Escolas capixabas ganham coordenadores de equidade racial

A Secretaria da Educação (Sedu) começou no dia 03 de abril a formação dos Professores Coordenadores de Estratégias para Equidade Racial (PCER), uma função nova nas escolas prioritárias da Rede Pública Estadual de Ensino. São profissionais com carga horária de 40 horas semanais, alocados dentro da unidade escolar para tratar de um problema específico: a desigualdade de aprendizagem que atinge estudantes negros e indígenas.

A função fica dentro da escola, em tempo integral, e não em um setor central da Sedu. O primeiro encontro de formação reuniu profissionais de oito Superintendências Regionais de Educação (SRE) — as estruturas que fazem a ponte entre a Sedu e as escolas em cada região do estado.

O que fazem os coordenadores de equidade racial na escola

O trabalho do PCER foi desenhado em torno de duas frentes. A primeira é olhar diretamente para o estudante: fortalecer o protagonismo de alunos negros e indígenas e criar estratégias pedagógicas voltadas à mitigação das desigualdades de aprendizagem com recorte racial — ou seja, atacar a diferença de desempenho que aparece quando os dados da escola são lidos por raça.

A segunda frente é interna. Segundo a Sedu, entre as atribuições dos novos profissionais está a articulação com quem já toma decisão na escola, para propor e implementar práticas educativas que promovam a equidade racial e de gênero. Isso inclui conversa constante com:

  • diretores;
  • coordenadores pedagógicos;
  • pedagogos;
  • professores de sala de aula.

De onde vem a política e quem a coordena

A ação integra as atividades da Comissão Permanente de Estudos Afro-Brasileiros (Ceafro), vinculada à Gerência de Educação Antirracista, do Campo, Indígena e Quilombola (Geaciq). A gerente da Geaciq, Aline de Freitas Dias, explicou que a formação de abril foi só a primeira de uma série de encontros mensais promovidos pela Sedu, todos ligados a um programa já existente na rede.

“As formações fazem parte do Programa de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ProERER), que tem como objetivo apoiar e qualificar o trabalho desenvolvido nas escolas da Rede Estadual.”

O calendário mensal indica que a formação de abril não foi um treinamento único de abertura, e sim acompanhamento distribuído ao longo do ano letivo.

Gerência vê avanço histórico na rede

Para Aline de Freitas Dias, a criação do PCER representa um avanço histórico na construção de uma educação mais justa e inclusiva.

“Essa estratégia faz história na Educação Capixaba, consolidando-se como uma política afirmativa com foco nos nossos estudantes negros e indígenas. É um compromisso com a equidade e com a valorização das identidades que compõem nossa rede de ensino”, destacou a gerente.

Formar coordenador especializado virou rotina na rede estadual

O PCER não surgiu isolado. Cerca de um mês antes, em fevereiro, a Sedu havia feito exatamente o mesmo movimento com outra função de coordenação: quem acompanha o assunto pode comparar o formato no relato de que a Sedu realiza formação para Professores Coordenadores de Inovação, com a mesma lógica de preparar um profissional de referência antes de colocá-lo na escola.

O mesmo já havia acontecido em outubro de 2024, quando a rede qualificou equipes para um público bem diferente — alunos afastados da sala de aula por internação —, na Formação de Professores e Pedagogos para Atendimento Educacional em Regime Hospitalar. Vistas em conjunto, as três iniciativas mostram um padrão: em vez de distribuir orientação geral a toda a rede, a Sedu vem formando um responsável específico por tema em cada escola prioritária.

Para as famílias, o efeito prático aparece na unidade escolar: nas escolas definidas como prioritárias passa a existir um profissional com função definida e 40 horas semanais dedicadas ao tema. A Sedu não divulgou a lista dessas escolas nem o número total de coordenadores.

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