas de raciocínio lógico e resolução de problemas. Quem avaliou a atividade foi a professora Flavia Bicas Grazziotti Galvani. O dia exato não aparece.
  • EEEFM Professora Filomena Quitiba, em Piúma — a única com período informado: da terça-feira (06) à quinta-feira (08). E a única em que o material deixa claro que a semana foi só a vitrine: os desafios em exposição vinham sendo montados pelos próprios estudantes desde o primeiro trimestre. A escola puxou o assunto para dois lados que a aula de Matemática costuma deixar de fora — a diversidade cultural, por meio de jogos de origem africana e indígena, e as Ciências da Natureza. O professor José Izaias Moreira Scherrer Neto acompanhou o projeto.
  • EEEFM Manoel Rozindo Silva, em Guarapari — os corredores viraram Feira da Matemática. Coube ao Ensino Médio montar as salas temáticas, levar jogos africanos, peças teatrais e desafios de lógica e expor trabalhos sobre onde a matemática aparece em outras áreas do conhecimento.
  • CEEFMTI Galdino Antonio Vieira, em Vila Velha — um quiz reuniu as turmas das 1ª e 2ª séries do Ensino Médio. O formato adotado foi o Torta na Cara, de perguntas e respostas, aplicado a três conteúdos que costumam travar o Ensino Médio: função exponencial, progressão geométrica e notação científica. O professor Eduardo Paulo Subtil da Costa conduziu a ação junto com Jessé Laures e as professoras Amanda Azevedo Rodriguês e Franciele Sabino Dias de Souza.

O Dia Nacional da Matemática não é programa de rede

Vale separar duas coisas que o título original juntava. Quando se lê que escolas da rede promovem alguma coisa, entende-se programa: alguém acima da escola definiu o que fazer, mandou material, reservou verba, marcou o calendário e vai cobrar resultado. Nada disso está no material.

O que há são quatro iniciativas com formatos diferentes, cada uma pensada e executada por professores da própria unidade, e três delas sem sequer uma data em comum. O elo entre as quatro é a efeméride, não uma política. Se houve orientação da rede, material distribuído, recurso repassado ou meta a cumprir, a divulgação não informa — e quem procura por uma linha de ação estadual para o ensino de Matemática não encontra aqui.

Fora da escola, o assunto tem uma porta com regra e calendário próprios: a olimpíada de matemática, que abriu inscrições no começo de 2025 — etapa anterior a esta semana e de natureza distinta, porque ali a escola se inscreve, os estudantes fazem prova e há premiação. Cinco dias depois desta divulgação, o tema voltou à cidade em um projeto interdisciplinar de escola de Guarapari que ligou Matemática e Linguagens, publicação posterior a esta.

Nenhum número de gente

Em toda a divulgação não há um único número de participantes. Os algarismos que aparecem contam outra coisa: a terça-feira (06) em que a data foi celebrada, a quinta-feira (08) em que terminaram as atividades de Piúma, a 3ª série do Ensino Médio de onde saiu uma das falas e as 1ª e 2ª séries que disputaram o quiz de Vila Velha. Nenhum estudante contado, nenhuma turma, nenhuma escola somada.

A distinção importa porque, em balanço de rede, ela muda o tamanho do fato. Contar participações não é contar participantes: a mesma turma que passa por três estações de uma feira entra três vezes na conta e vira três, embora seja uma. Aqui não houve nem uma coisa nem outra — a divulgação descreve o que foi feito e mede o efeito por adjetivo, não por indicador. Não há avaliação de aprendizagem antes e depois, nem comparação com outras turmas, nem qualquer dado que sustente ganho de desempenho.

Duas falas de estudante, nenhum nome

O material oficial identifica pelo nome os dois estudantes que falaram. Este texto não os reproduz. A conta que justifica a omissão é simples: nome completo somado a escola, série e município aponta uma pessoa dentro de uma turma pequena, e esse registro fica indexado por tempo indeterminado, muito depois de a gincana ter sido esquecida. Professores e equipe pedagógica seguem nomeados, porque assinam a iniciativa como profissionais e respondem por ela.

A fala mais concreta do material é de uma estudante que participou da gincana de Afonso Cláudio — e é concreta porque não elogia a atividade, descreve o que mudou:

Sempre tive dificuldade com matemática, mas consegui resolver questões que antes achava impossíveis. Foi legal aprender brincando.

A declaração é de uma estudante da 3ª série do Ensino Médio.

Do lado de quem organizou, a premissa pedagógica do conjunto aparece em uma frase:

Quando o aluno está estimulado pelos jogos, ele tem a oportunidade de aprender de uma maneira mais dinâmica e prazerosa

Quem afirma é o professor Eduardo Paulo Subtil da Costa, responsável pelo quiz de Vila Velha.

As outras três falas divulgadas repetem, com outras palavras, que aprender pode ser divertido. Ficaram de fora inteiras: aparar por dentro de um depoimento produz um resumo que ninguém disse.

Só a voz de quem organizou

Todas as pessoas ouvidas estão dentro das atividades — professores que as conduziram e estudantes que participaram. Não há avaliação de fora, ressalva ou divergência sobre o método. Isso não autoriza concluir que ninguém tenha alguma: autoriza dizer que o material não foi procurar.

O que a divulgação não responde

  • Quantas escolas da rede aderiram à data. O texto abre a lista e não a fecha; as quatro descritas são as que ele escolheu mostrar.
  • Em que dias ocorreram as atividades de Afonso Cláudio, Guarapari e Vila Velha. Só Piúma tem período informado.
  • Quantos estudantes e professores participaram, em qualquer uma das quatro.
  • De onde vem a data. O texto comemora o Dia Nacional da Matemática sem explicar por que ele cai nesse dia nem desde quando existe.
  • Se houve orientação comum, material, formação de professores ou verba por trás das quatro iniciativas.
  • Que resultado de aprendizagem, se algum, as escolas mediram depois.
  • Se as atividades terão nova edição no ano que vem. O material não promete continuidade nem descarta — simplesmente se cala sobre o depois.

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