A Secretaria da Educação (Sedu) publicou, em junho de 2025, uma leva de tutoriais atualizados do Sistema SEGES, o sistema em que a Rede Estadual registra a vida escolar de cada estudante. O material é de uso interno: ele fica hospedado dentro do próprio sistema e só abre para quem já tem acesso a ele — servidores e equipes escolares. O comunicado não informa nenhum endereço público de download, e nem estudante nem família encontram ali um caminho de consulta.
A mudança anunciada é de formato e de organização. Os arquivos passaram a ser separados por perfil de quem usa e por função do sistema, e ganharam apresentação mais gráfica, com esquemas e passo a passo. Dividido assim, o material permite que cada equipe abra só o trecho referente ao que ela faz, em vez de percorrer o arquivo inteiro atrás de uma tela.
Se o tutorial é interno, o que sobra de interesse público
Sobra o que o sistema guarda. Pela descrição do próprio órgão, o SEGES concentra as informações da vida escolar dos estudantes da Rede Estadual — e quem digita esses campos não é a família, é a equipe da escola. Por isso um treinamento que parece assunto de bastidor tem efeito de balcão. O próprio órgão diz que o preenchimento correto sustenta duas coisas ao mesmo tempo: a rotina administrativa da unidade, aquela que a família encontra quando vai à secretaria pedir alguma coisa, e os números em que a rede se apoia para decidir política educacional.
É o argumento que o gerente de Estatística e Informação, Marcelo Antunes, usa para justificar o material:
Sua correta utilização é essencial não apenas para a rotina administrativa das escolas, mas também para a construção de políticas públicas educacionais baseadas em dados confiáveis. Por isso, os tutoriais foram elaborados com foco em tornar o sistema mais acessível, promovendo segurança, clareza e eficiência nos registros
A avaliação é de Marcelo Antunes, gerente de Estatística e Informação da Sedu.
O caminho descrito para chegar aos arquivos
O acesso não passa por site nem por download avulso. Segundo o gerente, os tutoriais estão pendurados no menu do próprio sistema:
Ao final da página inicial do SEGES, o usuário deve clicar em ‘Manuais’ e, em seguida, em ‘1. Novos tutoriais Sedu atualizados – Novidade, clique aqui’. Os tutoriais serão atualizados continuamente, acompanhando as melhorias do sistema e respondendo às demandas identificadas nas escolas.
Duas leituras práticas dessa instrução. A primeira: o item fica no fim da página inicial, e não no topo, onde costuma bater o olho de quem entra no sistema para tarefa de rotina. A segunda: como o próprio anúncio diz que a atualização é contínua, o rótulo do item de menu é datado — o nome com a marca de novidade tende a mudar assim que a próxima leva entrar.
Tutorial de sistema envelhece junto com a versão do sistema
Vale ler o anúncio com a data na mão. Ele é de junho de 2025, e descreve as telas e os menus daquele momento. Manual de sistema não é norma: ele vale enquanto a versão que ele fotografa continuar no ar. Quem chegar agora a esta matéria deve tratar o passo a passo acima como o caminho válido na época, e confirmar na tela o que mudou desde então.
A expectativa oficial é de que o material vire consulta de rotina, e não leitura de estreia:
A expectativa é que os tutoriais se tornem uma referência de consulta permanente para os profissionais da educação, promovendo mais segurança no uso do SEGES e contribuindo para uma gestão escolar mais autônoma, eficaz e alinhada às necessidades da comunidade escolar
A frase é de Marcelo Antunes, que apresenta a iniciativa como parte do esforço do Governo do Estado para modernizar a gestão escolar e firmar o uso qualificado dos dados educacionais.
O que o comunicado não responde
O anúncio é curto e deixa de fora quase tudo que um profissional precisaria saber antes de abrir o menu:
- Quantos tutoriais são e quais funções do sistema cada um cobre.
- Se o uso é obrigatório ou apenas recomendado, e se há prazo para alguma equipe se atualizar.
- Se houve formação, videoaula ou plantão de dúvidas junto com a publicação.
- Se o material anterior continua disponível para quem estava acostumado com ele.
- Que canal a escola procura quando o tutorial não resolve o problema da tela.
- Se algum dos arquivos trata do que a família enxerga — o comunicado só fala em perfis de dentro da rede.
Não é a primeira vez que uma novidade do SEGES chega com essa fronteira desenhada: quando o sistema passou a exibir os painéis com o desempenho das turmas, a consulta também ficou restrita a quem trabalha na rede. O padrão se repete aqui: a ferramenta reúne dados sobre estudantes, mas conversa com servidores.
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