O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, esteve nesta quarta-feira (8) no Centro de Operações Conjuntas (COC), em Brasília, a estrutura de onde é comandada a terceira fase da Operação Atlas. A visita ocorreu depois de passagens por Belém e Boa Vista, onde ele acompanhou os exercícios no terreno.
É para o COC que converge o que fazem cerca de 10 mil militares espalhados por quatro estados da Amazônia. A etapa em andamento começou em 2 de outubro e segue até o dia 11, em Amapá, Amazonas, Pará e Roraima.
O que é um centro de operações conjuntas
Exercício conjunto quer dizer que as três Forças atuam ao mesmo tempo, no mesmo espaço e sobre o mesmo objetivo. Cada uma delas, porém, tem cadeia de comando própria, equipamento próprio e um jeito próprio de descrever o que está acontecendo. Se cada uma seguisse apenas o seu comando, um navio, uma aeronave e uma tropa em terra poderiam operar na mesma região sem saber o que a outra está fazendo — e, no limite, disputar o mesmo espaço aéreo ou o mesmo trecho de rio.
O centro de operações conjuntas existe justamente para isso não acontecer. Em vez de três comandos paralelos, um único ponto recebe o relato de cada unidade empenhada, junta tudo num quadro comum e devolve a ordem por uma só via. É esse quadro comum — quem está onde, com o quê, e o que já foi cumprido — que permite decidir sobre o conjunto, e não sobre uma Força de cada vez.
Na prática, o trabalho do centro é menos o de disparar ações e mais o de sustentar as que já estão em curso: acompanhar posição de tropa e de meio, controlar o que foi consumido, redirecionar transporte e apoio quando o plano muda no terreno. Numa operação distribuída por quatro estados, esse acompanhamento é o que impede que uma unidade fique isolada por falta de informação.
Interoperabilidade é o equipamento conseguir conversar
Durante a visita, o Tenente-Brigadeiro Mário Sérgio da Costa apontou que a interoperabilidade entre os equipamentos das três Forças depende diretamente do sistema de comando e controle. O termo é técnico, mas descreve um problema concreto: rádios, sensores e sistemas de dados comprados em épocas diferentes, para finalidades diferentes, nem sempre falam a mesma língua.
Quando não falam, a informação precisa ser convertida ou repassada por voz, o que atrasa e abre espaço para erro. Quando falam, a posição registrada por um meio aparece na tela de outro sem retrabalho. Por isso a interoperabilidade não é um detalhe de equipamento: é ela que define se o quadro montado no centro de comando corresponde ao que de fato está no terreno.
Por que os relatórios chegam por satélite
O Brigadeiro José Roberto de Queiroz Oliveira explicou ao ministro que os relatórios operacionais chegam ao centro por satélite, o que mantém a integração dos dados em canal seguro.
A escolha tem uma razão geográfica. Boa parte da área coberta pela operação não tem rede de comunicação terrestre disponível no ponto exato em que a tropa está — em trecho de rio, em pista isolada, em área de floresta. O enlace por satélite é o que funciona onde não há infraestrutura fixa, e é ele que faz com que uma unidade a milhares de quilômetros de Brasília apareça no mesmo painel que as demais.
O que estava sendo acompanhado a partir do centro
As manobras que o COC coordenava na semana da visita dão a medida do que precisa ser sincronizado.
- Assalto aeroterrestre em Roraima, com salto de paraquedistas a partir de aeronaves C-105 Amazonas. Nesse tipo de ação, a tropa é lançada de paraquedas para ocupar um ponto sem depender de pista preparada nem de estrada — o que exige que a aeronave, a tropa e o apoio em solo estejam sincronizados na mesma janela de tempo.
- Manobras logísticas no Rio Amazonas, executadas pela Marinha com o Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico. Helicópteros UH-12 Esquilo fizeram reabastecimento vertical entre embarcações, com a carga presa em ganchos externos. O método transfere suprimento de um navio a outro sem que nenhum dos dois precise atracar ou interromper o deslocamento.
- Exercícios em Boa Vista, conduzidos pelo Exército, combinando infantaria aeromóvel com força de helicópteros. Aqui a tropa não salta: chega transportada por helicóptero até as proximidades do objetivo, o que encurta o tempo entre a decisão e a chegada ao ponto.
Os três casos têm em comum a dependência de tempo. Paraquedista, navio e helicóptero só se encontram se alguém coordenar horário, rota e combustível — e é essa coordenação que o centro em Brasília concentra.
O que a operação deixa quando termina
Para o Almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire, a Atlas gera uma base de dados considerada essencial para a defesa nacional, e o exercício funciona como instrumento de dissuasão, ao demonstrar capacidade de resposta rápida do país. A avaliação é dos oficiais que apresentaram o centro ao ministro.
Vale entender o que está por trás dos dois termos. A base de dados é o registro do que foi feito: tempos de deslocamento, consumo, falhas de comunicação, o que travou e o que funcionou. Esse registro é o insumo do planejamento seguinte — sem exercício, o planejamento se apoia em estimativa. Já a dissuasão é a lógica de que uma capacidade demonstrada publicamente reduz o incentivo de terceiros a testá-la; é por isso que exercícios desse porte são divulgados em vez de mantidos em sigilo.
A visita ao centro de comando fecha o roteiro do ministro pela fase amazônica da operação. Em setembro, ele já havia acompanhado uma demonstração de emprego de armas combinadas em etapa anterior da mesma operação, quando o acompanhamento foi feito no campo, e não na sala em que os dados se juntam.
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