A Companhia Espírito-Santense de Saneamento flagrou sete ligações clandestinas de água em um posto de combustíveis no bairro Muquiçaba, em Guarapari, na manhã da terça-feira (27). Segundo levantamento da Cesan, o estabelecimento captava cerca de 100 mil litros por mês fora do hidrômetro, volume que saía da rede pública sem medição e sem cobrança.
A ação de campo teve o acompanhamento da Polícia Militar. As sete conexões irregulares foram localizadas e removidas no local, e a responsável pela gerência do estabelecimento foi encaminhada à delegacia para prestar depoimento. A partir daí, cabe às autoridades policiais apurar eventuais responsabilidades. Enquanto isso não termina, o caso é uma investigação em andamento: não há decisão sobre culpa nem condenação.
O que é um gato de água e por que ele quase não aparece
O termo gato descreve uma derivação feita na tubulação antes do hidrômetro. Como a água desviada nunca passa pelo relógio, ela não entra na conta e não aparece no consumo registrado do imóvel. É por isso que uma ligação clandestina raramente é descoberta por leitura de fatura: o número simplesmente não sobe.
Na prática, o que denuncia o desvio é a diferença entre o que a companhia coloca na rede e o que a soma dos hidrômetros da região devolve como consumo medido. Quando essa diferença cresce num trecho específico, o setor entra na lista de vistoria. A inspeção em campo, com abertura de calçada e checagem do ramal, é o que transforma a suspeita em flagrante — e foi esse o caminho que levou ao posto em Muquiçaba.
100 mil litros por mês: a conta que ninguém pagou
Cem mil litros por mês equivalem a 100 metros cúbicos, que é justamente a unidade usada nas faturas de água. É um consumo de porte comercial que, durante todo o período do desvio, ficou fora do faturamento. Quem paga a conta em dia é quem sustenta o custo de captar, tratar, bombear e distribuir essa água.
O prejuízo, porém, não para no dinheiro. Água tratada tem custo de energia elétrica, de produto químico e de manutenção de rede. Volume que sai sem registro também distorce o planejamento operacional: a companhia dimensiona reservatório, pressão e horário de bombeamento a partir do consumo que ela consegue medir. Quando parte do consumo é invisível, o cálculo nasce errado.
Queda de pressão: o efeito que chega na torneira do vizinho
Uma derivação clandestina puxa vazão do mesmo ramal que abastece as casas ao redor. O resultado imediato é queda de pressão na rede de distribuição, sentida sobretudo nos pontos mais distantes do reservatório, nos imóveis em cota mais alta e nos horários de pico. Chuveiro fraco, caixa d’água que não enche e falta de água na parte alta da rua costumam ser lidos pelo morador como problema do próprio encanamento, quando às vezes o problema está numa ligação irregular a poucos metros dali.
Não é episódio isolado na cidade. No mês passado, uma outra ocorrência, com pessoas e circunstâncias distintas, terminou com a remoção de um desvio que, segundo a companhia, retirava da rede água suficiente para abastecer 240 pessoas em Guarapari. São casos independentes, apurados separadamente, e a proximidade entre eles diz respeito ao método de fiscalização, não às pessoas envolvidas.
O que dá para conferir no próprio imóvel
Há um teste simples que qualquer morador faz sozinho. Feche todas as torneiras, chuveiros e a boia da caixa d’água, e anote o número do hidrômetro. Espere de uma a duas horas e leia de novo. Se o registro avançou com tudo fechado, existe água correndo em algum ponto: pode ser vazamento interno, pode ser um ramal ligado indevidamente ao seu cavalete.
- Cavalete violado ou lacre rompido: peça vistoria antes de mexer, para não responder por alteração que não foi sua.
- Solo encharcado sem chuva, na calçada ou perto do meio-fio: costuma indicar rompimento ou derivação enterrada.
- Pressão que cai só em parte da rua: vale comparar com os vizinhos antes de trocar o encanamento de casa.
- Consumo alto sem mudança de rotina: na fatura, compare o metro cúbico do mês com o histórico impresso na própria conta.
Como denunciar uma ligação clandestina
A Cesan reforça que a colaboração da população é decisiva para localizar esse tipo de irregularidade. A denúncia pode ser anônima e é feita pelo telefone 115 ou pelo aplicativo oficial da companhia. Não é necessário provar nada: basta informar o endereço, o ponto aproximado da suspeita e o que foi observado, como cano exposto no passeio, obra sem identificação sobre o ramal ou consumo incompatível com o imóvel.
Quem recebe a informação faz a vistoria técnica. Constatada a irregularidade, a ligação é removida no local e o caso pode seguir para a delegacia, como ocorreu em Muquiçaba, onde a apuração das responsabilidades passa a correr na esfera policial. Cada desvio retirado da rede devolve pressão e volume ao trecho que estava sendo prejudicado.
Direto Notícias Imparcial, Transparente e Direto!

