
Os membros do Escudo das Américas assinaram, nesta terça-feira (22), um acordo para designar facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas”. O documento aplica sanções a 24 organizações criminosas. O PCC e o CV figuram entre os alvos listados no documento divulgado pelo Departamento de Estado. A iniciativa partiu de um pedido direto do governo Donald Trump.
A coalizão reúne países alinhados ao republicano na América Latina, incluindo Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru, entre outros. O acordo prevê congelamento de ativos, restrições de visto, bem como responsabilização criminal de quem fornecer apoio material às organizações listadas.
Sanções do Escudo das Américas contra o PCC e CV
O documento assinado pelos membros declara intenção de agir “conforme aplicável e em conformidade com nossas respectivas obrigações legais internacionais e internas”. Ademais, a coalizão acionará um mecanismo da Organização dos Estados Americanos para viabilizar as medidas.
No mesmo dia, Trump discursou na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Ele afirmou que “lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos”. Ele classificou, igualmente, os cartéis como o “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”.
Brasil rejeita classificação de terrorismo
O governo brasileiro discorda da denominação “terroristas globais” aplicada ao PCC e ao CV. Na legislação brasileira, terrorismo exige motivação ideológica, racial ou religiosa. Mario Sabburro, ex-secretário nacional de Segurança Pública, explicou a diferença em reunião com uma comitiva americana no Ministério da Justiça.
Conforme Sabburro, “estas organizações criminosas [brasileiras] não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema. Muito pelo contrário, elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro”.
Lula contrapõe Trump na tribuna da ONU
Pouco antes de Trump, Lula discursou na Assembleia Geral e defendeu o multilateralismo e a soberania nacional. Ele afirmou que “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, em resposta direta à chamada “Doutrina Donroe” — referência à Doutrina Monroe do século 19 — que orienta a política externa do governo Trump no segundo mandato. O Escudo das Américas realizou sua única cúpula em março de 2026. Atualmente, analistas o veem como instrumento para reduzir a influência da China na América Latina.
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