Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Centro Estadual de Ensino Fundamental e Médio em Tempo Integral (CEEFMTI) Monsenhor Miguel de Sanctis, em Guaçuí, transformaram os corredores da escola em um museu de antiguidades na última terça-feira (08). A exposição “Uma Jornada no Tempo” reuniu cartas, fotografias antigas, moedas fora de circulação, utensílios domésticos e eletrônicos de outras épocas, espalhados por mesas e painéis da unidade escolar.
As peças saíram das casas dos próprios estudantes
O que separa a mostra de uma feira escolar comum é a origem do acervo. Nada foi emprestado de coleção alheia: os objetos chegaram pela valorização das vivências pessoais e familiares da turma. Cada item veio de uma gaveta, de um álbum ou de um armário de casa. O resultado, nas palavras usadas pela escola, foi um “museu vivo”.
A professora de História Lia Fernandes Nunes conduziu o trabalho com foco nas transformações ocorridas ao longo dos anos. Segundo ela, a apresentação de cada peça abria uma conversa que ia além da data e da procedência do objeto.
“Para além do valor histórico dos objetos, a exposição proporcionou momentos de troca e emoção. A cada item apresentado, surgiam histórias, lembranças e sentimentos compartilhados pelos alunos. O resultado foi uma aula viva de História, em que o conteúdo sobre fontes históricas ganhou forma concreta e significado real”, destacou a professora Lia Fernandes Nunes.
Por que o formato funciona nas turmas de EJA
A EJA é a modalidade de ensino voltada a quem não concluiu o ensino fundamental ou o médio na idade prevista e voltou à escola mais tarde. São salas de aula de adultos, muitos deles conciliando estudo e trabalho, que chegam com anos de experiência acumulada fora do ambiente escolar.
Isso muda o sentido de uma exposição de antiguidades. Para uma turma assim, boa parte do que está sobre a mesa não pertence a um passado distante e abstrato: é o passado que os próprios alunos viveram. O aparelho eletrônico que saiu de linha, a moeda que deixou de circular e a carta escrita à mão fazem parte da memória de quem está ali explicando a peça ao visitante. Em vez de estudar fonte histórica como um conceito do livro didático, a turma se reconhece como fonte.
É também o que torna o formato eficiente nessa modalidade. A exposição não exige que o aluno decore uma cronologia antes de participar: ele entra pelo que já sabe — o próprio objeto, a própria história — e só depois chega ao conceito. O conteúdo passa a ser explicado por quem o traz, e não apenas recebido.
Fonte histórica deixou de ser palavra do livro
Para a professora, o projeto foi além de ensinar conceitos. Permitiu que os alunos se reconhecessem como parte ativa da história, compreendendo que ela também é feita dos registros do cotidiano, dos saberes populares e das memórias guardadas dentro de casa.
“Ao compartilhar seus objetos e suas histórias, os estudantes desenvolveram habilidades de observação, análise e interpretação, compreendendo como os vestígios do passado ajudam a entender os modos de vida, os costumes e a cultura de diferentes tempos”, explicou a docente.
O relato de quem levou as próprias lembranças
Depois de percorrer toda a exposição, a estudante Dayane Soraia Santos Vale resumiu o que a atividade representou para ela.
“Participar dessa aula foi muito especial para mim. Trouxe objetos antigos da minha família e me emocionei ao lembrar das histórias que vivi com eles. Aprendi que cada coisa guarda um pedaço do passado e que a História também é feita das nossas memórias.”
A fala sintetiza o objetivo do trabalho: mostrar que documento histórico não é só o que está guardado em arquivo público. É também o que sobreviveu dentro de casa, em objetos que os alunos usaram e depois deixaram de usar. O projeto foi divulgado pela Sedu.
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