
A Polícia Civil de São Paulo decretou o ex-vereador Milton Leite como foragido após policiais não o encontrarem em casa. O cumprimento do mandado de prisão ocorreu na quinta-feira, dia 17. A operação, chamada Vectura Corrupta, investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital no poder público e no sistema de transporte coletivo de São Paulo.
Em nota, Milton Leite negou estar foragido: “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.” Uma funcionária relatou aos policiais que ele estava em casa até a tarde de quarta-feira, dia 16. Conforme o relato, ele saiu à noite para um compromisso de campanha. Policiais permaneceram no imóvel para cumprir mandado de busca e apreensão.
O que a investigação aponta sobre Milton Leite?
De acordo com a GloboNews, a investigação indica que decisões estratégicas ligadas a empresas de transporte suspeitas dependiam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. Essas empresas teriam vínculo com o PCC. Investigadores basearam essa conclusão em interceptações envolvendo operadores, bem como em elementos de outras apurações sobre o papel decisório do ex-vereador.
O documento que embasou a operação cita Leite como responsável direto pela operação de algumas empresas. Conforme a investigação, essas empresas estariam sob controle da facção. Declarações de policiais militares prestadas no Tribunal de Justiça Militar apontam que ele seria o dono de fato da Transwolff. O prefeito Ricardo Nunes afirmou, no entanto: “Nenhum risco. Fiz a intervenção em 2024 na Transwolff e [decretei a] caducidade. Essa empresa é administrada pela prefeitura.”
A Vectura Corrupta busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. As cidades abrangidas incluem São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Entre os presos estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e igualmente Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande.
Quais empresas de ônibus estão sob suspeita?
A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo suspeitas de controle direto ou indireto pelo PCC. Entre elas estão Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes. Além disso, parte dessas companhias já havia aparecido em investigações anteriores do Ministério Público de São Paulo.
A operação também investiga a chamada “Sintonia dos Gravatas”, núcleo formado por advogados que, conforme a Polícia Civil, atuaria diretamente em benefício da organização criminosa. A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes conduz a apuração, juntamente com o Gaeco e o Ministério Público de São Paulo.
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