Congresso WSAVA no Rio: o que ficou para tutores de cães e gatos

O 50º Congresso da WSAVA (World Small Animal Veterinary Association) e o 44º Congresso Brasileiro da ANCLIVEPA (CBA) foram realizados em conjunto entre 25 e 27 de setembro de 2025, no Riocentro, no Rio de Janeiro (RJ). O encontro reuniu estudantes, especialistas e profissionais de Medicina Veterinária de pequenos animais — a área que atende cães e gatos — e já se encerrou. O que sobra de útil para quem tem animal em casa são os temas que a programação colocou em discussão e uma ação de arrecadação que rendeu 6,8 toneladas de ração a duas ONGs.

Um congresso mundial de cães e gatos sediado no Brasil

A WSAVA é a associação que reúne entidades de medicina veterinária de pequenos animais em nível mundial. Sua 50ª edição foi realizada no Brasil, junto com o 44º congresso da ANCLIVEPA, em três dias de programação científica no Riocentro. Entre os participantes estrangeiros estavam 40 convidados internacionais trazidos pela Vetnil, patrocinadora do evento — médicos-veterinários parceiros e um distribuidor, vindos de diferentes países.

Ceratite herpética felina: o que o tutor consegue observar em casa

Dois dos temas apresentados tratam de olho de gato, queixa frequente em consultório. Nos dias 26 e 27, a MSC. Adriana Lima Teixeira falou sobre Avanços no Manejo da Ceratite Herpética Felina e Lágrima ácida: evidência ou lenda?.

Ceratite é a inflamação da córnea, a parte transparente da frente do olho. A forma herpética está ligada ao herpesvírus felino, infecção muito comum entre gatos, que costuma ser adquirida cedo e pode voltar a se manifestar em momentos de estresse — mudança de casa, chegada de outro animal, cirurgia, adoecimento. O tutor não enxerga o vírus, mas enxerga os sinais: olho semicerrado ou fechado, lacrimejamento persistente, secreção, vermelhidão, o gato coçando o rosto ou evitando a claridade.

É quadro de acompanhamento veterinário, e só. O diagnóstico exige exame do olho, e o tratamento é definido pelo profissional que examina o animal. Não pingue colírio nem aplique pomada por conta própria: medicação de olho escolhida no palpite pode agravar uma lesão de córnea em vez de aliviá-la, e o tempo perdido é justamente o que a córnea não tem.

O segundo título mostra outra coisa útil ao leitor: o formato evidência ou lenda? indica que a própria categoria dedica espaço a revisar crenças difundidas sobre lágrima e mancha ao redor dos olhos. Quando um tema aparece assim num congresso, é sinal de que a resposta popular repetida entre tutores não é consenso técnico — mais um motivo para levar o lacrimejamento constante à consulta em vez de tratá-lo com receita caseira.

O custo psicológico de se formar em veterinária

A programação também tratou da saúde mental de quem exerce a profissão. A psicóloga Dra. Bianca Gresele abordou o tema Silêncios da Formação: O Custo Psicológico da Graduação em Veterinária.

A rotina da área junta jornada longa, contato constante com dor e morte de pacientes, decisões de eutanásia e pressão de tutores em momentos de aflição — e tudo isso começa ainda na graduação, na primeira vez em que o estudante perde um animal sob seus cuidados. O assunto ganhar palestra num congresso mundial indica que a categoria passou a tratá-lo como pauta profissional, e não como fragilidade individual de quem não aguentou.

Simpósio, prêmio e homenagem póstuma

No dia 25 houve um simpósio com cinco palestrantes e sete apresentações ao longo do dia. Na cerimônia de abertura foi anunciada a vencedora da edição 2024 do Prêmio Veterinário do Ano Vetnil Anclivepa Brasil: a médica-veterinária MSC Maria Alessandra Martins Del Barrio, reconhecida pela atuação em Medicina de Felinos. Ela já havia sido homenageada na primeira edição do prêmio, em 2012. A entrega deste ano teve caráter comemorativo dos 30 anos da empresa que patrocina a premiação.

O mesmo momento incluiu homenagem póstuma ao Prof. Dr. Carlos Eduardo Larsson, vencedor da edição de 2017, falecido em 2024. Esposa e filha estiveram presentes para receber o reconhecimento.

6,8 toneladas de ração e o que fazer com essa informação

No dia 26, uma festa realizada no próprio Riocentro cobrou a entrada em ração: cada pessoa que doasse 1 quilo ganhava acesso ao evento. O total arrecadado chegou a 6,8 toneladas, somando o que entrou pela porta e doações complementares de empresas parceiras. A ração foi destinada às ONGs Cão Nosso e Paraíso dos Focinhos. Segundo a empresa responsável pela ação, é o maior volume desde que a iniciativa começou.

Para quem quer repetir o gesto em escala de bairro, vale saber como abrigo e protetor independente funcionam de fato:

  • Pergunte antes o que está faltando. Ração é a doação mais comum, mas nem sempre a mais urgente — material de limpeza, transporte até a clínica e lar temporário costumam faltar mais.
  • Confira a validade e a integridade do pacote. Ração vencida ou de embalagem furada vira prejuízo de descarte para quem recebe.
  • Combine a entrega. Muita instituição não tem sede fixa nem alguém disponível o dia inteiro.
  • Troca de alimento pede tempo. Mudança brusca de ração desarranja o intestino do animal, então doações misturadas rendem menos do que parecem.

O congresso terminou no dia 27 de setembro de 2025. Não há inscrição, sorteio ou campanha de doação em aberto ligada a esta edição — o que fica é a informação técnica que passou por ela.

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