A etapa anfíbia da Operação Atlas 2025 reuniu 3.400 militares no litoral entre a Ilha de Marambaia, no Rio de Janeiro, e a praia de Itaoca, no Espírito Santo. Conduzida pela Marinha do Brasil, a fase ocorreu entre 26 de novembro e 5 de dezembro e simulou a conquista de uma praia hostil, com meios navais, aéreos e terrestres atuando de forma integrada.
Para quem vive no litoral capixaba, vale a distinção que o próprio material da operação deixa clara: o que houve em Itaoca foi treinamento planejado, em cenário de guerra simulada, e não um episódio real. Movimentação de tropa, embarcações e blindados em praia aberta é parte do roteiro do exercício, e não sinal de ocorrência na região.
O que a Marinha treinou entre 26 de novembro e 5 de dezembro
A etapa recebeu o nome de Atlas Anfíbia e concentrou-se na travessia do mar para a terra — a chegada à faixa de areia a partir de embarcações, sob a cobertura de outros meios. A área de exercício se estendeu por 2 estados, do Rio de Janeiro ao Espírito Santo, o que permitiu ensaiar deslocamento em distância, e não apenas o desembarque em si.
Segundo o Capitão de Mar e Guerra Aristone Leal Moura, o exercício integrou patrulhamento, vigilância e defesa do litoral. As atividades descritas na etapa reúnem tarefas que costumam ser treinadas separadamente:
- reconhecimento do terreno antes da chegada da tropa;
- progressão terrestre depois do desembarque;
- apoio de artilharia executado ao mesmo tempo que o avanço;
- patrulhamento e vigilância da faixa costeira.
3.400 militares, 1.500 deles fuzileiros navais
Do total de participantes, 1.500 eram fuzileiros navais — quase 1 a cada 2 militares mobilizados na etapa. O emprego somou navios de guerra, helicópteros, drones táticos e blindados anfíbios — os 3 ambientes, mar, ar e terra, operando na mesma janela de tempo.
O equipamento mais visível da etapa foram os Carros Lagarta Anfíbios, que fizeram a transição mar-terra na praia de Itaoca. São veículos que saem da água e seguem em terra sem troca de meio de transporte, por isso a travessia da arrebentação até a areia foi feita sem parada.
Observadores de 8 países acompanharam o exercício
Estiveram presentes observadores militares de Arábia Saudita, Argentina, Camarões, Egito, Espanha, França, Índia e Reino Unido. Além deles, 12 servidores civis brasileiros monitoraram as atividades.
Observador militar acompanha o exercício sem dele participar: assiste às manobras, registra procedimentos e leva o que viu de volta ao seu país. A presença deles não indica participação estrangeira na manobra.
A fase anfíbia encerrou um ciclo iniciado em junho
A Operação Atlas percorreu etapas ao longo do ano, começando pelo planejamento em Brasília e passando por exercícios com fogos reais em Formosa e por operações na Amazônia — entre elas, ações em 4 estados: Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. A etapa anfíbia no litoral fechou esse ciclo.
Vale registrar o que o exercício é e o que ele não é. Trata-se de treinamento das Forças Armadas, com objetivos de instrução e de avaliação de procedimentos. Os resultados de uma operação desse tipo aparecem em relatórios internos e em ajustes de rotina de treinamento, não em mudança imediata para o cidadão que mora no trecho de litoral usado como cenário.
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