Operação Atlas reúne nove mil militares em ações na Amazônia

A Operação Atlas, das Forças Armadas, reuniu cerca de nove mil militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica em ações simultâneas por terra, rios, mar e ar na Amazônia. O Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, esteve em Belém na quinta-feira (2) para acompanhar parte do exercício, que, segundo o Ministério da Defesa, também serve de preparação para a estrutura de segurança da COP 30.

O anúncio veio em linguagem de vitrine institucional. Vale separar o que foi de fato informado: efetivo, meios deslocados, datas e etapas previstas.

O que uma operação conjunta faz na prática

Operação conjunta é o exercício em que as três Forças passam a trabalhar sob um mesmo planejamento, em vez de treinar cada uma por conta própria. O objeto do treino é menos o combate em si e mais a parte que costuma travar: mover gente e material, fazer rádios e procedimentos diferentes conversarem entre si e manter tudo abastecido longe da base de origem.

Na Amazônia esse problema fica maior porque a distância é grande e a estrada é rara: boa parte do deslocamento depende do rio e do ar. Por isso o exercício mistura navio, helicóptero e tropa em terra, testando quanto tempo leva para colocar cada peça no lugar.

Pelo que o Ministério da Defesa divulgou, a etapa amazônica foi feita de deslocamento de meios, exercícios táticos e demonstração de técnica. A divulgação não relata ações de fiscalização, apreensões ou atendimento a comunidades, nem apresenta resultado por tipo de ação.

Os números que o Ministério da Defesa divulgou

  • cerca de nove mil militares das três Forças;
  • mil militares transportados por mar do Rio de Janeiro até Belém;
  • aproximadamente 400 toneladas de equipamentos no mesmo transporte;
  • atracação em Belém em 25 de setembro;
  • planejamento integrado em Brasília entre junho e julho;
  • exercícios táticos de armas combinadas em Formosa (GO) em setembro;
  • fase Atlas Anfíbia prevista para novembro e dezembro, no litoral do Espírito Santo.

O navio que levou tropa e carga até Belém

O ministro e a comitiva pousaram de helicóptero no Navio Aeródromo Multipropósito Atlântico, descrito pelo Ministério da Defesa como a maior embarcação militar da América Latina. Foi o NAM que fez o trajeto do Rio de Janeiro a Belém com as 400 toneladas de equipamentos e os mil militares.

Um navio desse tipo funciona como base flutuante: tem convés preparado para operar helicópteros e espaço para transportar tropa e carga ao mesmo tempo. Na prática, dispensa a estrutura de porto e pista que a região nem sempre oferece.

A visita incluiu demonstração da técnica de Fast Rope, em que os militares descem por corda a partir do helicóptero em voo pairado. É o recurso usado para desembarcar tropa onde não há lugar para pousar, situação comum em área de floresta e margem de rio.

Meses de planejamento antes da fase amazônica

Antes de a operação chegar à Amazônia, o planejamento integrado foi feito em Brasília, entre junho e julho. Em setembro, Formosa (GO) sediou exercícios táticos de armas combinadas — o treino em que unidades de tipos diferentes, como infantaria, blindados e artilharia, atuam na mesma ação em vez de manobrar separadamente.

Na divulgação oficial, o General Tomás Paiva elogiou o comando conjunto da operação. O material do órgão não traz a declaração na íntegra.

A fase final está prevista para o litoral capixaba

A etapa chamada Atlas Anfíbia está prevista para novembro e dezembro no litoral do Espírito Santo, com simulação de desembarque marítimo e de projeção de poder costeiro.

Operação anfíbia é o deslocamento de tropa e material do navio para a praia, sem porto. É a manobra mais dependente de mar, vento e maré, e por isso costuma ser treinada em faixa de litoral já conhecida. O Ministério da Defesa não informou em quais pontos do litoral capixaba a fase será realizada, nem se haverá aviso prévio à população das áreas envolvidas.

O que a divulgação não informa

O material oficial descreve etapas e efetivo, mas deixa de fora dados que permitiriam dimensionar a operação:

  • o custo do exercício e a origem dos recursos;
  • a data de início e a duração total, do primeiro ao último dia;
  • quantos militares couberam a cada Força e quantas aeronaves, embarcações e viaturas foram empregadas;
  • em que municípios, além de Belém, houve atividade;
  • o resultado de cada tipo de ação realizada;
  • o que exatamente da estrutura de segurança para a COP 30 vem desta operação.

Fonte: Ministério da Defesa

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