A Escola Superior de Defesa (ESD) completou quatro anos na quarta-feira (1º), em Brasília, em cerimônia que reuniu autoridades civis, militares e representantes do corpo diplomático. A instituição forma quadros para a área de defesa na capital federal e mantém, na mesma unidade, um projeto que atende 260 crianças de escolas públicas no contraturno das aulas.
O Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, participou do evento. Na avaliação dele, a escola contribui para o pensamento estratégico brasileiro e trabalha com uma visão multidisciplinar sobre o futuro do País como nação soberana.
O que é a ESD e por que ela foi criada
A ESD foi criada em 1º de outubro de 2021 pelo Decreto Presidencial 10.806/2021, com o objetivo de expandir na capital federal a atuação da Escola Superior de Guerra. Ou seja, não se trata de uma escola nova em conceito, e sim da presença em Brasília de uma estrutura de ensino de defesa que já existia.
O trabalho segue as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, documento estabelecido em 2008. Esse tipo de documento é o que define as prioridades de longo prazo do setor: o que o país considera ameaça, como pretende se preparar e que capacidades quer desenvolver ao longo de décadas. É dele que saem as orientações que uma escola como a ESD traduz em curso, pesquisa e debate.
Vale entender a diferença em relação à formação militar de carreira. Uma escola desse perfil não prepara quem está entrando nas Forças; ela reúne, num mesmo ambiente, gente de origem militar e gente de fora dela — o ensino de defesa nesse formato busca articulação com a sociedade civil e com o meio acadêmico. Foi essa a lógica apresentada na cerimônia.
Quantos alunos passam pela escola e o que ela oferece
A Comandante e Reitora, Major-Brigadeiro Carla Lyrio Martins, informou que cerca de 500 alunos serão capacitados até o final de 2025. Com esse contingente, a escola chega a dois mil profissionais formados desde a fundação.
Segundo o que foi apresentado no evento, a oferta atual reúne 11 cursos de graduação e um mestrado em Segurança, Desenvolvimento e Defesa — um programa de pós-graduação que exige pesquisa e defesa de trabalho final, e não apenas assistência a aulas.
O que não foi informado sobre o acesso aos cursos
Para quem tem interesse prático na instituição, o material divulgado sobre a cerimônia não responde a perguntas básicas. Não foi informado:
- se há vagas abertas a candidatos civis sem vínculo com as Forças Armadas;
- quando abrem as inscrições e como é o processo seletivo;
- se os cursos são gratuitos ou se há cobrança de mensalidade;
- quais são os pré-requisitos de escolaridade para cada curso;
- se alguma parte da oferta é a distância ou se exige presença em Brasília.
Nenhum desses pontos aparece no que foi divulgado, e este texto não os supõe. Quem pretende estudar na ESD depende, por ora, de informação que a própria instituição precisa publicar.
O núcleo que atende 260 crianças de escolas públicas
A unidade abriga um núcleo do Programa Forças no Esporte (Profesp), que atende 260 crianças de 6 a 15 anos matriculadas na rede pública. As atividades acontecem no contraturno escolar — isto é, no turno em que a criança não tem aula, o intervalo do dia em que, sem alternativa, ela costuma ficar sozinha em casa ou na rua.
Esse é o ponto do balanço com efeito mais direto sobre moradores da região: uma instalação militar cedendo espaço e rotina para atendimento de estudantes da rede pública. Na cerimônia, alunos do programa cantaram Era uma vez, de Kell Smith.
Quem participou da cerimônia
Além do ministro e da reitora, estiveram no evento o Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, e a Secretária-Geral Cinara Wagner Fredo. A cerimônia marcou o quarto aniversário da escola e serviu de balanço de números da instituição.
Foto: Hissac Gomes
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