Onze municípios do Espírito Santo passaram de um ano inteiro sem registro de homicídio doloso. O dado é do levantamento de novembro de 2025 da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e está publicado no Mapa da Paz, painel do Observatório Estadual da Segurança Pública. O maior intervalo é o de Dores do Rio Preto, com 1.295 dias sem uma ocorrência — mais de três anos e meio.
Os onze municípios e quantos dias cada um acumula
A lista completa, do menor para o maior intervalo, segundo os dados de novembro de 2025:
- Muniz Freire — 407 dias
- Apiacá — 413 dias
- Bom Jesus do Norte — 452 dias
- Castelo — 538 dias
- Jerônimo Monteiro — 568 dias
- Rio Novo do Sul — 568 dias
- Laranja da Terra — 658 dias
- Alfredo Chaves — 689 dias
- Vila Pavão — 755 dias
- Iconha — 1.080 dias
- Dores do Rio Preto — 1.295 dias
São onze nomes na relação, o mesmo número informado no levantamento. O corte de um ano corresponde a 365 dias consecutivos, e o menor intervalo da lista, o de Muniz Freire, já o supera em mais de um mês. Nas duas pontas mais altas, Iconha estava, na data da apuração, a poucos dias de completar três anos, e Dores do Rio Preto já havia ultrapassado três anos e meio.
Fora desse grupo, outras sete cidades capixabas estão há pelo menos seis meses sem registro, e outras 23 acumulam intervalos entre 30 e 180 dias sem ocorrência.
Desde quando: o que o levantamento informa e o que não informa
O material divulgado traz o total de dias acumulado por cada município, apurado sobre os dados de novembro de 2025 — e não a data em que cada contagem começou. Ou seja: dá para saber há quantos dias cada cidade está sem registro, mas o levantamento não publica o dia, o mês e o ano do último homicídio doloso de cada uma delas. Quem quiser esse detalhe precisa recorrer ao próprio painel.
A medição é da Sesp, com base nos registros oficiais reunidos no Mapa da Paz. A série histórica usada como referência de comparação começa em 1996, ano em que os registros passaram a ser contabilizados.
O que “homicídio doloso” mede — e o que a contagem não diz
O indicador não cobre toda morte ocorrida no município. Homicídio doloso é a morte provocada por alguém que quis matar ou assumiu o risco de matar. Fica de fora dessa contagem a morte sem intenção de matar, como a que decorre de acidente, classificada de outra forma nas estatísticas.
Vale entender também o que o número em dias representa: é o intervalo desde o registro mais recente, e não um retrato do histórico do município. Um contador alto indica quanto tempo se passou sem nova ocorrência daquele tipo específico — não significa ausência de outros crimes na cidade, que entram em outros indicadores do mesmo painel.
Oito dos onze municípios ficam na Região Sul
Dos onze municípios que passaram de um ano sem ocorrência, oito ficam na Região Sul do Estado. É também a região com a maior queda no ano: redução de 31,6% nos homicídios em 2025, o melhor resultado regional desde 1996. Até novembro, a Região Sul contabilizou 54 casos, contra 79 no mesmo período de 2024.
As demais regiões também registram queda em relação ao ano anterior, em ritmos diferentes: Região Serrana, 28,6%; Noroeste, 15%; Norte, 7,4%; e Região Metropolitana, 1,1% — a menor variação entre todas.
No conjunto do Estado, o acumulado até novembro de 2025 é de 720 homicídios dolosos, o menor desde 1996. Em 2024, o Espírito Santo havia registrado menos de 900 homicídios no ano, marca apontada como inédita desde o início da série histórica.
A leitura do governo do Estado sobre os números
O resultado é atribuído pelo Estado ao Programa Estado Presente em Defesa da Vida, que coordena ações policiais e sociais de prevenção, inteligência, intervenção territorial e redução de fatores de risco. As regiões são monitoradas por delegados da Polícia Civil e por tenentes-coronéis da Polícia Militar, que conduzem as estratégias conforme o mapeamento da criminalidade. Os resultados são acompanhados mensalmente em reuniões com lideranças regionais, secretarias de Estado e outras instituições públicas.
A presença do sistema público de segurança nos municípios é constante, com estratégia e ostensividade. Temos percorrido todas as regiões com encontros de planejamento e avaliação de resultados. Em 2025, registramos queda geral nos homicídios, alcançando o melhor desempenho da série histórica. Todas as regiões apresentaram redução em relação ao ano anterior. É um trabalho contínuo, que segue evoluindo. Agradeço às nossas forças de segurança, que se dedicam diariamente para proteger o cidadão capixaba
A avaliação é do vice-governador Ricardo Ferraço, coordenador do Programa Estado Presente em Defesa da Vida. O governador Renato Casagrande e o vice-governador acompanham os resultados mensalmente.
Este é um trabalho diário e realizado por muitas mãos. Analisamos o cenário das mortes violentas, direcionamos esforços e ajustamos as estratégias sempre que necessário. O compromisso é claro: fazer do Espírito Santo um lugar cada vez mais seguro. E a população tem visto que este esforço gera resultados concretos
A declaração é do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno.
Tanto os números quanto a explicação para eles partem do próprio Estado, que é quem produz e divulga a estatística. O material não traz avaliação de fora do governo sobre as causas apontadas para a queda.
Onde o morador confere os dados da sua cidade
A contagem de dias sem homicídio de cada município capixaba fica no Mapa da Paz, painel mantido no Observatório Estadual da Segurança Pública, onde os dados são publicados e atualizados. É lá que o morador de qualquer uma das cidades citadas — e das que não entraram na lista — consegue verificar a situação do próprio município sem depender de divulgação pontual.
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