
Os presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, não reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial brasileira de 25 de outubro, segundo a imprensa internacional. Trump e Milei são os principais nomes do continente fora da lista de governos que cumprimentaram o petista, reeleito para o quarto mandato.
Lula venceu o senador Flávio Bolsonaro no segundo turno com 51,8% dos votos, contra 48,2%, segundo a TRT World, com informações da agência EFE. A diferença passou de 4,4 milhões de votos, de acordo com o site Latin America Reports.
O que Trump disse sobre a eleição no Brasil
Na segunda-feira, 26 de outubro, Trump falou com jornalistas sobre o resultado. Ele disse que a votação brasileira “pareceu mais uma eleição fraudada” e que a imagem passada ao mundo foi péssima, segundo a CNN Brasil e a BBC News Brasil. As duas registram que ele não apresentou provas.
Trump afirmou que não tomou partido e criticou a prorrogação do horário de votação, que passou das 17h para as 19h. Ao ser perguntado se faria algo a respeito, respondeu que não governa o Brasil. Também disse que gosta de Lula e que se dá bem com ele.
No mesmo dia, segundo a agência MercoPress e a TRT World, que citam a EFE, Trump comparou a eleição brasileira à disputa presidencial americana de 2020. Ele disse que aplicaram no Brasil o “manual de Joe Biden” e afirmou que os comunistas não largam o poder depois de conquistá-lo.
Até a última atualização das agências, nem a Casa Branca nem o Departamento de Estado tinham enviado cumprimentos a Lula, segundo a TRT World e o Latin America Reports. Os Estados Unidos também não emitiram reconhecimento oficial do resultado, de acordo com a CNN Brasil.
A relação de Trump com a família Bolsonaro ajuda a explicar a posição. Segundo a TRT World, ele recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca em junho de 2026 e chamou de “grande vitória” o resultado do primeiro turno. Em 2025, o governo americano impôs tarifas de 50% a produtos brasileiros e sanções a pessoas próximas de Lula, de acordo com o Latin America Reports.
Trump e Milei: porta-voz argentino diz que não haverá declaração
Na Argentina, o silêncio virou posição oficial. Na terça-feira, 27 de outubro, o porta-voz presidencial Adrián Ravier disse em entrevista na Casa Rosada que não haveria declaração sobre a vitória de Lula, segundo o Buenos Aires Herald, com informações do jornal Ámbito. O governo, nas palavras dele, apenas vai “tomar nota” do resultado no Brasil.
Ravier comparou a decisão com a postura de Lula em novembro de 2023, quando Milei foi eleito. Na época, Lula cumprimentou as instituições e o povo argentino sem citar o nome do novo presidente. O porta-voz disse que não havia plano de declaração “pelo menos por enquanto”.
Milei apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha. No sábado, 24 de outubro, véspera do segundo turno, chamou Lula de “ladrão corrupto” nas redes sociais e acusou o brasileiro de fazer uma “campanha suja”, segundo o Buenos Aires Times. Na segunda-feira de manhã, ele era o único líder sul-americano que ainda não tinha reconhecido o resultado, de acordo com o mesmo jornal.
A relação entre os dois países está em um dos piores momentos. Desde 4 de agosto de 2026, Brasil e Argentina mantêm relações no nível de encarregado de negócios, sem embaixadores nas capitais, segundo o Buenos Aires Herald. Em julho, o Brasil chamou de volta o embaixador em Buenos Aires para consultas, depois de Milei atacar Lula e um ministro do Supremo Tribunal Federal em um ato de Bolsonaro, de acordo com o Buenos Aires Times. O Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina.
Quem reconheceu a vitória de Lula
A maioria dos governos da região cumprimentou Lula, inclusive líderes de direita. Segundo a MercoPress, mandaram mensagens Yamandú Orsi, do Uruguai, José Antonio Kast, do Chile, Santiago Peña, do Paraguai, Rodrigo Paz, da Bolívia, Daniel Noboa, do Equador, José Raúl Mulino, do Panamá, e Claudia Sheinbaum, do México. O Buenos Aires Times cita também Keiko Fujimori, do Peru.
Além de Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, está entre os poucos líderes da região que não reconheceram oficialmente a vitória, segundo o Buenos Aires Herald. Para o historiador William Booth, da University College London, ouvido pelo Latin America Reports, o silêncio de Washington e de Buenos Aires pode ser lembrado como uma afronta por Lula e por eleitores moderados.
No Brasil, Flávio Bolsonaro também não reconheceu a derrota. Ele afirmou que vai pedir a anulação do resultado e contesta a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que estendeu a votação em duas horas, segundo o Latin America Reports e a TRT World. O pedido de prorrogação foi feito pelas duas campanhas. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, afirmou que não houve irregularidades, segundo a CNN Brasil.
Fontes
- Trump questions Lula's victory as most of the region, including the right, congratulates him (MercoPress)
- Government confirms Milei will not congratulate Lula on victory (Buenos Aires Herald)
- Milei is lone South American leader yet to recognise Lula's win (Buenos Aires Times)
- US, Argentina silent as Latin American leaders congratulate Lula on Brazil election win (Latin America Reports)
- Trump, Milei yet to weigh in as Flavio Bolsonaro refuses to recognise Lula's Brazil victory (TRT World)
- Trump diz que eleição do Brasil pareceu fraudada, mas que gosta de Lula (CNN Brasil)
- Trump diz que eleição no Brasil pareceu ter fraude, mas afirma gostar de Lula (BBC News Brasil, no Terra)
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