
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, realizou uma série de consultas internas nesta quinta-feira com ministros do STF para discutir os cenários possíveis antes da sessão marcada para a próxima terça-feira. A reunião vai definir se o plenário abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Fachin recebeu ao todo seis ministros no gabinete da Presidência ao longo da tarde.
Entre os ministros que estiveram com Fachin estão Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Nunes Marques e Luiz Fux. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também compareceu à Presidência. Segundo um ministro, Fachin tem “escutado muito e falado pouco”. No fim da noite, Fachin foi ao gabinete de Cármen Lúcia para mais conversas.
Sessão dos ministros do STF sobre Moraes revela alinhamento de votos
A situação é inédita na Corte. Fachin levou ao plenário o relatório da Polícia Federal que apontou 52 mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro endereçadas a Moraes. O movimento intensificou articulações nos bastidores sobre o alinhamento dos votos. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin aparecem como favoráveis a Moraes. André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Há incerteza, no entanto, sobre as posições de Fachin e Cármen Lúcia, que receberam acenos dos dois lados. Dias Toffoli teria indicado a colegas que tende a não participar, pois se declarou suspeito em desdobramentos do caso Master. Apesar disso, há quem defenda que ele pode votar, já que a discussão envolve questões processuais sobre o rito de investigação de um integrante do STF.
Regras do julgamento ainda em debate interno
As regras para a sessão de terça ainda não estão confirmadas. A indicação é de que Moraes não votaria. A ala favorável ao ministro também defende que André Mendonça, relator do caso Master e responsável por solicitar o relatório à Polícia Federal, igualmente não deveria julgar a questão.
Fachin distribuiu aos ministros cópia de todo o material elaborado pela PF sobre a suposta relação entre Moraes e Vorcaro. Vorcaro está preso preventivamente na Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master e uma suposta “rede de monitoramento e influência, com potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da república”. Moraes, o PGR Paulo Gonet, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues e Mendonça têm até o dia 14 para prestar informações sobre o relatório.
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