O Espírito Santo encerrou 2025 com 796 homicídios dolosos, o menor patamar desde 1996, ano em que o estado passou a contabilizar oficialmente esse dado. É a primeira vez em 29 anos que o ano fecha com menos de 800 assassinatos. Os números constam do balanço anual de segurança pública divulgado pelo Governo do Estado do Espírito Santo.
Na comparação com 2024 — até então o melhor ano da série histórica —, a queda foi de 6,8%, o equivalente a 58 vidas poupadas no intervalo de doze meses. O balanço também traz dados de feminicídio, de homicídios de mulheres e de crimes contra o patrimônio, além do desempenho por região do estado.
O que o número conta e o que ele não mede
Homicídio doloso é a morte provocada por quem tinha a intenção de matar, ou assumiu o risco de causar a morte. Ficam de fora dessa contagem as mortes no trânsito e as demais mortes sem intenção de matar, que entram em outra classificação. Por isso, o total de 796 não é o total de mortes violentas de qualquer natureza no estado: é o recorte específico desse indicador.
Outro ponto que o balanço não resolve sozinho: os 796 são um número absoluto de ocorrências registradas, e não uma taxa por grupo de habitantes. São medidas diferentes, e cada uma responde a uma pergunta diferente — quantas mortes houve e quantas mortes houve para cada parcela da população. Comparações entre estados costumam usar a segunda; o balanço capixaba divulgou a primeira.
Vale registrar ainda o alcance da série histórica. Para homicídios, a contagem começa em 1996; para feminicídios, o acompanhamento separado só existe desde 2017. Ou seja, quando o balanço diz que um indicador é o menor da série, o ponto de partida da comparação muda conforme o dado. O documento divulgado credita a redução ao conjunto de ações do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, mas não detalha o peso de cada fator isoladamente.
Região Sul tem a maior queda; Metropolitana concentra os casos
Na leitura por regiões, a maior redução aparece na Região Sul, com queda de 33,3% e 58 ocorrências no ano — segundo o balanço, o melhor resultado já registrado na região. A Região Serrana caiu 25,4% e a Região Noroeste, 12,6%.
A Região Metropolitana, que historicamente concentra o maior número de casos por causa da densidade populacional, somou 395 homicídios em 2025, contra 403 em 2024 — redução de 2% e também o melhor resultado da série histórica da região. É a leitura que explica o quadro geral: a região com mais registros puxa o volume total, enquanto as quedas percentuais mais fortes vêm de regiões com números menores em termos absolutos.
Dez municípios passaram o ano sem registro de homicídio
Dez cidades capixabas não tiveram nenhum registro de homicídio em 2025, e algumas acumulam mais de três anos sem ocorrência. Dores do Rio Preto lidera, com 1.324 dias sem registro, seguida de Iconha, com 1.109 dias. Vila Pavão ultrapassou dois anos, com 784 dias.
A marca contabiliza dias sem registro de homicídio doloso — não significa ausência de outros crimes no município nem se estende a ocorrências de natureza diferente.
Homicídios de mulheres e feminicídios recuam
O estado registrou 75 homicídios de mulheres em 2025, o menor número da série iniciada em 1996. Já os feminicídios — mortes de mulheres por razões da condição de sexo feminino, tipificação que separa esse crime do homicídio comum — caíram 15,4% em relação a 2024, passando de 39 para 33 casos. É o menor índice desde 2017, quando o indicador passou a ser monitorado de forma específica.
O balanço associa o resultado às políticas de proteção à mulher e à repressão aos crimes de gênero incorporadas aos eixos do Estado Presente em Defesa da Vida, por meio do Programa Mulher Viva +.
Quem vive uma situação de violência doméstica pode acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo 180, que funciona 24 horas e recebe denúncias e pedidos de orientação, inclusive de terceiros. Em situação de risco imediato, o número é o 190. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo 181.
Roubo em ônibus cai mais da metade
Entre os crimes contra o patrimônio, a maior variação está no transporte coletivo: os roubos caíram 56,9%, de 1.656 registros em 2024 para 716 em 2025. O governo atribui o resultado ao policiamento nos terminais e à integração dos sistemas de videomonitoramento nos terminais e dentro dos coletivos.
Roubos e furtos de veículos recuaram 13,8%, com 850 unidades a menos subtraídas na comparação com 2024. No caso dos celulares, a queda foi de 15,3%, o equivalente a 3.194 aparelhos a menos.
Câmeras, totens e as prisões atribuídas ao sistema
O balanço descreve a estrutura tecnológica em operação: 40 Totens de Segurança e 1.468 câmeras do Cerco Inteligente, integrados ao Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR). Com reconhecimento facial e leitura de dados, os equipamentos viabilizaram a prisão de 568 pessoas com mandados em aberto e a apreensão de 1.795 veículos. Os totens foram acionados por populares mais de 1.200 vezes e geraram 510 registros de ocorrência policial.
Mandado em aberto é a ordem de prisão já expedida por decisão judicial e que ainda não havia sido cumprida — por isso essas prisões aparecem como resultado do sistema de identificação, e não de novas investigações.
O que dizem o governador, o vice e o secretário
O governador do Estado, Renato Casagrande, comentou os resultados:
Registramos, mais uma vez, uma redução histórica no número de homicídios no Espírito Santo. Não há motivo para comemorar enquanto vidas são perdidas, mas reconheço o resultado do trabalho do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, que demonstra que estamos no caminho certo. Essa redução nos homicídios reforça a responsabilidade que tenho de não medir esforços. Vou continuar investindo em inteligência, na integração entre políticas públicas e segurança e valorizando nossos profissionais.
O trabalho para fazer do nosso Espírito Santo um estado cada vez mais seguro segue sem trégua. Programa Estado Presente. Graças ao esforço das nossas Forças de Segurança, da maior recomposição dos efetivos das nossas polícias, dos elevados investimentos em tecnologia e de atuação integrada, encerramos 2025 com a menor taxa de homicídios dos últimos 29 anos. Segurança Pública é uma obra inacabada e seguimos firmes na luta, sem trégua à criminalidade. Com trabalho duro vamos em frente, estamos no caminho certo
A declaração é do vice-governador do Estado e coordenador do programa Estado Presente em Defesa da Vida, Ricardo Ferraço.
Este é o resultado de um trabalho intenso e constante, que reúne investimentos robustos do Governo do Estado, implantação de tecnologias de ponta e o empenho de cada servidor e servidora que fazem a Segurança Pública diariamente. Alcançamos a meta de 2025, e já estamos trabalhando para que 2026 também seja de êxito
A avaliação é do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno.
Como o ano se encaixa na série
O resultado de 2025 dá sequência a marcas parciais anunciadas em anos anteriores. Em maio do ano passado, o estado já havia divulgado que abril tinha sido o mês com a menor marca de homicídios desde 1996, o mesmo ponto de partida usado agora no fechamento do ano. Recuos parciais já haviam sido registrados antes: em 2022, o primeiro bimestre fechou com o menor número de assassinatos em 26 anos. Cada um desses recortes usa um período diferente, e nenhum deles substitui o total anual.
Fonte: Governo do Estado do Espírito Santo
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