O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) montou um estande de educação ambiental dedicado à fauna marinha dentro do 8º Festival da Moqueca Capixaba, em Castelhanos, Anchieta. Parte do conteúdo exposto tratava da vida marinha da região das Três Ilhas, em Guarapari. A edição de 2024 se encerrou no domingo (08), 8 de setembro, e o texto oficial que a divulgou foi escrito enquanto o evento ainda corria — por isso fala no presente e no futuro de coisas que já aconteceram.
Em um único dia, na quinta-feira (05), cerca de 240 estudantes de escolas da região passaram pelo espaço do instituto. Na sexta (06), quem passou pelo espaço foi um grupo de influenciadores de turismo vindos de São Paulo. Esses são os únicos números de público do material: não há estimativa de quantas pessoas passaram pelo festival inteiro nos quatro dias.
O que o Iema levou ao Festival da Moqueca Capixaba
O estande reunia dois conteúdos nomeados: a biodiversidade marinha da região das Três Ilhas, em Guarapari, e o programa Preservando O Nosso Quintal. O material acrescenta que havia outras ações, sem dizer quais — a lista, portanto, não fecha, e tratá-la como a programação completa do espaço seria ir além do que a fonte sustenta.
Também não há descrição do formato. O texto oficial fala em atividades educativas e de conscientização para os alunos, mas não informa se eram oficinas, exposição, jogos, palestra ou visita guiada, quanto durava a passagem de cada turma, nem quantas turmas foram recebidas ao longo dos quatro dias. O que o programa Preservando O Nosso Quintal propõe, igualmente, não é explicado em nenhum ponto.
Educação ambiental, e não fiscalização
Vale separar as duas coisas, porque a presença de um órgão ambiental num evento de comida costuma sugerir a segunda. Pelo que o material descreve, a atuação do instituto ali foi educativa: um estande, a recepção de turmas escolares e a conversa com quem passava. Não há uma linha sobre fiscalização de pescado, vistoria, autuação, licenciamento do evento ou orientação sobre regras de pesca. A ausência precisa ser dita, porque nada no texto permite afirmar que houve qualquer uma dessas frentes.
O material tampouco explica o que é o Iema além de abrir a sigla. Quais são suas atribuições, o que ele faz no dia a dia e por que a região das Três Ilhas foi o recorte escolhido para falar de vida marinha — se a área tem alguma proteção especial, se é objeto de pesquisa ou de monitoramento — são perguntas que o texto oficial não responde. Sem isso, o leitor fica sabendo que o órgão esteve lá, mas não em que qualidade.
A justificativa oficial para ocupar um festival de comida
A razão de levar pauta ambiental a um evento gastronômico foi apresentada assim:
“Aproveitar espaços como este festival é fundamental para levar a mensagem da preservação ambiental a um público mais amplo. A interação com a comunidade e a conscientização sobre a importância da biodiversidade marinha são passos essenciais para educar e engajar as pessoas na proteção dos nossos recursos naturais”
A declaração é do diretor-presidente do Iema, Mário Louzada. É a única fala de todo o material: não há manifestação de organizadores, de escolas, de estudantes nem do público.
Quem realiza o festival e quem apoia
Por transparência, e uma vez só: a realização é da Associação Comercial Castelhanos em Ação, com organização do Clube Capixaba. O apoio vem da Prefeitura de Anchieta e do Governo do Espírito Santo, este por meio do próprio Iema e da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes). O material não informa valor de patrocínio, não detalha em que consistiu o apoio de cada apoiador e não nomeia restaurantes, cozinheiros ou marcas participantes.
A moqueca gigante, anunciada mas não relatada
Além do estande, a programação divulgada tinha shows e aulas, e o ponto alto anunciado era o preparo do que o material oficial descreve como a maior moqueca em panela de barro do mundo, marcado para o sábado (07), a cargo de vários cozinheiros e com cerca de 600 quilos de ingredientes. O superlativo é da divulgação, não uma medição verificada apresentada no texto. E como o material foi escrito antes da data, ele não relata o desfecho: não diz se o preparo ocorreu, quanto rendeu, quantas porções saíram nem se o feito foi registrado por alguém.
Oitava edição, mas a fonte não afirma que o evento é anual
O estágio, com todas as letras: o festival de 2024 já acabou. O número ordinal é o único dado histórico do material — indica a oitava edição e nada mais. Não há informação sobre o ano da primeira, sobre periodicidade (em nenhum momento o texto afirma que o evento se repete todo ano), sobre a data da edição seguinte, nem sobre a continuidade do estande do instituto nas próximas. Quem procura hoje a próxima data do festival não a encontra nesse material.
O serviço que foi divulgado à época
Os dados de serviço ficam registrados como foram publicados, para efeito de arquivo:
- Dias: 5 a 8 de setembro
- Local: Balneário de Castelhanos, Anchieta
- Endereço: Avenida Beira Mar, Praia de Castelhanos
- Entrada: gratuita
- Mais informações: (27) 98888-3593
Esse telefone era o contato de informações do evento naquele momento, e não um canal permanente de atendimento. O bloco de contatos da assessoria de imprensa que vinha no fim do texto oficial foi retirado: ele serve a jornalista, não a leitor.
O que o material oficial não responde
- Quantas pessoas passaram pelo festival ao todo — só o número de estudantes de um dia foi informado.
- Quais escolas participaram e de que municípios vieram as turmas.
- Em que consistiam as atividades do estande e o que propõe o programa Preservando O Nosso Quintal.
- Por que a região das Três Ilhas foi o recorte do conteúdo sobre vida marinha, e se a área tem alguma proteção.
- Se houve qualquer ação de fiscalização, licenciamento ou orientação sobre pesca durante o evento.
- Se a moqueca em panela de barro foi mesmo preparada no sábado, e com que resultado.
- Quando ocorre a próxima edição e se o festival tem periodicidade fixa.
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