Estudantes da Rede Pública Estadual do Espírito Santo que aprendem violão dentro da própria escola gravaram duas releituras do violonista capixaba Maurício de Oliveira e sobem ao palco neste sábado (19), às 14 horas, no 30º Festival de Inverno de Domingos Martins. As faixas já estão no Spotify e o concerto marca o centenário de nascimento do músico, celebrado em 2025. Tudo saiu das aulas do programa “Música na Rede”, da Secretaria da Educação (Sedu).
O que os alunos gravaram
O trabalho começou a tomar forma nas aulas do projeto “Orquestra de Violões nas Escolas”. Entre ensaios e aprendizados compartilhados, professores e alunos se organizaram em torno da obra do compositor capixaba. O resultado são duas releituras especiais, “Canção da Paz” e “Ardiloso, disponíveis na plataforma digital de áudios Spotify.
Uma orquestra de violões funciona como qualquer outra orquestra: em vez de um aluno tocar a música inteira sozinho, o grupo se divide em vozes — uns fazem a melodia, outros o acompanhamento e o baixo — e a peça só existe quando todos tocam juntos. É por isso que esse formato é usado em escola: ele permite pôr dezenas de iniciantes tocando repertório de verdade desde cedo, sem exigir anos de aula individual antes do primeiro concerto.
Concerto neste sábado e dois clipes na estreia
A gerente de Currículo da Educação Básica, Aleide Cristina de Camargo, disse que o ponto alto da celebração é a apresentação no 30º Festival de Inverno de Domingos Martins. “Um momento aguardado, não apenas pela emoção das apresentações, mas pelo simbolismo de ver o legado do mestre sendo perpetuado pelas novas gerações”, frisou.
No mesmo dia 19 estreiam também dois clipes oficiais, gravados com os jovens músicos: 100 Anos de Maurício de Oliveira, Canção da Paz e 100 Anos de Maurício de Oliveira, Ardiloso. “As produções audiovisuais estarão disponíveis no site do Programa Música na Rede e prometem emocionar o público ao mostrar, em detalhes, o processo artístico e a dedicação de cada estudante envolvido”, contou.
O festival é a vitrine mais visível do trabalho, mas não é o produto principal dele. Quem não puder ir a Domingos Martins consegue ouvir o mesmo repertório pelo streaming e ver os clipes pelo site do programa — o que, na prática, transforma um ensaio de escola pública em material que fica disponível depois da data.
Como funciona o Música na Rede
O Música na Rede é uma iniciativa da Secretaria da Educação (Sedu) em parceria com a Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). A proposta é ofertar acesso à educação musical por meio do ensino coletivo, contribuindo para o desenvolvimento social e comportamental dos estudantes da Rede Estadual de Ensino do Espírito Santo e apoiando a formação, a difusão e a valorização da música de concerto.
Duas expressões do programa merecem tradução. Ensino coletivo é o método em que o instrumento é ensinado em turma, e não em aula particular: todos começam ao mesmo tempo, aprendem ouvindo o colega e ensaiam em grupo desde a primeira semana. Música de concerto é o repertório escrito para ser tocado em sala de concerto — o mesmo campo em que se encaixa a obra do homenageado.
Por que aula de instrumento na escola pública vira notícia
Aprender um instrumento costuma depender de conservatório, escola de música particular ou projeto social — caminhos que nem toda família alcança. Quando a rede estadual coloca a aula de violão dentro da grade da escola, ela muda quem tem acesso: o aluno não precisa procurar o ensino fora nem pagar por ele.
Há ainda o efeito sobre o repertório. Ao escolher um violonista capixaba como tema do ano, o programa liga o que o estudante toca à música produzida no próprio Espírito Santo. É a diferença entre decorar uma peça qualquer e gravar, com o nome da escola, a obra de um autor do estado no centenário de nascimento dele.
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