Maiores bancadas do Senado em 2026: PL com 15 e PSD com 14

O Senado Federal começou 2026 com uma correlação de forças diferente da que vigorava desde 2023. O Partido Liberal abriu o ano eleitoral — o último da atual legislatura — como a maior bancada da Casa, com 15 senadores, um a mais do que tinha no início de 2025, e passou a ocupar a liderança numérica que era do PSD. A informação foi divulgada pela Agência Senado em 26 de janeiro.

O dado interessa a quem acompanha a tramitação de projetos porque o tamanho da bancada não é apenas um número de ranking: ele define quantas cadeiras cada partido ocupa nas comissões, quantas presidências de colegiado disputa e com que peso participa das negociações de pauta. Abaixo, o quadro atualizado e o que ele muda na rotina da Casa.

Como ficou o ranking das cinco maiores bancadas

O PSD aparece em seguida, como segunda maior bancada, com 14 parlamentares. A sigla perdeu uma cadeira na comparação com o ano anterior, quando contava com 15 senadores.

Na terceira posição permanece o MDB que, apesar de manter a colocação, também registra perda e passa a ter 10 senadores. Completam o grupo das cinco maiores bancadas o PT, com 9 parlamentares, e o PP, com 7.

Por que um senador pode trocar de partido sem perder o mandato

Quem acompanha a política pela primeira vez costuma estranhar que um parlamentar mude de legenda no meio do mandato e continue no cargo. A explicação está no sistema de eleição.

No Brasil, a regra de fidelidade partidária que faz o eleito perder a cadeira ao deixar o partido se aplica aos cargos escolhidos pelo sistema proporcional — deputados e vereadores —, porque nesse sistema os votos dados a um candidato ajudam a eleger outros nomes da mesma lista. A cadeira, nesse caso, é entendida como pertencente ao partido.

Senador, prefeito, governador e presidente são eleitos pelo sistema majoritário: vence quem tem mais votos, sem transferência para colegas de legenda. Por isso o mandato é tratado como do eleito, e a desfiliação não implica perda automática do cargo. Na prática, a troca acontece por dois caminhos: o senador se desfilia e se filia a outra sigla, ou se desfilia e passa a atuar sem partido, situação em que fica fora do rateio de vagas que segue a proporcionalidade das bancadas.

As movimentações que redesenharam o quadro em 2025

A mudança no ranking reflete uma série de movimentações do último ano, envolvendo filiações, desfiliações e posse de suplentes em vagas de titulares. Entre as alterações ocorridas em 2025 estão:

  • Alan Rick (AC) deixou o União Brasil e foi para o Republicanos;
  • Márcio Bittar (AC) saiu do União Brasil e se filiou ao PL;
  • Daniella Ribeiro (PB) migrou do PSD para o PP;
  • Giordano (SP) se desfiliou do MDB e atualmente está sem partido.

Quando o suplente assume — e quando isso não muda a conta

Nem toda alteração na composição da Casa vem de troca de partido. Cada senador é eleito com dois suplentes na mesma chapa, e eles assumem quando o titular deixa o cargo, em definitivo ou temporariamente — para ocupar um ministério, por exemplo.

Em outubro, José Lacerda (PSD-MT) assumiu a vaga deixada pela senadora Margareth Buzetti (PP-MT), primeira suplente de Carlos Fávaro, ministro da Agricultura. Lacerda foi eleito como segundo suplente na chapa. Como o suplente que entrou é de partido diferente do que saiu, a substituição mexeu na conta das bancadas.

Já em 16 de dezembro, Bruno Bonetti (PL-RJ), suplente do senador Romário (PL-RJ), tomou posse e deve permanecer no cargo até março. Nesse caso, titular e suplente são da mesma legenda, e a composição numérica das bancadas não se alterou.

O que o tamanho da bancada decide na prática

A distribuição de lugares nos colegiados segue a proporcionalidade das bancadas: quanto mais senadores um partido reúne, mais cadeiras ocupa nas comissões e maior é sua participação na divisão das presidências desses colegiados. O efeito se desdobra em pontos concretos do dia a dia legislativo:

  • Comissões. O número de vagas de cada partido nos colegiados temáticos acompanha o tamanho da bancada. Quem tem mais vagas está presente em mais votações de mérito, antes de o texto chegar ao plenário.
  • Relatorias. A escolha de quem relata cada proposta cabe a quem preside a comissão. Presidir mais colegiados e ocupar mais assentos amplia a chance de a legenda ficar com a relatoria dos projetos que lhe interessam.
  • Liderança e tempo de fala. Bancada organizada tem líder, e a liderança dá direito a se manifestar em nome do partido em momentos reservados da sessão, além de participar das reuniões em que a pauta é combinada.
  • Indicações. A escolha de nomes para comissões temporárias, comissões de inquérito e delegações também passa pelo mesmo critério de proporcionalidade.

É esse cálculo que explica a formação de blocos partidários: siglas menores se juntam e passam a ser contadas como uma única unidade na hora do rateio, o que lhes garante mais vagas do que teriam isoladamente. Por isso o rearranjo de blocos é acompanhado de perto no início de cada ano legislativo.

Em outubro, dois terços das cadeiras vão a voto

Até o fim do ano, novas alterações devem ocorrer, com entradas e saídas de suplentes e possíveis trocas partidárias — movimento típico de períodos eleitorais.

A renovação do Senado é alternada: em uma eleição geral vai a voto um terço das cadeiras; na seguinte, dois terços. Cada mandato dura oito anos. Em outubro será a vez do ciclo maior — dois terços das cadeiras estarão em disputa —, o que pode redefinir o equilíbrio de forças na Casa a partir de 2027.

Na prática, isso muda o que o eleitor faz na urna: cada unidade da federação é representada por três senadores, e no ciclo de dois terços cabe votar em dois nomes na mesma eleição, e não em um só, como acontece no ciclo de um terço.

Fonte: Agência Senado

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