Mentalidade digital não tem data de nascimento

CEOs em 2026: menos confiança, mais risco. E a reinvenção virou regra, não opção.

A pesquisa global da PwC com mais de 4.400 executivos em 95 países revela algo que muitos líderes já sentem na pele: o ambiente de negócios mudou para sempre. A confiança de mercado está em queda, os riscos estruturais dominam a agenda e quem insistir em operar como antes verá a concorrência ultrapassá-lo.

CEOs estão menos otimistas com o curto prazo — e isso não tem a ver com pessimismo irracional, mas com um reconhecimento lúcido de que desafios como geopolítica, pressões inflacionárias, tecnologia fragmentada e instabilidade nas cadeias de produção já não são “ruídos”. São partes integrantes da estratégia empresarial.

No Brasil, a pressão é especialmente clara: a confiança na perspectiva de crescimento de receita caiu de 50% para 38% entre os últimos 12 meses, enquanto líderes passam a buscar resultados através da competição em novos setores e fronteiras de mercado, em vez de depender do tradicional.

A inteligência artificial, por sua vez, ganhou status de prioridade estratégica — mesmo sem garantir retorno financeiro imediato para a maioria das empresas. Isso expõe um paradoxo: líderes reconhecem a importância da tecnologia, mas ainda lutam para integrá-la de forma a gerar valor real no curto prazo.

O impacto da IA já aparece nas perspectivas de emprego: 60% dos CEOs brasileiros esperam menos vagas de entrada nos próximos três anos, sinalizando uma transformação do mercado de trabalho que vai além de simples automação.

A agenda de curto prazo domina: a maior parte do tempo dos executivos (57%) é dedicada a temas imediatos, com apenas 11% focados em horizonte estratégico de longo prazo — uma divisão que pode custar caro em um mundo onde mudança rápida virou norma.

Curiosamente, embora os riscos climáticos sejam reconhecidos — em especial em setores como agronegócio e energia — eles ainda não estão no centro das decisões financeiras e estratégicas, revelando uma lacuna entre percepção de ameaça e ação concreta.

O ponto central é este: em 2026, sobreviver ao agora não é suficiente para prosperar no depois. CEOs que transformarem risco em estratégia, adotarem tecnologia com propósito e realocarem foco para fronteiras emergentes terão a vantagem competitiva. Os demais vão descobrir o significado de ficar para trás.

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