Ex-PM é preso suspeito de extorsão a comerciante em Vila Velha — Direto Notícias

Ex-PM é preso suspeito de extorsão a comerciante em Vila Velha

Um ex-policial militar de 41 anos foi preso em flagrante no bairro Glória, em Vila Velha, no âmbito de uma investigação da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo (PCES) sobre extorsão contra um comerciante. Com ele, os policiais apreenderam uma arma de fogo, munições e duas placas veiculares.

A ação foi conduzida pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), com apoio da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). Conforme a PCES, o homem tem extenso histórico criminal e já havia sido expulso da corporação policial em decorrência da prática de outros crimes.

O que os policiais encontraram no veículo

O suspeito foi abordado na via e o carro passou por verificação com apoio de cão farejador da PMES. Sob o banco do motorista, os policiais localizaram um revólver calibre .38, da marca Rossi, municiado com cinco munições. Duas placas veiculares também foram apreendidas na ação.

Como o esquema funcionava, segundo a apuração

De acordo com as investigações, a atuação atribuída ao suspeito começava por um empréstimo informal, oferecido fora do sistema financeiro e sem contrato que a pessoa pudesse conferir depois. Sobre esse valor incidiam juros abusivos e capitalização indevida, o chamado anatocismo.

O resultado, ainda segundo a apuração, era prender a vítima a pagamentos contínuos e desproporcionais, cobrados com condutas intimidatórias e ameaçadoras — inclusive com o emprego de arma de fogo. Comerciantes ficavam, assim, submetidos a uma exigência permanente de vantagens econômicas indevidas.

O que significa anatocismo, o termo que aparece no caso

Anatocismo é o nome técnico para juros cobrados sobre juros. Em vez de o percentual incidir apenas sobre o valor emprestado, ele passa a incidir também sobre os juros que já se acumularam nos períodos anteriores.

Na prática, é o que faz uma dívida pequena crescer em ritmo acelerado. Em cobranças informais, nas quais não há extrato nem planilha aberta ao devedor, a pessoa costuma pagar por meses sem ver o valor principal diminuir — e, muitas vezes, sem conseguir saber quanto ainda deve. É esse desequilíbrio que a apuração aponta como base do esquema.

Porte ilegal de arma e stalking: o que dizem os enquadramentos

O conduzido foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e stalking. Os dois termos costumam gerar confusão:

  • Porte é carregar a arma fora de casa ou do local de trabalho, o que exige autorização específica. É diferente da posse, que se refere a manter a arma dentro da própria residência ou do estabelecimento — cada situação tem exigências próprias, e ter uma autorização não substitui a outra.
  • Stalking é o termo usado para a perseguição reiterada: procurar alguém de forma insistente, por qualquer meio, ameaçando a integridade física ou psicológica da pessoa, restringindo sua liberdade de ir e vir ou invadindo sua privacidade. Não depende de agressão física para se configurar.

Autuação em flagrante não é condenação

Ser autuado em flagrante significa que a autoridade policial formalizou a prisão e registrou o que encontrou. Não é decisão de mérito nem julgamento.

Nas horas seguintes, o caso passa por análise judicial em audiência de custódia, que verifica se a prisão foi legal e se a pessoa permanece presa, responde em liberdade ou fica sujeita a medidas cautelares. Essa audiência não decide se houve crime nem quem é culpado: o mérito só é enfrentado depois, no processo, com direito a defesa. Por isso o homem segue tratado como suspeito. Após os procedimentos de praxe, ele foi encaminhado ao sistema prisional.

Investigação segue sob sigilo

A PCES informou que a apuração não se encerra com o flagrante e pode alcançar outras pessoas.

Com o aprofundamento das investigações, será possível identificar outros envolvidos, bem como esclarecer integralmente os fatos e circunstâncias relacionadas à atuação criminosa. As apurações seguem em andamento, sob sigilo, visando à completa responsabilização dos autores

A declaração é do chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro.

O sigilo, nesse estágio, não é falta de informação ao público: ele preserva diligências que ainda vão ser cumpridas, como o rastreamento de repasses e a identificação de outras pessoas que possam ter sido cobradas do mesmo modo.

Extorsão aparece em outros registros do município, em episódios sem qualquer ligação com este. Em ocorrência independente, com outra pessoa e outros fatos, a PCES prendeu uma suspeita de roubo e extorsão mediante sequestro em Vila Velha — um caso não guarda relação com o outro.

O que o comerciante pode fazer diante de cobrança com ameaça

Cobrança acompanhada de ameaça deixa de ser assunto de dívida e passa a ser caso de polícia. Quem estiver nessa situação pode acionar:

  • 181 — Disque-Denúncia, que aceita denúncia anônima e não exige identificação de quem liga;
  • 190 — para ameaça em curso, quando há risco imediato;
  • Delegacia — para registrar a ocorrência e formalizar o relato, inclusive de fatos anteriores.

Guardar as mensagens recebidas, os comprovantes de cada pagamento e uma anotação simples de datas e valores ajuda a apuração. Esse conjunto costuma ser o que permite mostrar a repetição da cobrança — elemento central em investigações de extorsão, nas quais o crime está justamente na vantagem econômica exigida sob ameaça, e não no empréstimo em si.

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